Marinha amplia vigilância de área rica em minerais críticos no mar
A Marinha do Brasil ampliou sua capacidade de vigilância no Atlântico Sul com a ativação de um centro internacional de informações voltado à identificação de embarcações suspeitas, combate a atividades ilícitas e proteção de recursos naturais. A iniciativa também busca reforçar a segurança de rotas comerciais e instalações estratégicas em uma região que concentra reservas de petróleo, gás e minerais críticos.
Inaugurado na terça-feira (3), no Rio de Janeiro, o Centro Internacional de Fusão de Informações (IFC Atlântico Sul) será responsável por reunir e analisar dados de diferentes instituições brasileiras e estrangeiras para identificar possíveis ameaças às atividades marítimas.
Segundo a Marinha, o novo centro terá como área de interesse aproximadamente 40,3 milhões de quilômetros quadrados do Atlântico Sul, abrangendo águas internacionais e regiões marítimas de diferentes países. Desse total, cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados correspondem à chamada Amazônia Azul, área marítima de interesse estratégico brasileiro que concentra recursos naturais, rotas comerciais e instalações essenciais à economia nacional.
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O centro funcionará nas instalações do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz) e contará com a colaboração de marinhas estrangeiras, guardas costeiras, órgãos governamentais e empresas.
Na prática, a estrutura permitirá cruzar informações de diferentes fontes para identificar comportamentos atípicos de embarcações, possíveis atividades ilegais e riscos à segurança marítima. Os dados poderão auxiliar o planejamento de operações com navios, aeronaves e equipes de fiscalização.
A iniciativa também poderá contribuir para a identificação de movimentações associadas a pesquisas não autorizadas ou outras atividades clandestinas.
“O IFC Atlântico Sul produzirá boletins periódicos, relatórios, estudos analíticos e análise sistemática do ambiente marítimo do Atlântico Sul, de forma a compartilhar todas essas informações com os parceiros estratégicos nacionais e internacionais”, afirmou o contra-almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, primeiro diretor do centro.
A proposta é fortalecer a cooperação internacional e permitir que informações sobre possíveis ameaças sejam compartilhadas com maior rapidez entre os países envolvidos.
A iniciativa também conta com a aproximação da União Europeia. Em outubro, a Marinha assinou um memorando de entendimento com o programa europeu EUCRIMARIO, voltado ao fortalecimento da cooperação e do intercâmbio de informações sobre segurança marítima.
Proteção de recursos estratégicos
Entre os interesses brasileiros no Atlântico Sul estão as reservas de petróleo e gás, as rotas de exportação de mercadorias, os recursos pesqueiros e o potencial mineral do fundo do oceano.
Uma das regiões de maior relevância estratégica é a Elevação do Rio Grande, formação submarina localizada a cerca de 1.200 quilômetros da costa brasileira, onde já foram identificadas ocorrências de cobalto, níquel, platina e terras raras.
A região já foi palco de episódios envolvendo embarcações estrangeiras. Em 2023, uma fragata brasileira abordou um navio de pesquisa de bandeira alemã que pretendia coletar amostras do subsolo marinho sem autorização do governo brasileiro.
Na ocasião, a Marinha determinou a interrupção das atividades, e a embarcação deixou a região.
Mais recentemente, entre agosto e setembro deste ano, a instituição realizou a Operação Sentinela, que mobilizou navios e aeronaves militares para reforçar a presença brasileira na Elevação do Rio Grande.
A região também integra uma proposta apresentada pelo Brasil à Organização das Nações Unidas (ONU) para ampliar os limites de sua plataforma continental e assegurar o reconhecimento de direitos sobre recursos naturais do leito e do subsolo marinhos.
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