EUA Após derrota, Trump aposta no veto para enfrentar Congresso
EUA
Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado

Folha de S.Paulo | 05/11/2026 às 4h00
Trump chegou a dizer que poderá ser chamado de "Senhor Veto" | Foto: — Divulgação
Depois de reconhecer a derrota de seu partido nas eleições de meio de mandato, Donald Trump já sinalizou qual será sua principal arma política para os dois últimos anos de mandato: o poder de veto presidencial. Em entrevistas concedidas após a divulgação dos resultados, o presidente afirmou que aceita o veredito das urnas, parabenizou os democratas pela vitória e chegou a dizer que poderá ser chamado de "Senhor Veto".
Em uma mudança de tom incomum para alguém que até hoje se recusa a reconhecer sua derrota na eleição presidencial de 2020, Trump declarou ao jornal The New York Times que está "totalmente disposto a aceitar esses resultados". À emissora Fox News, ele repetiu que trabalhará com os democratas e elogiou o desempenho da oposição nas urnas, embora tenha destacado diversas vezes que continua dispondo de um instrumento poderoso para frear a agenda do Congresso.
A derrota republicana foi ampla. Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, inclusive em estados tradicionalmente conservadores, como Texas e Kansas. Ainda assim, Trump rejeita a ideia de que o resultado represente uma rejeição direta a seu governo.
"Não considero que isso tenha sido direcionado contra mim", afirmou à Fox News. "Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com folga", escreveu em sua rede social, Truth Social.
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O presidente admitiu que a guerra contra o Irã, impopular entre o eleitorado, contribuiu "em parte" para o resultado das urnas, mas insistiu que a população compreenderá a importância do conflito.
Com os democratas no controle das duas Casas do Congresso, Trump terá mais dificuldade para transformar suas prioridades em lei. Por outro lado, pela Constituição dos Estados Unidos, o presidente pode rejeitar projetos aprovados pelo Legislativo. Na prática, o republicano poderá bloquear propostas de oposição que considere contrárias a seus interesses políticos ou ideológicos, o que deve dificultar a aprovação da agenda adversária.
Para derrubar um veto presidencial, deputados e senadores precisam reunir uma maioria qualificada de dois terços em cada uma das Casas, objetivo difícil de alcançar mesmo quando um partido controla o Legislativo.
Com os resultados nas urnas, os democratas passam a ter também instrumentos importantes de fiscalização. A partir de janeiro de 2027, o novo Congresso poderá convocar integrantes da administração para prestar depoimentos, abrir investigações parlamentares sobre decisões do governo e ampliar o controle sobre os gastos federais.
A mudança de maioria reduz significativamente a influência de Trump sobre futuras nomeações para a Suprema Corte. Caso uma vaga seja aberta entre os nove juízes vitalícios da mais alta instância judicial do país, a confirmação de um indicado dependerá do aval de um Senado controlado pelos democratas.
Apesar dessas limitações, o presidente mantém amplo espaço de atuação em áreas como política externa e defesa. Segundo observadores em Washington, Trump poderia insistir em uma escalada militar contra o Irã, mesmo após uma eleição em que o conflito apareceu como um dos principais fatores de desgaste para os republicanos.
À medida que os resultados chegavam na noite de terça-feira (3) mostrando que os republicanos sofriam derrotas generalizadas nas eleições de meio de mandato, o presidente Donald Trump rapidamente tentou se eximir da culpa, afirmando que a surra ocorreu porque seu nome não estava na cédula.
"Eu não estava na cédula", disse Trump em entrevista ao New York Times na noite de terça, antes do encerramento da votação em algumas partes do país. "E, como eu não estava na chapa, não conseguimos levar gente suficiente às urnas."
Quase com a mesma rapidez, os republicanos começaram a apontar o dedo de volta para o presidente.
Disseram que a perda do controle do partido tanto na Câmara quanto no Senado —seu pior desempenho em eleições de meio de mandato em décadas— foi resultado direto de uma série de decisões tomadas pelo presidente no ano que antecedeu o pleito.
Citaram as políticas tarifárias de Trump. Apontaram sua decisão de levar o país a uma guerra impopular no Irã, que elevou os preços. E questionaram seu instinto político, argumentando que ele havia colocado em risco as chances do partido ao apoiar candidatos fracos e fazer uma turnê pouco convincente nas últimas semanas de campanha.
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