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04/11/2026 14:31

Derrota nas eleições legislativas nos EUA expõe Trump a investigações e enfraquece governo

Mundo

Trump já sinalizou que pretende enfrentar eventuais iniciativas legislativas dos democratas com seu poder de veto. Na terça-feira, publicou uma imagem de seu tradicional boné vermelho com a palavra "VETO" bordada

Por Agência Estado

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Atualizado às 11:47, 04/11/2026 | Publicado às 09:15, 04/11/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump Crédito: BLAKE FAGAN / AFP

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As derrotas dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos deixaram o presidente norte-americano, Donald Trump, diante da perspectiva de investigações conduzidas pelos democratas e de possíveis processos de impeachment nos dois últimos anos de seu governo. Com o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, a oposição ganha instrumentos para limitar a agenda da Casa Branca, bloquear nomeações e intensificar a fiscalização sobre o Executivo.

O resultado remete ao primeiro mandato de Trump, quando os democratas assumiram a Câmara em 2018 e posteriormente abriram dois processos de impeachment contra ele. Desta vez, a maioria também no Senado amplia o poder da oposição para barrar indicações ao gabinete e a cargos vitalícios no Judiciário federal.

Entre os principais alvos de eventuais investigações estão os negócios da família Trump, a condução do caso Jeffrey Epstein pelo governo e suspeitas de corrupção envolvendo empresas privadas e integrantes do governo. O controle das comissões parlamentares dará aos democratas mais recursos e poder para exigir documentos e depoimentos.

A Casa Branca, por sua vez, poderá recorrer à estratégia do primeiro mandato, quando resistiu a solicitações do Congresso e invocou o privilégio do Executivo.

Trump já sinalizou que pretende enfrentar eventuais iniciativas legislativas dos democratas com seu poder de veto. Na terça-feira, publicou uma imagem de seu tradicional boné vermelho com a palavra "VETO" bordada.

O presidente havia apostado na própria popularidade para mobilizar eleitores republicanos, pedindo que imaginassem seu nome na cédula. A estratégia, porém, acabou transformando a votação em um julgamento de seu governo, marcado pela pressão sobre o custo de vida após a guerra contra o Irã e pela política de tarifas comerciais.

Em entrevista à Fox News exibida nesta quarta-feira, Trump atribuiu as derrotas aos candidatos republicanos e elogiou a campanha adversária. Os democratas "fizeram um bom trabalho", afirmou. "Não vejo isso como um golpe contra mim."

A AP Voter Poll mostrou que cerca de dois terços dos eleitores avaliam que as políticas de Trump pioraram a economia americana, ante aproximadamente três em cada dez que enxergam melhora. Proporção semelhante considera que suas tarifas prejudicaram a economia nacional ou local. Mais da metade dos entrevistados questionou a liderança, as prioridades e a capacidade do presidente de governar. Para cerca de seis em dez, Trump prioriza interesses pessoais acima dos do país.

A derrota republicana foi ampla. Na Câmara, os democratas conquistaram distritos vencidos por Trump em 2024 por margens de até 18 pontos porcentuais. No Senado, ganharam pelo menos sete cadeiras, em Kansas, Iowa, Texas, Ohio, Maine e nas Carolinas do Norte e do Sul.

Candidatos apoiados pessoalmente pelo presidente sofreram reveses. No Texas, o republicano Ken Paxton, que já enfrentou impeachment por acusações de corrupção, perdeu para o democrata James Talarico. Na Carolina do Norte, Michael Whatley foi derrotado por Roy Cooper. Na Carolina do Sul, Darline Graham perdeu para Annie Andrews.

No Kansas, o democrata Adam Hamilton derrotou o republicano Roger Marshall. Em Iowa, Josh Turek venceu Ashley Hinson. Já no Texas, a democrata Gina Hinojosa desbancou o governador Greg Abbott, aliado de Trump. Após a derrota, o presidente culpou Abbott e o chamou de "RINO", expressão depreciativa para "republicano apenas no nome".

As derrotas reduzem o capital político de Trump dentro e fora dos EUA e tendem a acelerar a disputa pela sucessão presidencial no Partido Republicano. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

Veja mapa de apuração da disputa pelo Congresso dos EUA:

Nesse pleito também são definidos os governadores de pelo menos 36 dos 50 estados americanos. Estados importantes como Geórgia, Michigan e Alasca tem seus governadores definidos.

Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes estão em disputa.

Para eleger os deputados, são contabilizados os votos distritais simples, com cada estado sendo dividido por distritos. Cada distrito elege um deputado, sendo validado pela maioria na região, quem tem maioria recebe todos os votos.

No Senado, estavam jogo 35 das 100 cadeiras, um terço das cadeiras. Das vagas, 33 vem do calendário regular de eleição, e duas, dos senadores que deixaram o cargo antes do termino do mandato. Marco Rubio, que era senador pela Flórida, deixou o cargo para assumir o Departamento de Estado, e JD Vance, eleito senador por Ohio, deixou a cadeira para assumir a vice-presidência dos EUA.

Para o resultado, os votos do Senado são contabilizados separadamente por cada estado, semelhante as eleições brasileiras. Votos diretos nos candidatos. No Senado, em tese, a maioria é composta por quem tiver 51 senadores. 

Impacto para o Brasil

As midterms também podem alterar o enredo de embate entre Brasil e Estados Unidos. O fortalecimento da oposição tende a diminuir a liberdade do Executivo americano em relação ao governo brasileiro, incluindo a decisão de impor ou negociar altas tarifas comerciais e adotar posturas de confronto.

As eleições ocorreram na terça-feira, 3, mas era possível votar de forma antecipada, via correios. Segundo informações oficiais, pelo menos 20 milhões de pessoas votaram antecipadamente para as midterms.

Para chegar ao resultado oficial pode levar até uma semana depois do inicio da apuração, mas alguns resultados já tem sido anunciados desde a terça-feira, 3.

A definição nas urnas deve influenciar diretamente, e de forma antecipada, as eleições de 2028, que é quando os americanos irão decidir um representante para o cargo de presidente.

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