Qual será o tema da redação do Enem 2026? Saiba como se preparar
Tecnologia, meio ambiente e inclusão estão entre os temas centrais da preparação; professor ensina a estruturar repertórios, analisar a coletânea e evitar falhas no dia da prova
Notícia
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Publicado às 06:00, 05/11/2026
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Resumo
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Professor de redação destaca três eixos temáticos - tecnologia, meio ambiente e inclusão - como guias para os estudos da redação do Enem 2026. Ele enfatiza a importância da estrutura textual, repertório sociocultural e leitura atenta dos textos motivadores, além de orientações para a proposta de intervenção e a reta final.
Mas quais assuntos podem aparecer na prova e como se preparar sem tentar adivinhar o tema? Em entrevista ao O POVO, o professor de redação Paulo Alves, que leciona para turmas do 1º e do 2º ano do ensino médio, aponta três eixos para acompanhar e reúne orientações práticas para a produção textual.
Confira as dicas para organizar os estudos antes do exame.
Qual pode ser o tema da redação do Enem 2026?
O tema da redação do Enem 2026 não pode ser previsto com certeza. O assunto é mantido em sigilo e só será conhecido pelos candidatos no primeiro dia de aplicação, em 8 de novembro.
Por isso, em vez de apostar em uma única possibilidade, a orientação é estudar diferentes eixos temáticos e construir repertórios que possam ser adaptados à proposta apresentada.
Para Paulo Alves, a preparação ao longo do ano deve envolver discussões sobre assuntos variados, acompanhadas de referências que ajudem a sustentar os argumentos. O professor destaca, ainda, que o domínio da estrutura do texto é indispensável antes mesmo da escolha dos repertórios.
“Cada parágrafo é, por si só, um microtexto, pois tem começo, meio e fim”, explica. Segundo ele, o estudante precisa compreender a função da introdução, do desenvolvimento e da conclusão, além de saber organizar as ideias dentro de cada parágrafo.
Entre os assuntos que merecem atenção na preparação, o professor destaca três eixos: tecnologia, meio ambiente e inclusão.
Tecnologia e inteligência artificial
A expansão da inteligência artificial (IA) e as mudanças provocadas pelas ferramentas digitais na sociedade colocam a tecnologia entre os assuntos que podem orientar discussões na redação. O tema permite abordar transformações nas relações sociais, no trabalho e na circulação de informações.
Para construir argumentos, Paulo Alves sugere recorrer a referências históricas, como as Revoluções Industriais, e ao pensamento de Pierre Lévy, especialmente suas reflexões sobre cibercultura.
Essas referências podem ajudar o candidato a relacionar as transformações tecnológicas atuais a mudanças ocorridas em outros períodos.
A recomendação é não apenas memorizar nomes de autores ou acontecimentos, mas compreender como essas referências podem ser utilizadas para explicar o problema apresentado na proposta.
Meio ambiente e os desafios climáticos
As questões ambientais também aparecem entre os eixos indicados pelo professor. Ondas de calor no Rio de Janeiro e enchentes no Rio Grande do Sul são exemplos de acontecimentos que podem servir de ponto de partida para discussões sobre mudanças climáticas, impactos ambientais e responsabilidade coletiva.
Como repertório, Alves sugere a obra “Ética Ambiental”, de Peter Singer. Ele também indica uma abordagem histórica, relacionando a exploração de recursos naturais à Revolução Industrial e à extração do pau-brasil durante o Período Colonial.
A proposta é ampliar a análise para além dos acontecimentos recentes, identificando processos históricos e sociais que ajudem a explicar os problemas ambientais. Dessa forma, o estudante consegue desenvolver argumentos com diferentes perspectivas.
Inclusão e combate ao preconceito
O terceiro eixo apontado por Paulo Alves é a inclusão. O assunto permite discutir as dificuldades enfrentadas por diferentes grupos para acessar oportunidades nos campos do trabalho, da educação e do esporte.
O professor recomenda utilizar como repertório a organização social de Esparta, na Grécia Antiga, em que crianças deficientes eram submetidas a práticas de exclusão, além do conceito de estigma, desenvolvido pelo sociólogo Erving Goffman.
A partir dessas referências, o candidato pode discutir como preconceitos e barreiras sociais dificultam a participação de determinados grupos. O tema também permite abordar a responsabilidade do poder público e da sociedade na construção de ambientes mais acessíveis e inclusivos.
Como organizar os estudos para a redação do Enem?
