Meta Gallery reabre na Praça XV com exposição gratuita que mistura dança, cinema e tecnologia
A Meta Gallery está de casa nova no Centro do Rio e inaugura seu novo espaço, próximo à Praça XV, com uma exposição que mistura dança, cinema e tecnologia. A mostra “Objetos Sonho: Máquinas Para Ver Dançando”, da cineasta e artista visual Isabella Raposo, abre nesta quinta-feira (5/11) e segue até 12 de dezembro, com entrada gratuita. O público poderá interagir com cinco máquinas que recriam experiências visuais inspiradas nas primeiras invenções do cinema.
Localizada na Rua do Mercado, 11, a galeria dedicada à arte tecnológica apresenta dispositivos que combinam luz, movimento, espelhos, imagens e mecanismos acionados pelos próprios visitantes. As obras foram projetadas e construídas por Isabella, que buscou inspiração no trabalho da dançarina americana Loïe Fuller (1862-1928), uma das figuras mais importantes da transformação da dança na virada dos séculos XIX e XX.
Nascida nos Estados Unidos e radicada em Paris, Fuller ficou conhecida por suas apresentações com grandes tecidos, iluminação colorida e movimentos que transformavam o corpo em formas abstratas. Seus espetáculos criavam imagens em constante transformação, antecipando recursos visuais que seriam explorados pelo cinema.
A exposição recupera essas experiências e as aproxima das tecnologias atuais. Em vez de apenas observar os equipamentos, os visitantes poderão manipular mecanismos, controlar luzes e interferir na velocidade das imagens.
“Vejo nas experiências de Loïe Fuller uma espécie de cinema sensorial, em que luz, cor, corpo e movimento se articulam para produzir imagens. Nos ‘Objetos Sonho’, me interessa retomar esse gesto de invenção, recombinando elementos materiais e imateriais do cinema em máquinas que propõem outras formas de ver e experimentar as imagens em movimento, a partir da presença, da interação e do encontro”, explica Isabella Raposo.
Cinco máquinas interativas recriam experiências dos primórdios do cinema
Com curadoria de André Parente, a exposição reúne cinco dispositivos que transitam entre esculturas cinéticas, brinquedos ópticos e equipamentos cinematográficos.
Uma das novidades é o Espiraloscópio, obra inédita concluída especialmente para a abertura da Meta Gallery. O equipamento tem formato cilíndrico e utiliza imagens de um filme de Loïe Fuller, de 1905, organizadas em camadas que produzem movimentos em espiral.
O visitante pode controlar a velocidade de cada camada, além de modificar as cores e a intensidade da iluminação. A combinação desses elementos cria diferentes efeitos visuais a partir de uma mesma sequência de imagens.
Outra instalação é o Loiescópio, formado por uma caixa de madeira sobre um tripé antigo. O equipamento reúne espelhos, tecido branco, motor, luzes de LED coloridas e sensores. Quando o visitante toca o dispositivo, o tecido começa a se movimentar e suas imagens são multiplicadas pelos espelhos, criando a impressão de uma dança sem a presença de um corpo humano.
O Giroscópio utiliza imagens da série Woman Dancing, do fotógrafo Eadweard Muybridge, conhecido por seus estudos sobre o movimento. As fotografias são montadas em um carretel de filme de 35 milímetros e ganham movimento quando o visitante gira manualmente o mecanismo. Luzes, lentes e sons acompanham a velocidade da rotação.
No Kellyscópio, a referência é o cinema musical. Uma lata de filme de 35 milímetros funciona como suporte para uma sequência com Gene Kelly, retirada de “That's Entertainment!”. Por meio de uma manivela, o público controla o movimento da cena, enquanto luzes coloridas alteram a aparência das imagens.
A quinta obra é o Feminoscópio (Joe), instalação que utiliza um manequim translúcido inspirado na personagem Maria, do clássico do cinema expressionista “Metrópolis”, de Fritz Lang. O dispositivo projeta imagens de Loïe Fuller a partir de uma cabeça de vidro, combinando referências ao corpo humano, à máquina e às primeiras experiências cinematográficas.
Exposição recupera trabalho de dançarina que antecipou efeitos do cinema
O ponto de partida da mostra é a contribuição de Loïe Fuller para a história da dança e das imagens em movimento.
A artista americana ganhou projeção internacional em Paris ao desenvolver apresentações nas quais longos vestidos de seda eram movimentados com o auxílio de hastes. Com o uso de refletores coloridos, os tecidos assumiam formas de flores, borboletas e outras figuras que se transformavam diante do público.
Essas experiências fizeram de Fuller uma referência para artistas interessados na relação entre corpo, luz e tecnologia. Seu trabalho também foi registrado em filmes produzidos no início do século XX, quando o cinema ainda experimentava suas possibilidades de linguagem.
Na Meta Gallery, Isabella Raposo retoma esses princípios por meio de equipamentos que dependem da participação do público. O movimento das imagens não ocorre sempre da mesma maneira: ele muda conforme a ação de cada visitante.
A proposta é recuperar a dimensão experimental dos primeiros aparelhos cinematográficos, quando observar uma imagem em movimento também envolvia descobrir como ela era produzida.
Isabella Raposo já expôs no CCBB, MAM e Paço Imperial
Natural do Rio de Janeiro, Isabella Raposo é cineasta e artista visual. Formou-se em roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro e em Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também concluiu o mestrado em Artes Visuais e cursa doutorado em Artes da Cena.
A artista dirige o Espaço Cultural Cine Centímetro e é uma das fundadoras da Cia das Novidades Excêntricas.
Sua pesquisa envolve a criação de máquinas interativas, brinquedos ópticos e dispositivos que exploram as relações entre imagem e movimento. Trabalhos da série Objetos Sonho já foram apresentados no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM), no Paço Imperial e na Fábrica Bhering.
No cinema, Isabella escreveu e dirigiu, em parceria com Thiago Brito, o longa-metragem “Sinfonia do Fim do Mundo” (2022), vencedor da Mostra do Filme Livre. A dupla também realizou “A Vida é Assim”, com estreia prevista para 2026.
Entre seus curtas-metragens estão “Bem no Meio do Céu”, exibido no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Holanda; “Mar de Monstro”, vencedor do prêmio do público no Morce-GO Vermelho Festival; e “O Mirante do Azul”, vencedor do Prêmio Curta Rio.
Mais informações sobre a trajetória e os trabalhos da artista estão disponíveis no site oficial de Isabella Raposo.
Serviço — Objetos Sonho: Máquinas Para Ver Dançando
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Exposição: Objetos Sonho: Máquinas Para Ver Dançando
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Artista: Isabella Raposo
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Curadoria: André Parente
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Período: De 5 de novembro a 12 de dezembro de 2026
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Horário: Das 10h às 17h
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Local: Meta Gallery
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Endereço: Rua do Mercado, 11, Centro do Rio, próximo à Praça XV
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Entrada: Gratuita
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Defensor do Carioca Way of Life
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