El Niño eleva risco de temporais e mortes em Minas Gerais
As duas mortes em Guarará, na Zona da Mata, e em Belo Horizonte, no fim de semana prolongado, marcaram um doloroso início da temporada de chuvas em Minas Gerais. A temporada, que vai até março, promete ser especialmente intensa devido ao fortalecimento do El Niño.
De acordo com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), desde o início do ano, já foram registrados 644 eventos climáticos adversos, sendo 41 deles desde o último dia 1º. Em 2026, as mortes chegam a 94, com 31 mil mineiros desabrigados ou desalojados.
Somente na segunda-feira foram pelo menos dez alertas da Defesa Civil em Belo Horizonte, granizo em diversos pontos da capital e mais de 230 descargas elétricas em poucas horas. Na região Oeste, um motociclista foi arrastado pela enxurrada e ficou preso ao bueiro, não resistindo aos ferimentos. Antes disso, no dia 1º, o corpo do homem desaparecido havia, mais de 24 horas, devido à enxurrada na Zona da Mata, sido achado.
Em um ano que começou com as dramáticas inundações e deslizamentos em Juiz de Fora e Ubá, o temor é que o agravamento do fenômeno El Niño traga ainda mais chuvas e estragos. O Instituto Nacional de Meteorologia alertou que será agora em novembro que ele atingirá a categoria de muito forte, impactando fortemente as regiões Sul, Vertentes, Zona da Mata e Metropolitana de BH com temporais.
O governo estadual informou ter investido quase R$ 20 milhões em medidas preventivas e capacitado cerca de 6.000 agentes municipais para se preparar para o agravamento climático. Contudo, mais ações serão necessárias, já que aproximadamente 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas de risco, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
O caminho para a segurança é longo e demanda políticas públicas ainda mais consistentes para moradia, controle de encostas, drenagem, proteção de áreas verdes e do solo para evitar que chuvas e inundações cobrem em vidas o custo de anos de ocupação inadequada do território e de adaptação insuficiente às mudanças climáticas
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