Quantos erros de português na redação do Enem podemos cometer?
Uma redação que recebe nota mil no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não precisa ser necessariamente perfeita. Alguns textos com pontuação máxima apresentam erros de grafia, concordância ou outros desvios da norma-padrão. Isso acontece porque o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estabelece uma margem de tolerância para a correção.
De acordo com as orientações destinadas aos corretores, o candidato pode cometer uma quantidade limitada de falhas sem perder pontos na Competência 1, responsável por avaliar o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Para alcançar os 200 pontos nessa competência, são tolerados:
Um erro sintático;
Até dois desvios gramaticais.
O que são erros sintáticos?
Os erros de estrutura sintática estão relacionados à organização das frases e à construção dos períodos. Entre os principais exemplos estão:
Truncamento: quando uma frase fica incompleta ou é interrompida de maneira inadequada;
Justaposição: quando orações são colocadas lado a lado sem a articulação sintática necessária;
Excesso ou ausência de palavras: quando sobram ou faltam elementos que comprometem a construção do período;
Duplicação de elementos sintáticos: quando um mesmo elemento aparece repetido indevidamente na estrutura da frase.
Quais são os desvios gramaticais?
Os desvios gramaticais envolvem erros relacionados às convenções da escrita e às regras da língua portuguesa. Entre eles estão:
Colocação pronominal: como em “isto não torna-se”, quando o correto é “isto não se torna”;
Concordância verbal e nominal;
Regência: como em “Os jovens assistem os filmes pelo celular”, quando o correto é “Os jovens assistem aos filmes pelo celular”;
Tempos e modos verbais;
Pontuação;
Acentuação e ortografia;
Inadequação vocabular e uso de expressões incompatíveis com a linguagem formal.
Para essas ocorrências, a margem de tolerância é um pouco maior: o candidato pode apresentar até dois desvios gramaticais e ainda manter os 200 pontos na Competência 1.
Repetição do mesmo erro conta apenas uma vez
As regras de correção também apresentam particularidades importantes. Se o candidato escrever a mesma palavra incorretamente em diferentes trechos da redação, o problema será contabilizado uma única vez.
Por exemplo, se escrever “objetivo” com a letra G em três momentos do texto, o corretor considerará apenas um desvio, e não três.
Por outro lado, quando o estudante constrói diferentes frases com problemas de estrutura sintática, cada falha é contabilizada separadamente.
Erros em nomes próprios e citações têm tratamento específico
O candidato também não precisa saber escrever corretamente todos os nomes próprios mais difíceis. Se errar a grafia de Rousseau, por exemplo, não perderá pontos por esse motivo. Assim, é possível utilizar referências a pensadores como Nietzsche no repertório sociocultural sem que a grafia de um nome próprio seja motivo de preocupação.
Outra particularidade envolve citações. Se o estudante reproduzir entre aspas um trecho de música ou de livro e trocar uma palavra da versão original, essa alteração não será considerada um desvio gramatical, desde que o sentido seja mantido.
Um exemplo é a frase “O essencial é invisível aos olhos”, de O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. Caso o candidato escreva “O importante é invisível aos olhos”, a substituição não será contabilizada como erro gramatical, conforme a orientação apresentada.
Revisar a redação continua sendo fundamental
Apesar da margem de tolerância, a revisão não deve ser deixada de lado. Quanto maior o número de falhas, maior o risco de perder pontos na Competência 1.
A recomendação é reservar alguns minutos antes de passar o texto a limpo para reler a redação com atenção, palavra por palavra. É importante observar a construção das frases, a concordância, a regência, a pontuação, a acentuação e a ortografia.
Assim, o candidato pode identificar problemas e fazer correções antes de entregar a prova.
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