Saúde projeta aumento de até 40% nos casos de dengue com El Nino
O Ministério da Saúde projeta um aumento de 20% a 40% nos casos de dengue entre os próximos meses e início do ano que vem, em razão das mudanças climáticas causadas com o fenômeno El Nino.
O dado estimado foi informado pelo diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira.
“Temos projeções na área de vigilância epidemiológica de arboviroses, o que a gente pode ter, dependendo da região do país, de 20% a 40% de aumento de dengue. Então essa é uma das maiores preocupações que nós estamos nos preparando e ajudando os estados a se prepararem pra isso”, afirmou nesta quarta-feira (4).
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Segundo as projeções, a região Sudeste, que inclui os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espirito Santo, é a que pode ser mais afetada em um pior cenário, com possível aumento de 40% dos casos. Isso porque a região já sofre comumente com alta das temperaturas e ocorrências de fortes chuvas durante os meses de verão, ambiente propicio para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor também da chikungunya.
“É uma combinação do El Nino, que agrava isso, como também com a própria realidade epidemiológica dessa arbovirose dengue”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Em conversa com jornalistas, nesta quarta-feira, Padilha descartou a possibilidade de voltar a disponibilizar, ainda neste ano, a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
Em junho, o imunizante foi suspenso temporariamente após o registros de duas mortes de pessoas que receberam a vacina, além de outros casos adversos, mas ainda sem comprovação de que teriam sido causados pelo imunizante. Os casos seguem sendo investigados por um comitê de especialistas, que a represntantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Ministério da Saúde e do próprio Instituto Butantan.
Por enquanto, o Sistema Único de Saúde ainda oferece a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda.
Padilha afirmou que após a conclusão dos estudos sobre os casos registrados, será feita uma nova avaliação sobre realocar a vacina Butantan no SUS, mas que espera ter no ano que vem o imunizante novamente disponível.
“Acreditamos que ela possa ter um papel no controle da dengue não só no Brasil como no mundo. Os estudos finais vão nos dar clareza sobre quais as condições da utilização dessa vacina”, disse.
Em julho, o Ministério da Saúde emitiu um alerta para estados e municípios sobre o risco de aumento na transmissão de arboviroses devido ao fenômeno El Niño. Projeções do InfoDengue/Fiocruz indicam que o Brasil pode registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.
No mês passado, estudo da Fundação Oswaldo Cruz, apontou que em razão dos efeitos climáticos provocados pelo El Nino, há tendência de uma transmissão progressiva de dengue em direção ao Sul e ao Centro-Oeste do Brasil, historicamente regiões com a menor proliferação do mosquito Aedes aegypti.
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