Funcionário da TIM é preso em Jacarepaguá suspeito de repassar dados de clientes a golpistas
Um funcionário da TIM foi preso nesta quarta-feira (4), em Jacarepaguá, suspeito de usar o acesso aos sistemas da operadora para repassar dados de clientes a uma quadrilha especializada em golpes. Segundo a Polícia Civil, Wilian Aliano seria responsável por transferir números de telefone de vítimas para outros chips, procedimento conhecido como SIM swap. A irmã dele, Yasmin Aliano, também foi presa na capital fluminense.
As prisões fazem parte da Operação Chave Mestra, conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Até a publicação da reportagem, cinco pessoas haviam sido presas. A ação também foi realizada em Goiás, Paraná e no Distrito Federal.
De acordo com os investigadores, cerca de 120 linhas telefônicas foram comprometidas. As informações obtidas por meio do acesso aos sistemas da operadora eram repassadas a integrantes da quadrilha que atuavam em outros estados.
Com a transferência do número para outro chip, os criminosos conseguiam receber códigos de autenticação enviados por SMS, acessar contas vinculadas ao telefone e redefinir senhas. O mecanismo permitia que os integrantes do grupo assumissem o controle de contas pessoais e corporativas.
Investigação começou após invasão a conta bancária
As investigações começaram em dezembro de 2025, após a identificação de uma invasão à conta corporativa de um funcionário de um banco público de fomento no Rio Grande do Sul.
Segundo a delegada Isadora Galian, responsável pelo caso, os criminosos conseguiram redefinir a senha do e-mail funcional da vítima. Como o telefone celular era utilizado na segunda etapa de autenticação, o grupo conseguiu avançar para acessos mais privilegiados no sistema bancário.
Os suspeitos chegaram a tentar realizar saques, mas a movimentação foi impedida, de acordo com a polícia.
Wilian e Yasmin foram levados para a sede da Polícia Civil, no Centro do Rio. Os dois devem responder, segundo os investigadores, por invasão de dispositivo informático, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas previstas para os crimes podem ultrapassar 20 anos de prisão.
Polícia investiga manipulação de mandados de prisão
Além dos golpes envolvendo contas bancárias e números de telefone, a polícia apura se a quadrilha oferecia um serviço clandestino para dificultar a localização de mandados de prisão no Banco Nacional de Mandados de Prisão.
Segundo os investigadores, os registros não eram apagados do sistema. A suspeita é de que os criminosos alterassem critérios de pesquisa, como o nome da pessoa procurada, para impedir que os mandados aparecessem nas consultas.
Um novo inquérito foi aberto para investigar como funcionava essa parte do esquema.
Em nota, a TIM afirmou que repudia qualquer prática ilícita e que adota padrões rigorosos de ética, integridade e segurança em suas operações. A empresa também declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Jornalista de gastronomia, cultura e cidade. Movida por histórias que nascem no cotidiano.
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