Cientistas acham vestígios de sangue em fóssil encontrado na Chapada do Araripe
Descoberta amplia o potencial científico dos fósseis da Chapada do Araripe e abre novas perspectivas sobre a preservação molecular.
Por Samira Salyorania/Especial para O POVO
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Publicado às 14:12, 04/11/2026
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Resumo
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Cientistas identificaram moléculas derivadas do heme e estruturas mineralizadas semelhantes a glóbulos vermelhos em um fóssil de Aratasaurus museunacionali, dinossauro que viveu há cerca de 115 milhões de anos na região da Chapada do Araripe.
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O estudo foi publicado na segunda-feira, 2, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e contou com pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca), do Museu Nacional/UFRJ e de instituições estrangeiras.
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Entre os compostos identificados estão o heme B e a molécula 3,8-dietil heme B. A equipe também comparou os sinais químicos do osso fossilizado com os do sedimento que o envolvia.
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Os pesquisadores ressaltam que não foram encontradas células sanguíneas intactas. As estruturas apresentam semelhanças morfológicas com hemácias, enquanto as análises químicas identificaram moléculas derivadas do heme.
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Encontrado em 2008, em Santana do Cariri, o esqueleto pertence a um dinossauro do grupo dos terópodes. A nova investigação amplia as possibilidades de estudar vestígios biológicos preservados em fósseis.
Cientistas identificaram moléculas derivadas do heme, componente presente na hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no sangue e estruturas mineralizadas semelhantes a glóbulos vermelhos em um fóssil de dinossauro encontrado no Cariri. O animal, da espécie Aratasaurus museunacionali, viveu há cerca de 115 milhões de anos na região onde hoje fica a Chapada do Araripe. O estudo foi publicado na última segunda-feira, 2, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A pesquisa contou com a participação de cientistas da Universidade Regional do Cariri (Urca), do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de instituições estrangeiras, como a Universidade de Curtin, na Austrália. Os resultados ampliam as possibilidades de investigação sobre a preservação de vestígios biológicos em fósseis e permitem estudar características dos animais extintos para além de suas estruturas ósseas.
Entre os compostos identificados estão o heme B e uma molécula derivada, denominada 3,8-dietil heme B. Além das análises químicas, os pesquisadores examinaram estruturas microscópicas mineralizadas semelhantes a hemácias, nome dado aos glóbulos vermelhos. Para verificar a origem dos compostos encontrados, a equipe comparou os sinais químicos presentes no osso fossilizado com aqueles identificados no sedimento que o envolvia. O procedimento ajudou a investigar se as moléculas estavam associadas ao próprio fóssil ou ao ambiente em que o material foi preservado.
Os pesquisadores ressaltam que a descoberta não significa que o fóssil tenha preservado células sanguíneas intactas. As estruturas observadas apresentam semelhanças morfológicas com hemácias, enquanto as análises químicas identificaram moléculas derivadas do heme. A combinação dessas evidências contribui para ampliar o conhecimento sobre os processos de fossilização e os limites da preservação molecular ao longo de milhões de anos.
O esqueleto do Aratasaurus museunacionali foi encontrado em 2008, no município de Santana do Cariri, na região da Chapada do Araripe. A espécie pertence ao grupo dos terópodes, que reúne diferentes dinossauros, incluindo animais carnívoros, e sua identificação contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a fauna que habitou o território brasileiro durante o período Cretáceo.
Em entrevista à rádio O POVO CBN Cariri, o pesquisador da Urca, Renan Bantim, afirmou que a descoberta reforça a relevância dos fósseis do Cariri para a paleontologia mundial.
A nova investigação acrescenta informações moleculares ao estudo do exemplar, permitindo analisar vestígios que não podem ser identificados apenas pela observação dos ossos. Para Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Urca, a colaboração entre instituições brasileiras e estrangeiras permite combinar conhecimentos e técnicas para obter novas informações sobre a história da vida na Terra.
A pesquisa também contou com a participação de Alexander Kellner, pesquisador do Museu Nacional/UFRJ, e Juliana Sayão, uma das autoras do artigo e vice-diretora da instituição. O estudo está vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Paleovertebrados (INCT Paleovert), dedicado à pesquisa de fósseis de vertebrados.
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