Exportações do Acre crescem 31% e revelam mudanças na pauta exportadora

O comércio exterior do Acre ganhou novo impulso em 2026. Entre janeiro e setembro, as exportações alcançaram US$ 98,7 milhões, contra US$ 75,2 milhões no mesmo período de 2025, crescimento de 31,3%.
As importações, por sua vez, permaneceram reduzidas e recuaram 2,8%, para US$ 2,9 milhões. Com isso, o saldo da balança comercial atingiu US$ 95,7 milhões, expansão de 32,7%.

Um dado dimensiona bem esse desempenho: em apenas nove meses de 2026, o Acre já exportou 99,8% de tudo o que havia exportado nos doze meses de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 98,8 milhões.
Mas talvez o aspecto mais importante não esteja apenas no crescimento. Os números indicam uma mudança relevante na composição das exportações acreanas.
Carne bovina e castanha puxam o crescimento
O principal destaque foi a carne bovina desossada congelada. As vendas passaram de US$ 10,9 milhões para US$ 28,7 milhões, aumento de aproximadamente 164%. Foram US$ 17,8 milhões adicionais, respondendo, isoladamente, por parcela expressiva do crescimento das exportações.
Nesse caso, ocorreram dois movimentos favoráveis: a quantidade exportada cresceu 125,4%, enquanto o preço médio aumentou 17,3%, passando de aproximadamente US$ 4,54 para US$ 5,33 por quilo.
A castanha também apresentou desempenho excepcional. As exportações de castanha com casca cresceram de US$ 8,8 milhões para US$ 19,2 milhões, alta de 118%. O resultado decorreu principalmente do volume: a quantidade exportada aumentou 172%, apesar da redução de aproximadamente 20% no preço médio.
Já a castanha sem casca passou de US$ 1,0 milhão para US$ 5,0 milhões, crescimento próximo de 380%, acompanhado por expansão semelhante da quantidade exportada.
Há aqui um aspecto importante para o debate sobre agregação de valor. Em 2026, a castanha sem casca alcançou preço médio próximo de US$ 10,87/kg, diante de US$ 2,20/kg da castanha com casca.

Os três primeiros produtos acrescentaram, conjuntamente, cerca de US$ 32,2 milhões às exportações. O valor supera o crescimento líquido de US$ 23,5 milhões porque houve retração em outros itens da pauta.
A soja perdeu espaço
A soja seguiu importante, mas apresentou trajetória diferente. As exportações diminuíram de US$ 20,3 milhões para US$ 18,5 milhões, queda de 9%.
A quantidade exportada recuou aproximadamente 17%, enquanto o preço médio aumentou 9,7%. Portanto, a redução ocorreu essencialmente pelo menor volume comercializado, sendo parcialmente compensada pela melhoria dos preços.
Essa combinação alterou o peso relativo dos principais produtos. Carnes e miudezas alcançaram US$ 47 milhões; os produtos do grupo da castanha, US$ 24,2 milhões; e a soja, US$ 18,5 milhões.
Juntos, esses três grandes grupos responderam por aproximadamente 91% das exportações acreanas no período. O crescimento, portanto, veio acompanhado de maior concentração da pauta, questão que merece atenção.
Mudam também os mercados
Outro movimento importante ocorreu nos destinos das mercadorias.

A América do Sul permaneceu como principal mercado, mas chama atenção o avanço da Europa, do Oriente Médio e da América do Norte. Em sentido contrário, diminuíram as vendas para a Ásia, excluído o Oriente Médio, e para a África.
Uma nova configuração das exportações?
Os números dos nove primeiros meses mostram que 2026 deverá estabelecer um novo patamar para as exportações acreanas. Mais importante, entretanto, é compreender como esse crescimento está ocorrendo.
A expansão está sendo liderada principalmente pela carne bovina e pela castanha, enquanto a soja perdeu participação. Também há mudanças nos mercados compradores, com maior presença da Europa, do Oriente Médio e da América do Norte.
Os resultados são positivos, mas deixam uma questão para o desenvolvimento econômico do estado. O desafio não é somente exportar mais. É ampliar mercados, diversificar a pauta e, principalmente, agregar valor à produção antes que ela deixe o Acre.
O exemplo da castanha é ilustrativo: enquanto a castanha com casca foi comercializada, em média, por cerca de US$ 2,20 o quilo, a castanha beneficiada alcançou aproximadamente US$ 10,87.
É nessa direção que o crescimento das exportações pode produzir efeitos mais duradouros sobre renda, emprego e desenvolvimento da economia acreana.
Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas
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