"Já estava na hora": eleitores democratas celebram os resultados das midterms nos EUA
Após dois anos de controle republicano da Casa Branca e do Congresso, os resultados dos democratas superaram suas expectativas mais otimistas
Por AFP
Notícia
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Atualizado às 21:28, 04/11/2026 | Publicado às 19:15, 04/11/2026
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Eleitores democratas comemoravam nesta quarta-feira, 4, em todos os Estados Unidos, os resultados das eleições de meio de mandato, que superaram suas expectativas mais otimistas.
Após dois anos de controle republicano da Casa Branca e do Congresso, muitos descreveram uma sensação de euforia, embora também se perguntassem se aqueles que acabaram de eleger seriam capazes de cumprir suas promessas.
Eleição nos EUA: Michigan
"Acho que foi extraordinário, já estava na hora", declarou à AFP o instrutor de armas Dexter Mitchell, de 55 anos, no centro de Detroit, ao mencionar o impacto do custo de vida e do preço da gasolina.
Michigan, que apoiou o presidente Donald Trump em 2024, elegeu os democratas Abdul El-Sayed, o primeiro senador muçulmano do país, e Jocelyn Benson para o governo estadual.
A campanha de El-Sayed foi bastante acirrada depois que os republicanos o acusaram repetidamente de ter vínculos com jihadistas.
"Sei que muitas pessoas pediram que ele condenasse os Irmãos (Muçulmanos)", disse Mitchell, um afro-americano.
"Por que não pedimos ao Partido Republicano, nem a nenhum outro partido, que denuncie os grupos de ódio, que denuncie a Ku Klux Klan, que denuncie o nacionalismo branco?", questionou.
Eleição nos EUA: Maine
No Maine, o democrata Troy Jackson derrotou a republicana Susan Collins, senadora desde 1997, cujo apelo entre independentes e democratas foi diminuindo à medida que aumentava a distância entre seu discurso moderado e seu histórico de votações.
Os direitos reprodutivos estiveram em primeiro plano para muitos eleitores: os votos de Collins a favor da confirmação de juízes conservadores durante o primeiro mandato de Trump foram um fator determinante para a derrubada, em 2022, da decisão do caso Roe contra Wade, que garantia o direito ao aborto em âmbito nacional.
"Ela está lá há 30 anos e, no passado, enfrentou adversários bastante fracos. Este foi o mais forte que encontrou na era pós-Roe contra Wade", disse Sean Banks, gerente de banco de 33 anos em Portland.
"Quase não dormi na noite passada. Acordei hoje sentindo uma renovada sensação de esperança, felicidade e leveza", contou Emma Dutremble, de 26 anos, que trabalha com vendas. "Hoje, realmente me sinto orgulhosa de ser americana."
Jackson entrou tardiamente na disputa, depois que a candidatura do produtor de ostras Graham Platner chegou ao fim em meio a acusações de agressão sexual.
"Meu voto foi muito mais contra Susan do que a favor de Troy Jackson", admitiu Dutremble.
Eleição nos EUA: Texas
O Texas protagonizou algumas das maiores surpresas da noite, com a eleição do senador James Talarico e da governadora Gina Hinojosa, que estão prestes a se tornar os primeiros democratas a ocupar esses cargos desde a década de 1990.
Hinojosa, que derrotou o republicano Greg Abbott, no cargo havia três mandatos, será a primeira governadora latina do Texas.
"Estou chocado, cara, mas realmente acredito que as pessoas querem uma mudança", disse Waseem Limbada, empresário de Dallas que costumava votar no Partido Republicano, mas ficou decepcionado com a legenda.
"Simplesmente já não parece que nosso governo nos representa, e as pessoas estão muito insatisfeitas com isso", explicou Evan Fisher, trabalhador do setor financeiro.
"Não dá para fazer campanha defendendo uma coisa e depois fazer exatamente o contrário. 'Não às guerras no exterior' e, depois, descobrimos que vamos entrar em guerra", acrescentou.
Eleição nos EUA: Washington
A capital americana não tem status de estado e elege um delegado sem direito a voto no Congresso, o que torna essa votação essencialmente simbólica.
Mas Washington foi afetada pelas ações do governo, que incluíram patrulhas da Guarda Nacional, uma tentativa de mudar o nome do Kennedy Center e pressões sobre a prefeita para que rebatizasse a praça Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
"Estou me sentindo incrível. Este é um dia extraordinário, estou muito feliz, nas nuvens neste momento, conversando com as pessoas no metrô", disse, entusiasmada, Liliana Covington, assistente executiva de 33 anos.
Mas, como os democratas não conseguiram uma maioria qualificada capaz de bloquear vetos, o estudante de direito Ben Neyer adota uma postura mais cautelosa.
"Tenho dificuldade em acreditar que eles realmente terão tanta influência. Teremos pessoas capazes de promover mudanças, mas, até que os resultados comecem a aparecer e as coisas efetivamente mudem, continuo um pouco cético", admitiu.
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