Semana após 2º turno teve mais denúncias de assédio que toda eleição em MG
MG recebeu 262 novas denúncias de assédio eleitoral nos cinco dias após o 2º turno, superando 212 registros acumulados até o dia da votação

Belo Horizonte — As denúncias de assédio eleitoral em Minas Gerais mais que dobraram na semana seguinte ao segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro. Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) obtidos pelo Metrópoles mostram que os registros no estado saltaram de 212, contabilizados até o dia da votação, para 474 no balanço consolidado até a última sexta-feira (30/10).
O aumento registrado pelo órgão na semana seguinte ao segundo turno foi de 123,6%, em meio à escalada de boicotes políticos, ameaças de demissão e relatos de retaliação contra trabalhadores por suas posições políticas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O crescimento também foi registrado em todo o país. No mesmo período, o número de denúncias recebidas pelo MPT passou de 1.937 para 4.136, uma alta de 113,5%. Isso significa que, em apenas cinco dias, o órgão recebeu 2.199 novos registros, dos quais 262 foram em Minas Gerais.
Até o 2 º turno x semana seguinte
- Acre: 10 → 10
- Alagoas: 49 → 86
- Amapá: 13 → 32
- Amazonas: 31 → 40
- Bahia: 87 → 133
- Ceará: 59 → 110
- Distrito Federal: 78 → 149
- Espírito Santo: 39 → 75
- Goiás: 74 → 155
- Maranhão: 37 → 55
- Mato Grosso: 66 → 142
- Mato Grosso do Sul: 35 → 90
- Minas Gerais: 212 → 474
- Pará: 64 → 149
- Paraíba: 50 → 93
- Paraná: 140 → 398
- Pernambuco: 69 → 126
- Piauí: 33 → 58
- Rio de Janeiro: 169 → 307
- Rio Grande do Norte: 42 → 70
- Rio Grande do Sul: 89 → 287
- Rondônia: 11 → 28
- Roraima: 5 → 7
- Santa Catarina: 77 → 211
- São Paulo: 350 → 782
- Sergipe: 34 → 51
- Tocantins: 14 → 18
Minas aparece como o segundo estado com mais denúncias, atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 782 registros. Na sequência estão Paraná (398), Rio de Janeiro (307) e Rio Grande do Sul (287).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
BH lidera casos
Belo Horizonte concentra o maior número de denúncias de assédio eleitoral em Minas Gerais, com 117 registros. A capital é seguida por Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com 37 casos, e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, com 24.
Patos de Minas, no Alto Paranaíba, aparece na quarta posição, com 22 denúncias, enquanto Betim, na Região Metropolitana de BH, completa a lista das cinco cidades com mais registros, com 16.
- Belo Horizonte: 117
- Uberlândia: 37
- Governador Valadares: 24
- Patos de Minas: 22
- Betim: 16
- Bom Despacho: 15
- Montes Claros: 11
- Ubá: 10
- Paracatu: 9
- Carmópolis de Minas: 8
Boicotes e ameaças após as eleições
A disparada das denúncias ocorre em meio a uma onda de retaliações políticas registrada após a reeleição de Lula. Em cidades mineiras, listas de estabelecimentos comerciais identificados como apoiadores do petista passaram a circular nas redes sociais, incentivando boicotes. Também surgiram vídeos de empresários defendendo a demissão de trabalhadores por suas preferências políticas.
A situação provocou divergências até entre lideranças da direita. Enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apoiou boicotes a estabelecimentos, o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o presidente do PL em Minas, deputado Zé Vitor, criticaram a prática e defenderam o fim das perseguições políticas.
Em Conceição do Mato Dentro, na Região Central de Minas, a controvérsia chegou à administração municipal. O prefeito Otacílio Costa (PSB) anunciou a exoneração de um secretário após episódios envolvendo incentivos a boicotes contra comerciantes.
Empresas foram parar na Justiça por pressão eleitoral
Durante a campanha eleitoral, o MPT também precisou recorrer à Justiça para interromper práticas consideradas potencialmente abusivas em empresas mineiras.
Em Bom Despacho, no Centro-Oeste do estado, uma fábrica de calçados foi alvo de ação civil pública após denúncia sobre a realização de um ato de campanha eleitoral dentro da empresa, antes do primeiro turno. A Justiça do Trabalho concedeu liminar determinando a interrupção de atividades político-eleitorais nas dependências da fábrica.
Em Belo Horizonte, uma empresa do setor de locações e transportes foi acionada judicialmente após divulgar uma promessa de folga aos empregados condicionada à vitória de um candidato à Presidência da República.
O caso ganhou um novo capítulo quando, após receber uma recomendação para retirar a publicação das redes sociais, os responsáveis responderam ao MPT com a frase: “O crime compensa”.
A Justiça determinou a remoção do conteúdo e proibiu novas condutas destinadas a influenciar a escolha política dos trabalhadores.
Outra situação ocorreu em Capinópolis, no Triângulo Mineiro. Funcionários de um mercado foram orientados a substituir o uniforme vermelho habitual por camisetas da Seleção Brasileira durante o fim de semana do primeiro turno.
O MPT tentou solucionar o caso por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), mas a proposta foi recusada pela empresa. O órgão recorreu à Justiça, que concedeu uma decisão de urgência para impedir novas interferências na liberdade política dos empregados.
Já em Monsenhor Paulo, no Sul de Minas, uma investigação identificou indícios de atividade político-eleitoral dentro de uma siderúrgica, incluindo a presença de um candidato, visitas a setores da empresa e distribuição de material de campanha.
Durante a apuração, trabalhadores relataram medo de colaborar formalmente com a investigação por receio de represálias. A Justiça determinou medidas de proteção à liberdade de voto e a criação de canais internos para denúncias.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
