Rio tem mais de R$ 25 bilhões em projetos industriais e pode ajudar Brasil a reduzir importação de fertilizantes
O Brasil ainda depende fortemente do mercado internacional para abastecer o agronegócio com fertilizantes. Entre as alternativas para ampliar a produção nacional está o aproveitamento da estrutura de petróleo e gás natural do Estado do Rio de Janeiro, que reúne uma carteira de projetos industriais superior a R$ 25 bilhões, com previsão de desenvolvimento até 2030.
O potencial foi apresentado em um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), lançado nesta quarta-feira (04/11). Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, especialistas que participaram do evento destacaram que o estado tem condições de ampliar sua presença nas indústrias petroquímica e de fertilizantes. Esses são setores que podem ajudar a diminuir a necessidade de importação de insumos no país. Segundo dados apresentados pelo presidente da federação, Luiz Cesio Caetano, entre 80% e 90% dos fertilizantes consumidos no país vêm do exterior.
A proposta é aproveitar melhor os recursos que já passam pelo território fluminense. Em vez de concentrar a atividade econômica na extração e no processamento inicial de petróleo e gás, a indústria pode avançar para etapas posteriores, transformando essas matérias-primas em produtos químicos, plásticos e componentes utilizados na fabricação de fertilizantes.
Essa transformação também está relacionada à ampliação da oferta de gás natural proveniente do pré-sal. A entrada em operação de estruturas como o gasoduto Rota 3 e o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, aumenta a disponibilidade do insumo para atividades industriais e cria condições para novos empreendimentos.
Duque de Caxias está entre os polos estratégicos
Na Baixada Fluminense, o destaque é o Polo Petroquímico de Campos Elíseos, em Duque de Caxias, onde a Braskem mantém uma unidade industrial desde 1992. A companhia tem um projeto de expansão que prevê investimento de aproximadamente R$ 4,3 bilhões.
Batizado de Transforma Rio, o empreendimento inclui uma unidade para processamento de etano, componente presente no gás natural e utilizado como matéria-prima pela indústria petroquímica. O plano também prevê ampliar a capacidade anual de produção de polietileno em cerca de 230 mil toneladas. O material é empregado na fabricação de embalagens, tubos e diversos produtos plásticos.
A infraestrutura de gás também abre possibilidades para outras atividades em Itaboraí. No Complexo de Energias Boaventura, a Petrobras dispõe de uma unidade de processamento com capacidade para receber até 21 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A companhia avalia ainda a produção de substâncias químicas que abastecem diferentes segmentos industriais.
Outro reforço esperado para os próximos anos é o Projeto Raia, liderado pela Equinor. A partir de 2028, o empreendimento poderá acrescentar 16 milhões de metros cúbicos diários de gás natural ao mercado brasileiro, ampliando a oferta de matéria-prima para a indústria.
Norte Fluminense entra no mapa dos fertilizantes
A expansão não se limita à petroquímica. O levantamento da Firjan também identifica oportunidades para a instalação de grandes unidades de fertilizantes nitrogenados em Macaé e no Porto do Açu, em São João da Barra.
Os empreendimentos previstos nessas regiões têm como base o uso do gás natural na fabricação de amônia e ureia, dois produtos importantes para a cadeia de fertilizantes. A proximidade com os gasodutos que transportam a produção do pré-sal e a estrutura logística do Norte Fluminense aparecem como fatores favoráveis à implantação das unidades.
A possibilidade de produzir esses insumos no próprio estado tem relevância para o agronegócio brasileiro, que permanece exposto às oscilações do mercado internacional. Uma indústria nacional mais estruturada poderia ampliar as alternativas de fornecimento e diminuir parte da dependência externa.
Investimentos dependem de condições para sair do papel
Apesar do volume de projetos mapeados, a carteira anunciada não significa que todos os empreendimentos já estejam contratados ou em construção. A concretização das iniciativas depende de fatores como custo competitivo do gás natural, infraestrutura, segurança jurídica e previsibilidade das regras para investimentos de longo prazo.
Esse foi um dos pontos levantados durante o lançamento do estudo. O presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), Isaac Plachta, chamou atenção para a necessidade de aproveitar melhor a estrutura portuária e a rede de universidades presentes no estado, aproximando pesquisa e iniciativa privada.
O estudo da Firjan também destaca a presença do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP) e a perspectiva de implantação de um hub de escalonamento de tecnologias no estado. A proposta é aproximar centros de pesquisa e empresas e contribuir para o desenvolvimento de soluções industriais.
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Carioca, jornalista e flamenguista. Nessa ordem (às vezes não).
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