RORAINÓPOLISDelegado é investigado por suspeita de ordenar tortura de preso Inquérito apura agressões praticadas por quatro detentos dentro da delegacia; imagens das câmeras de segurança não foram recuperadas
O delegado da Polícia Civil, Rick da Silva e Silva, é alvo de um inquérito policial que apura a suspeita de ele ter ordenado agressões contra um homem que estava sob custódia na Delegacia de Polícia Civil de Rorainópolis. V.F.S., teria sido espancado por outros quatro detentos em fevereiro de 2025.
Conforme documentos que a reportagem teve acesso, V.F.S. foi conduzido à delegacia em 23 de fevereiro de 2025, sob suspeita de estupro. Na tarde do dia seguinte, ele teria sido agredido por quatro homens que também estavam presos na unidade por envolvimento com tráfico de drogas.
Em depoimento prestado ao Ministério Público, a vítima afirmou que os detentos pediram desculpas após as agressões e disseram que teriam agido por ordem do delegado. Na ocasião, V.F.S. também relatou que o episódio foi registrado por uma câmera de monitoramento instalada dentro da cela.
O caso apresenta um elemento que chamou a atenção durante a apuração: as imagens do circuito interno não foram recuperadas. Em resposta a uma solicitação do Ministério Público, a Delegacia de Rorainópolis informou, em janeiro de 2026, que não conseguiu obter os registros dos dias 23 e 24 de fevereiro de 2025 devido ao tempo transcorrido desde a ocorrência.
Investigação
O Ministério Público começou a apurar o caso após receber as declarações em outubro de 2025. A investigação também levou em consideração um exame de lesões corporais realizado no dia das agressões, que apontou edema e eritema na região frontal lateral.
O relato da vítima indica ainda que ele estava em recuperação de um acidente de trabalho e possuía costelas fraturadas antes de ser agredido na unidade policial.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou ao Ministério Público que não havia procedimento administrativo anterior específico sobre o episódio. Diante disso, em setembro de 2026, foi determinada a abertura de uma sindicância investigativa para verificar a existência de elementos que justifiquem outras medidas disciplinares.
Além da apuração administrativa, a Seção Criminal da Corregedoria recebeu determinação para instaurar um inquérito policial específico sobre a suspeita de tortura. O procedimento foi formalizado em outubro deste ano.
A investigação também busca esclarecer a possível participação dos policiais que estavam de plantão nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2025, especialmente em relação à eventual omissão diante das agressões.
A vítima chegou a ser intimada para prestar novos esclarecimentos à Corregedoria no dia 28 de outubro deste ano. No entanto, conforme certidão anexada aos autos, a oitiva não foi realizada em razão de demandas urgentes da Seção Criminal.
O delegado Rick da Silva e Silva já é citado em outras investigações e denúncias envolvendo a atuação dele em Roraima. Entre os casos estão suspeitas de abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e prevaricação. Ele também foi preso em abril deste ano durante uma operação que apurou a morte de um casal em Rorainópolis, por suspeita de envolvimento em irregularidades na investigação do crime. Em outubro, voltou a ser alvo de uma denúncia do Ministério Público por supostas ameaças a um adolescente e injúria racial contra um policial. Os casos são distintos e ainda dependem de apuração da Justiça.
Procurada pela reportagem a Polícia Civil de Roraima informou que instaurou o inquérito policial para apurar os fatos relacionados e que no âmbito administrativo, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil também instaurou uma sindicância investigativa para apurar rigorosamente as circunstâncias do caso e a eventual responsabilidade funcional dos servidores envolvidos.
A instituição esclarece que ambos os procedimentos (criminal e administrativo) estão em andamento e tramitam sob sigilo legal. Por essa razão, não serão divulgados detalhes adicionais neste momento, visando resguardar a integridade, a lisura e a eficácia das investigações.
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