“Bufê de galinhas”: gavião se empanturra em quintal vizinho, ganha peso excessivo e vira caso veterinário de obesidade em aves
Um morador de Roanoke, na Virgínia (Estados Unidos), encontrou um gavião-de-ombros-vermelhos em frente à sua garagem, sem conseguir levantar voo. Sob suspeita de problemas de saúde, a ave foi levada para um hospital de animais silvestres e recebeu um checkup completo.
Veterinários a examinaram em busca de ossos quebrados, envenenamento, problemas neurológicos e perda de visão. Todos os marcadores de saúde estavam normais – menos um. “O diagnóstico: pesando mais de 910 gramas, ela estava gorda demais pra voar!”, detalhou a publicação no Instagram do Southern Virginia Wildlife Center. “Não conseguimos nem apalpar sua quilha por conta da camada pesada de gordura por cima.”
Na foto postada pela clínica, a fêmea aparece deitada de costas sobre uma balança, com a região do peito e da barriga visivelmente inflada.
“É raro que animais selvagens fiquem obesos sem intervenção humana, então como isso aconteceu?”, questiona a legenda. “Nós perguntamos para quem a encontrou se algum dos vizinhos criava galinhas soltas, das quais ela poderia estar se alimentando.”
Depois de um breve período de investigação, o mistério foi resolvido. Uma das casas vizinhas havia percebido que suas galinhas estavam desaparecendo “em uma velocidade alarmante” nas semanas anteriores.
“Essa rainha provavelmente aproveitava o bufê de presas fáceis, comia até se empanturrar e então dormia nas árvores próximas até sentir fome de novo. Assim que as galinhas eram soltas pela manhã, ela devorava outra, e o ciclo se repetia”, especularam os veterinários. “Depois de semanas desse come-dorme, não é à toa que ela tenha ficado gorda demais para voar.”
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Não alimente os pássaros
Apesar do tom bem-humorado, a clínica utilizou o caso como exemplo da capacidade humana de alterar, com ou sem intenção, os hábitos dos animais selvagens.
Em geral, a necessidade de caçar presas bem adaptadas para fugir de predadores impede o consumo excessivo de comida, já que estimula o gasto calórico. Ainda, bichos que perdem a capacidade de voar por sobrepeso ficam vulneráveis a caçadores ou, sem poder caçar, acabam emagrecendo.
Aves são suscetíveis aos mesmos problemas de saúde relacionados à obesidade que os humanos já conhecem: acúmulo de gordura no fígado e nas artérias, lipomas, problemas respiratórios pela compressão dos pulmões e desgaste das articulações, por exemplo.
Embora o gavião não tenha sido alimentado de forma intencional, este problema é comum entre pássaros que vivem próximos a centros urbanos. Mesmo bem-intencionados, os amantes de aves podem oferecer comida imprópria, carregada de calorias e gordura ou com nutrientes incompatíveis com o sistema digestivo aviário.
“A história é engraçada (se você não for uma galinha), mas mostra uma realidade séria: esse é um problema criado por humanos, e poderia ter tido um final mais triste se ela tivesse sido encontrada por um predador”, finaliza a publicação. “Sem voar, ela fica extremamente vulnerável. Moral da história: não alimente animais silvestres.”
O caso também serve de alerta para tutores de pássaros domesticados ou resgatados sobre a importância de manter uma alimentação adequada, similar à disponível no habitat natural, e de estimular o exercício físico. O teste citado pelo hospital – apalpar suavemente a região do osso esterno – é uma boa opção para verificar se a ave está em um peso saudável: deve ser possível sentir o osso da quilha e a presença de músculos e gordura em suas laterais.
*Publicada por Juliana Santos
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