Gazeta do Povo
04/11/2026 16:34

Trump e Vance admitem impacto da guerra contra o Irã na derrota eleitoral dos republicanos

Em primeira aparição pública após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos EUA, as midterms, o presidente Donald Trump reconheceu o impacto da guerra contra o Irã na derrota eleitoral para os democratas, mas reconheceu a necessidade do conflito, uma vez que pontua que Teerã não poderia desenvolver uma arma nuclear.

“A questão do Irã era algo que precisávamos fazer, e continuamos fazendo”, disse o mandatário a jornalistas, mesmo tentando evitar falar sobre o pleito.

Na noite de ontem, ele já tinha feito esse mesmo reconhecimento nas redes sociais, tendo também culpabilizado parceiros de legenda e reconhecendo que os democratas “fizeram um bom trabalho”.

Outro a admitir o impacto da guerra nos baixos desempenhos eleitorais dos republicanos foi o vice-presidente americano, J.D. Vance, em longa publicação no X, também nesta quarta.

“O motivo da nossa derrota foi a guerra. O próprio presidente disse isso ontem à noite”, escreveu.

Mas diferentemente de Trump, o vice-presidente adotou tom crítico. Disse aos seus correligionários que apoiam o conflito que "se você quiser argumentar que valeu a pena [a guerra], que perder o Senado pelos próximos 6 anos valeu a pena, então faça isso. Argumente que foi um preço que valeu a pena pagar", disse.

"Para aqueles que estão furiosos e querem dizer 'Eu avisei': vocês têm razão, vocês nos avisaram. Usem essa energia para eleger republicanos que compartilhem da sua visão de mundo. Para aqueles que estão simplesmente revoltados com os resultados, vocês têm todo o direito de estar. Vamos canalizar essa raiva e voltar ao trabalho de salvar o nosso país", completou sua mensagem no X.

O vice-presidente americano havia se destacado como um dos integrantes da gestão federal que se mostravam menos favoráveis ao conflito com os iranianos. Mesmo assim, meses depois, assumiu o papel público de negociador com o regime dos aiatolás, em tentativas fracassadas.

Guerra é impopular nos EUA

Como mostrou a Gazeta do Povo, a guerra foi um fator crucial para os eleitores neste pleito. De acordo com uma pesquisa de boca de urna feita pela emissora NBC, 74% afirmaram que o conflito foi um fator crucial, 62% votaram nos democratas e 35% votaram nos republicanos.

Isso porque a escalada contra Teerã provocou o aumento nos preços do petróleo e do gás; de acordo com a AAA (Associação Americana de Automobilismo), o preço médio da gasolina nos Estados Unidos chegou ao valor recorde de US$ 4,15 por galão no dia da eleição, superando o registrado em 2022, ano em que a inflação no país, sob a administração de Joe Biden, atingiu o maior patamar em 40 anos.

A mensagem publicada por Vance em que reconhece os efeitos da guerra na eleição recebeu o elogio de figuras republicanas, incluindo o de Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente, que republicou a análise
do vice com um comentário "Cada palavra disso é 100, 100, 100".

Em sua longa postagem, Vance afirma que, apesar dos resultados ruins, “nossos eleitores compareceram". "Mas o principal problema não é a participação. O principal problema é que muitas pessoas que votaram em Trump/Vance em 2024 votaram nos democratas em 2026", reconhece.

Citando um pesquisador de opinião de confiança, cujo nome não foi divulgado, ele apresentou quatro pontos que fariam com que os eleitores voltassem a votar em seu partido: acabar com a guerra, focar no custo de vida, colocar os “Estados Unidos em primeiro lugar” e mudar a relação dos EUA com Israel.

Iranianos celebraram derrota de Trump

Mais cedo, integrantes do governo e do Judiciário do Irã se demonstraram satisfeitos com a derrota republicana nas midterms. O líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, afirmou que a derrota do presidente americano e de seus aliados representa a "consequência do descrédito que os próprios arrogantes causaram a si mesmos", mas descartou que a vitória democrata mude a política entre ambas as nações que estão em guerra desde fevereiro.

"Se ainda há quem mantenha alguma esperança em uma mudança de comportamento ou nas alternâncias entre partidos e facções dentro do sistema de dominação, ou acredite que mediante concessões aos Estados Unidos pode fazer com que abandonem sua inimizade com a nação iraniana, está profundamente enganado", afirmou Khamenei.

Nas redes sociais, o presidente do Parlamento e chefe negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os americanos votaram "não à guerra" com o apoio aos democratas nas eleições de meio de mandato.

"Por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem. Se o governo dos EUA trair a vontade popular para servir a financiadores e chantagistas internacionais, aprenderá que nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo", publicou no X o presidente do Parlamento do Irã e chefe negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf.

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