Além de acompanhar os possíveis eixos temáticos, o estudante precisa desenvolver uma estratégia para escrever dentro do tempo disponível. Para Alves, a redação exige não apenas conhecimento, mas também resistência e organização durante a prova.
O professor recomenda que o candidato tenha uma estrutura textual bem assimilada e mantenha um conjunto de repertórios organizado por eixos. Isso pode facilitar a escolha dos argumentos e reduzir o tempo gasto para estruturar o texto no dia do exame.
Na aplicação, uma possibilidade é começar pela redação, fazer um rascunho e, depois, avançar para as questões objetivas. O estudante deve, porém, reservar um período para passar o texto a limpo e revisar o que escreveu.
É preciso enfatizar a importância de passar o texto a limpo, pois o candidato é o primeiro corretor do texto dele.
Paulo Alves
Professor de redação
Textos motivadores ajudam a interpretar a proposta
Outro cuidado destacado por Alves é a leitura atenta dos textos motivadores. Segundo ele, esses materiais não aparecem na prova por acaso: funcionam como referência para compreender o recorte temático e selecionar argumentos.
O professor cita como exemplo a proposta sobre “Estigmas associados às doenças mentais”, na qual um dos textos de apoio explicava o significado da palavra “estigma”. Ele também menciona o tema sobre comunidades e povos tradicionais, em que os materiais apresentavam informações para ajudar os candidatos a identificar os grupos abordados.
Por isso, os textos devem ser utilizados como apoio à interpretação e à construção dos argumentos, e não como conteúdo para reprodução integral. A leitura cuidadosa pode ajudar o estudante a entender exatamente o que a proposta solicita.
Quais erros evitar na proposta de intervenção?
Na competência 5 da redação do Enem, que avalia a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema discutido, um dos erros recorrentes apontados pelo professor é a falta de detalhamento dos elementos que compõem a proposta.
Paulo Alves chama atenção especialmente para a identificação do agente responsável pela ação. Segundo ele, detalhar esse elemento é uma maneira de tornar a intervenção mais clara e completa.
Outro problema frequente são as ações vagas, sem explicação sobre como serão colocadas em prática. Como exemplo, o professor cita uma proposta sobre meio ambiente que se limita a dizer que é necessário “preservar a natureza”.
Para evitar esse tipo de resposta, o candidato precisa explicar o que será feito e de que maneira. A ação pode envolver, por exemplo, fiscalização ou criação de leis específicas, desde que a medida esteja relacionada ao problema discutido e seja apresentada com clareza.
O que fazer na reta final antes do Enem 2026?
Com a proximidade da prova, a orientação é concentrar os esforços na prática e no aperfeiçoamento das habilidades já desenvolvidas. Paulo Alves recomenda que os estudantes escrevam redações sobre possíveis temas, revisem a estrutura textual e retomem os repertórios relacionados aos principais eixos.
O professor também alerta para mudanças bruscas na reta final. Em vez de tentar reformular completamente a maneira de escrever, o candidato deve fortalecer aquilo que trabalhou durante o ano e corrigir pontos que ainda apresentam dificuldade.
A preparação, portanto, deve combinar:
- prática de escrita;
- domínio da estrutura dissertativo-argumentativa;
- repertório sociocultural;
- e leitura dos textos motivadores.
Mais do que tentar descobrir o tema antes da prova, o objetivo é chegar ao exame com condições de desenvolver uma argumentação consistente sobre diferentes assuntos.
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Enem 2026: datas, horários e local de prova
O Enem 2026 será aplicado em dois domingos, nos dias 8 e 15 de novembro, em todo o Brasil. Os horários seguem o horário oficial de Brasília.
No primeiro dia, os participantes farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação. No segundo, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias.
Confira o cronograma:
1º dia — 8 de novembro
- Abertura dos portões: 12h;
- Fechamento dos portões: 13h;
- Início das provas: 13h30;
- Áreas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (45 questões), Ciências Humanas e suas Tecnologias (45 questões) e redação;
- Duração: 5 horas e 30 minutos;
- Término: 19h.
2º dia — 15 de novembro
- Abertura dos portões: 12h;
- Fechamento dos portões: 13h;
- Início das provas: 13h30;
- Áreas: Ciências da Natureza e suas Tecnologias (45 questões) e Matemática e suas Tecnologias (45 questões);
- Duração: 5 horas;
- Término: 18h30.
O Cartão de Confirmação de Inscrição já está disponível para consulta. O documento informa o endereço exato do local de prova e o número da sala em que o candidato fará o exame.
Para acessar, é necessário entrar na Página do Participante do Inep e fazer login com a conta gov.br.
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