Diário do Rio de Janeiro
04/11/2026 14:31

Green Rio Tech: coordenador da Escola de Guerra Naval propõe plano para impulsionar a Economia Azul no RJ

Thauan Santos apresenta propostas para impulsionar a Economia Azul no RJ durante o Green Rio Tech 2026 - Foto: Claudia Dantas/Adriano Ishibashi

O Estado do Rio de Janeiro reúne mais de 388 mil empregos formais ligados à Economia Azul, setor que movimentou R$ 384,2 bilhões em 2024. Com forte presença nas cadeias de óleo e gás, o estado busca agora diversificar as atividades marítimas e ampliar os investimentos em áreas sustentáveis. As propostas foram apresentadas pelo professor Thauan Santos, coordenador do Grupo Economia do Mar (GEM) e docente da Escola de Guerra Naval (EGN), durante o Green Rio Tech - Blue Economy Rio Summit 2026, realizado nos dias 29 e 30 de outubro, na Axia Marina da Glória.

A partir de um diagnóstico socioeconômico elaborado por uma equipe de pesquisadores, o grupo está estruturando um conjunto de propostas de políticas públicas para o governo estadual. O levantamento identificou diferenças importantes entre as regiões fluminenses. Enquanto a Região Metropolitana concentra o maior número de empregos, a Bacia de Macaé apresenta as médias salariais mais elevadas, impulsionadas pela indústria de hidrocarbonetos.

Em contrapartida, atividades tradicionais, como pesca e turismo costeiro, ainda enfrentam problemas de informalidade, sazonalidade e baixa remuneração. O estudo também aponta a baixa representatividade feminina em cargos de liderança e decisão.

"Estamos mapeando opções concretas para apresentar ao Estado, mostrando como a economia azul pode crescer de maneira justa, inclusiva e sustentável", explicou o professor. "Isso exige pensar a transição energética do petróleo rumo a fontes de menor emissão e abrir espaço para novas frentes, como o descomissionamento sustentável de plataformas, portos inteligentes com combustíveis limpos e o suporte logístico para eólicas offshore”, diz Thauan.

O trabalho é resultado de dois anos de pesquisa realizada a pedido da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (SEAS). O levantamento também deu origem ao livro Economia Azul do Estado do Rio de Janeiro: Definição e Diagnóstico.

De acordo com a publicação, a Economia Azul alcançou, em 2024, 388.218 postos de trabalho formais, o maior número da série histórica. O resultado representa um crescimento de 52,13% em relação a 2008. O faturamento estimado chegou a R$ 384,2 bilhões, equivalente a aproximadamente 13,5% do total movimentado pela economia fluminense.

Inovação e cultura oceânica

A inovação científica foi apontada por Thauan Santos como um dos principais caminhos para aproximar a produção acadêmica do mercado e ampliar a viabilidade comercial de novas tecnologias. A proposta dialoga com a Estratégia Nacional de Economia Azul (ENAZUL), coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que busca estimular setores emergentes de maior valor agregado, como a biotecnologia marinha e as energias oceânicas.

O professor também ressaltou o papel do Green Rio na aproximação entre a sociedade e a cultura oceânica. O evento reuniu cientistas, militares, representantes do poder público e da iniciativa privada em um momento de mobilização internacional em pleno ciclo da Década do Oceano da ONU.

"Não existe sustentabilidade sem um oceano limpo, saudável e próspero. Esse debate é fundamental para preparar a sociedade fluminense para a Conferência dos Oceanos da ONU, que o Rio sediará em 2027", concluiu.

Sobre Thauan Santos

Professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN) e coordenador do Grupo Economia do Mar (GEM). É pós-doutor em Economia Azul pelo Center for the Blue Economy (EUA) e doutor em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ.

Sobre o Green Rio

Realizado desde 2012, o Green Rio chega à sua 14ª edição como plataforma de bioeconomia, inovação e negócios sustentáveis da América Latina. O evento reúne lideranças empresariais, pesquisadores, startups, representantes de órgãos governamentais e da sociedade civil para debater a transição ecológica, a inovação no campo e o fortalecimento da Economia Azul e da preservação dos oceanos.

Daniela Calcia

Formada em cinema e jornalismo. Também trabalha como assessora de imprensa, locutora e repórter de TV.

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