Como fica a situação de Flávio após derrota de Trump no Congresso? Entenda
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos torna o cenário político americano mais desfavorável para o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Durante o CNN 360º desta quarta-feira (4), o analista de Política Pedro Venceslau destacou que, mesmo antes das eleições, já havia pressão significativa contra a permanência dos Bolsonaro nos Estados Unidos. A hashtag #DeportTheBolsonaros chegou a ser uma das mais compartilhadas na rede X (antigo Twitter).
“Depois dessa vitória dos democratas no Senado e na Câmara, segundo os especialistas, a situação de Flávio Bolsonaro se complica nos Estados Unidos”, afirmou o analista.
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Embora decisões sobre vistos e outras medidas executivas do mesmo gênero sejam historicamente atribuições do Executivo, mais especificamente do Departamento de Estado e, portanto, do próprio Donald Trump, o novo equilíbrio de forças no Congresso muda o cálculo político.
Com os democratas no comando da Câmara e do Senado, ficará mais difícil para Trump tomar qualquer decisão favorável a Flávio Bolsonaro, como estender sua permanência nos Estados Unidos por mais de um ano, conceder um green card ou mesmo conferir a ele o mesmo status diplomático dado a Eduardo Bolsonaro.
Isso porque os democratas agora podem aumentar a pressão sobre o Executivo e o Departamento de Estado, e solicitar investigações para apurar eventual participação da Casa Branca na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Venceslau acrescentou que também haverá questionamentos sobre a autorização da permanência de Flávio no país: “Que Donald Trump não explicou muito bem o motivo, disse que era um motivo humanitário”, afirmou.
Perda de acesso e de valor diplomático
Venceslau ouviu especialistas sobre o tema, entre eles Laerte Apolinário, professor de Relações Internacionais da PUC-SP e da FAAP. Segundo Apolinário, a vitória democrata foi “muito negativa para o Flávio devido ao timing”.
“Com democratas no comando da Câmara e do Senado, segundo ele, Flávio e Eduardo Bolsonaro perdem acesso aos canais institucionais que vinham tendo. Eles frequentavam o Capitólio e tinham acesso aos republicanos que comandavam as duas casas ou com interlocutores deles”, destacou Venceslau, citando o professor.
Apolinário destacou ainda que, embora Trump continue controlando sanções, tarifas e vistos, ele dispõe de muito menos capital político do que tinha antes da derrota eleitoral.
Por isso, de acordo com o professor, Trump deve adotar uma postura mais pragmática em relação ao governo Lula e dar menos espaço para a ala ideológica da Casa Branca, comandada por Marco Rubio. “Isso reduz, segundo ele, o valor de Flávio como ativo diplomático“, concluiu Venceslau.
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