O Tempo
04/11/2026 16:30

Disputa opõe Alcolumbre, Marinho e Tereza Cristina

BRASÍLIA - A disputa pela presidência do Senado Federal, marcada para 1º de fevereiro de 2027, já movimenta os bastidores do Congresso Nacional e expõe divergências entre parlamentares da oposição e partidos de centro. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula a reeleição, enquanto os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que são aliados, buscam consolidar candidaturas alternativas. O resultado das eleições de outubro, que alterou significativamente a composição do Senado, acrescentou um novo elemento às negociações.

Leia também:  PL lança candidatura de Rogério Marinho à Presidência do Senado

O principal impasse está na tentativa de unificar a oposição em torno de um único candidato para enfrentar Alcolumbre. Embora Marinho e Tereza Cristina tenham manifestado interesse em disputar o cargo, os dois afirmam que mantêm conversas para evitar uma concorrência direta que cause divisão no grupo em que conversam. Ao mesmo tempo, a ampliação da bancada do PL e o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à recondução de Alcolumbre colocam em evidência o papel dos partidos de centro na definição do próximo comando da Casa.

Rogério Marinho busca consolidar candidatura com apoio do PL

Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho foi lançado nesta quarta-feira (4/11) pela bancada do PL como candidato à presidência da Casa. A candidatura também conta com o apoio do Novo e integra a estratégia do partido de ampliar sua influência sobre a condução dos trabalhos legislativos a partir de 2027.

Marinho defende uma atuação mais firme do Senado na fiscalização do Executivo e do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as bandeiras apresentadas pelo parlamentar estão a responsabilização de ministros da Corte e a anistia aos condenados pelos atos de oito de janeiro de 2023.

Apesar da candidatura, Marinho precisa ampliar o apoio para além do PL. A legenda terá 29 das 81 cadeiras do Senado na próxima legislatura. Para conquistar a presidência da Casa, são necessários ao menos 41 votos.

Tereza Cristina mantém nome e busca apoio de partidos de centro

A senadora Tereza Cristina também mantém a intenção de concorrer à presidência do Senado. Ex-ministra da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro (PL), ela busca construir uma candidatura capaz de reunir parlamentares ligados ao agronegócio, integrantes da oposição e representantes de partidos de centro.

Nesta terça-feira (3/11), a parlamentar reafirmou que continua na disputa e destacou a possibilidade de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.

"Rogério Marinho e eu conversamos muito sobre esse assunto, até por sermos do mesmo campo. A minha candidatura está mantida e a dele também", declarou a senadora a jornalistas, segundo a Agência Estado.

O principal obstáculo enfrentado por Tereza Cristina está dentro de seu próprio campo partidário. O PP integra uma federação com o União Brasil, partido de Alcolumbre, cuja direção apoia a recondução do atual presidente.

Segundo a "CNN Brasil", uma reunião entre Marinho e Tereza Cristina realizada na semana passada terminou sem acordo sobre a retirada de uma das candidaturas. Apesar disso, Marinho declarou na terça-feira (3/11) que os dois não pretendem disputar o cargo um contra o outro.

Nesta quarta-feira, Marinho voltou a falar em uma possível aliança. "A Tereza tem toda a legitimidade em ser candidata. Nós conversamos hoje, inclusive pela manhã. Ela certamente vai tentar viabilizar a sua candidatura, (...) e em um momento oportuno, pelo acerto entre nós, nós vamos convergir", afirmou. "Nós estamos do mesmo lado, defendemos as mesmas bandeiras", completou.

A possibilidade de uma composição permanece em discussão, incluindo a hipótese de um entendimento para as eleições de 2027 e 2029.

Alcolumbre aposta em alianças com governo e centrão para garantir reeleição

Davi Alcolumbre trabalha para construir uma base de apoio que reúna parlamentares governistas e integrantes de partidos de centro. O senador conta com o respaldo político do presidente Lula e recebeu, em 27 de outubro, o apoio formal da federação formada por União Brasil e PP.

Em nota conjunta, os presidentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, defenderam a continuidade de Alcolumbre à frente do Senado, sob o argumento de que sua permanência contribuiria para a estabilidade institucional e o diálogo entre os Poderes. A decisão, entretanto, provocou divergências internas, especialmente diante da candidatura de Tereza Cristina.

A articulação do atual presidente também envolve interlocutores do MDB, PSD e PT. Segundo a "Folha de S.Paulo", Alcolumbre busca apoio até entre parlamentares do PL, apesar da candidatura lançada pela legenda.

A estratégia passa pela negociação de pautas legislativas e pela manutenção do diálogo com diferentes grupos políticos. Como a escolha da presidência do Senado ocorre por votação secreta, os apoios anunciados pelas direções partidárias não garantem que todos os integrantes das bancadas votem no mesmo candidato.

Nova composição do Senado muda o peso das negociações

O resultado das eleições de outubro será determinante para as articulações. O PL terá a maior bancada da Casa, com 29 parlamentares, seguido pelo PT, com dez, e pelo MDB, com oito. Os números consideram as eleições e substituições decorrentes da escolha de senadores para governos estaduais.

A renovação também terá impacto sobre a escolha do presidente da Casa. Das 54 cadeiras disputadas em outubro, 40 serão ocupadas por novos senadores, o equivalente a 74% das vagas em disputa. Apenas 14 parlamentares que tentaram a reeleição conseguiram permanecer no cargo.

A chegada dos novos integrantes exige que os candidatos ampliem as negociações para além dos atuais líderes partidários. O posicionamento de senadores recém-eleitos, especialmente de legendas com representação intermediária, poderá alterar os acordos construídos até fevereiro.

Voto secreto e divisão partidária ampliam incertezas

Outro ponto de divergência é a forma de votação. Rogério Marinho defende que os votos dos senadores sejam públicos, enquanto as regras atuais estabelecem votação secreta para a escolha da Mesa Diretora.

A proposta de abertura do voto integra as discussões do PL e busca dar transparência aos posicionamentos individuais dos parlamentares, evitando que nomes da bancada façam acordos sigilosos com outros candidatos, como Alcolumbre. A eventual mudança, entretanto, dependeria de alteração das regras aplicáveis à eleição.

Com a disputa marcada para fevereiro, as próximas semanas serão dedicadas à definição de alianças, à negociação entre Marinho e Tereza Cristina e à tentativa de Alcolumbre de ampliar os apoios à recondução.

A formação de uma candidatura única da oposição, o posicionamento dos partidos de centro e os votos dos novos senadores permanecem como os principais pontos em aberto na sucessão do comando da Casa.

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