Copom mantém Selic em 13,75% e sequência de cortes chega ao fim
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu interromper a sequência de cortes na taxa básica de juros, iniciada em março deste ano, e manteve a Selic em 13,75% ao ano na reunião realizada nesta quarta-feira (4/11). A decisão já era aguardada pelo mercado financeiro.
Por um lado, os especialistas do Copom reconheceram que a economia brasileira dá sinais de desaceleração (o que permitiria uma redução na Selic), mas por outro observaram possíveis impactos por conta do prolongamento da guerra entre Estados Unidos e Irã, que interfere no preço do petróleo e outros produtos fundamentais.
"O ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", argumenta o Copom.
"O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", completa o comitê.
Inflação
A inflação preocupa o Copom, mesmo que o resultado do mês passado tenha ficado abaixo do esperado pelo mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro desacelerou para 0,32%, após marcar 0,7% em setembro, graças a uma queda dos preços das passagens aéreas e da energia elétrica (que passou a contar com a bandeira verde). No acumulado de 12 meses, o indicador está em 4,62%.
"As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se adicionalmente em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente", escreveu o Copom, demonstrando apreensão sobre o futuro da inflação no país, que tende a ficar bem acima da meta de 3%.
Repercussão
Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a manutenção dos juros em patamar elevado prolonga os custos para o setor produtivo, dificulta a retomada dos investimentos e compromete a competitividade da indústria brasileira.
O presidente da entidade, Flávio Roscoe, afirma que é fundamental um equilíbrio nas contas públicas do governo federal para que o Copom faça cortes na Selic. "A manutenção de uma política fiscal expansionista, associada à adoção de medidas de curto prazo de caráter populista e à ampliação de estímulos ao crédito, inclusive para públicos com maior risco de inadimplência, sem uma sinalização consistente de ajuste das contas públicas, tende a sustentar artificialmente a demanda, elevar os prêmios de risco e dificultar o processo de desinflação".
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, afirmou que o crédito caro é prejudicial para o comércio. Segundo ele, a manutenção da taxa prolonga as dificuldades para empresas e consumidores, justamente na preparação para a Black Friday e para o Natal. “Entendemos a preocupação com o controle da inflação, mas é preciso considerar os efeitos dos juros elevados sobre a economia. Uma redução gradual e responsável da Selic seria importante para melhorar as condições de crédito, estimular o consumo e dar mais fôlego às empresas”, argumenta.
O que é a taxa Selic?
É a taxa básica de juros do Brasil, definida por um comitê de especialistas do Banco Central. Seja no crédito para fazer um empréstimo ou tomar um financiamento no banco, ao preço de mercadorias importadas e ao mercado de trabalho, a taxa Selic exerce importante influência sobre uma série de variáveis no dia a dia de todas as pessoas. É um instrumento para conter o consumo e, consequentemente, a inflação do país.
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