AC24horas
04/11/2026 14:26

“Não podemos esperar outra mulher morrer”, diz Zé Lopes sobre assassinato de médica

O vereador Zé Lopes (Republicanos) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Rio Branco, nesta quarta-feira (4), para prestar uma homenagem à médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros na noite de segunda-feira (2), em Brasiléia, no interior do Acre. Durante o pronunciamento, o parlamentar pediu aos demais vereadores que fizessem um minuto de silêncio em memória da profissional de saúde, cuja morte provocou comoção e indignação em todo o estado.

Ao solicitar a homenagem, Zé Lopes lamentou a violência do crime e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão da médica. O vereador destacou que o assassinato representa mais uma perda provocada pela violência contra a mulher e reforçou a necessidade de medidas efetivas para impedir que casos semelhantes continuem acontecendo.

“A morte prematura e cruel da médica Elyne de Assis Nogueira nos causa profunda indignação. Minha solidariedade à família e aos amigos. Que Deus conforte seus corações”, declarou.

Após o minuto de silêncio, o parlamentar aproveitou o pronunciamento para cobrar o fortalecimento das políticas públicas de prevenção à violência doméstica e voltou a defender a criação da Secretaria Municipal da Mulher em Rio Branco.

Vereador cobra ações para evitar novos feminicídios

Zé Lopes afirmou que o poder público não pode limitar sua atuação às manifestações de solidariedade após crimes de violência contra mulheres. Segundo ele, é necessário identificar situações de risco e garantir que as vítimas tenham acesso à proteção antes que as agressões resultem em consequências irreversíveis.

“Não podemos esperar que outra mulher perca a vida para fortalecer as políticas públicas de prevenção à violência. O feminicídio é, muitas vezes, precedido por ameaças, agressões e pedidos de socorro. É nesse momento que o poder público precisa agir”, afirmou.

O parlamentar ressaltou que o enfrentamento da violência doméstica exige uma rede estruturada de atendimento, com profissionais capacitados, acompanhamento das vítimas e mecanismos capazes de interromper o ciclo de agressões.

Para ele, a criação de uma secretaria específica permitiria concentrar esforços, organizar políticas públicas e ampliar o atendimento às mulheres em situação de vulnerabilidade.“É por isso que volto aqui à tribuna para pedir, mais uma vez, a criação da Secretaria da Mulher”, reforçou.

Zé Lopes destaca lei de prevenção à violência doméstica

Durante o discurso, o vereador também relembrou iniciativas apresentadas por seu mandato na Câmara Municipal, entre elas o projeto que deu origem à Lei Municipal nº 2.616/2025.

Segundo Zé Lopes, a proposta foi recebida por ele no Tribunal de Justiça do Acre e posteriormente apresentada ao Legislativo, onde recebeu aprovação unânime dos vereadores. A legislação estabelece ações de prevenção à violência doméstica, incluindo a criação de grupos reflexivos destinados a autores de agressões, com o objetivo de estimular mudanças de comportamento e reduzir a reincidência.

O parlamentar destacou que a medida busca atuar também sobre as causas da violência, promovendo ações educativas e de conscientização para evitar novas agressões.

Parlamentar reconhece propostas de outros vereadores

Zé Lopes também fez questão de reconhecer o trabalho de outros integrantes da Câmara Municipal que apresentaram propostas voltadas à proteção das mulheres. Entre os parlamentares mencionados está a vereadora Elzinha Mendonça, que atua na defesa dos direitos das mulheres e também apresentou uma proposta para a criação da Secretaria Municipal da Mulher.

O vereador destacou ainda a iniciativa de Bruno Moraes, autor de um projeto que prevê a reserva de oportunidades de trabalho para mulheres vítimas de violência doméstica.

Na avaliação de Zé Lopes, a independência financeira é um instrumento importante para permitir que mulheres em situação de violência consigam romper relações abusivas e reconstruir suas vidas.

Outro parlamentar citado foi Leôncio Castro, que apresentou uma proposta de auxílio-aluguel para mulheres vítimas de violência, medida destinada a oferecer condições para que elas possam deixar o ambiente onde sofrem agressões.

Ao mencionar as iniciativas, Zé Lopes ressaltou que o enfrentamento da violência contra a mulher deve ser uma responsabilidade coletiva do Legislativo e do Executivo municipal.

Nova gestão é oportunidade para criar a Secretaria da Mulher

O vereador também direcionou um apelo ao prefeito Alysson Bestene (Progressistas), defendendo que a criação da Secretaria Municipal da Mulher seja incluída entre as prioridades da atual administração.

Segundo Zé Lopes, o novo momento administrativo vivido por Rio Branco representa uma oportunidade para estruturar uma política permanente de proteção às mulheres, com orçamento próprio, equipes especializadas e ações de prevenção e acolhimento.“Rio Branco vive um novo momento administrativo, sob a gestão do prefeito Alysson Bestene. E essa reorganização representa uma oportunidade importante para transformar a criação da Secretaria da Mulher em uma prioridade”, destacou.

O parlamentar defendeu que a futura estrutura municipal tenha condições de desenvolver campanhas educativas, fortalecer a rede de atendimento, acompanhar mulheres em situação de risco e articular ações com outras instituições.

“Precisamos ampliar essa luta com estrutura, orçamento e profissionais preparados para atuar na prevenção, no acolhimento e na proteção das mulheres”, afirmou.

“Não basta aprovar leis”, afirma Zé Lopes

Ao encerrar o pronunciamento, Zé Lopes ressaltou que a aprovação de projetos pelo Legislativo precisa ser acompanhada de medidas administrativas capazes de garantir sua aplicação.

O vereador reforçou o pedido para que o prefeito Alysson Bestene priorize a implantação da Secretaria da Mulher e assegure condições para que as políticas de enfrentamento à violência cheguem às pessoas que mais precisam.“Não basta aprovar leis. Precisamos garantir que elas sejam cumpridas e que a proteção chegue a quem mais precisa”, declarou.

Para o parlamentar, a homenagem à médica Elyne de Assis Nogueira deve ir além do minuto de silêncio realizado na Câmara Municipal e servir como um chamado à adoção de medidas concretas de prevenção à violência.“Que a dor da perda de tantas outras mulheres se transforme em ações concretas. Porque a melhor homenagem que podemos prestar às mulheres que perderam suas vidas para a violência é trabalhar para que outras não tenham o mesmo destino”, concluiu.

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