Esportes05 de novembro de 2026Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria de Portugal: “Não foi uma decisão fácil”
Redação Tribuna do Norte • 05 de novembro de 2026 • 08h20

Cristiano Ronaldo anunciou sua aposentadoria da Seleção Portuguesa. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (5), o atacante, de 41 anos, comunicou sua decisão de encerrar sua trajetória pela seleção após 23 anos. Cristiano deixa os Lusos após 233 jogos e 146 gols, sendo o jogador com mais partidas e jogos com a camisa da equipe nacional.
“Não foi uma decisão fácil. Porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração. Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre”, explicou o jogador.
Cristiano Ronaldo anunciou sua saída da seleção de Portugal após uma série de desentendimentos com o técnico Jorge Jesus. A crise começou no fim de setembro, quando o atacante ficou no banco de reservas durante a vitória sobre a Noruega. Insatisfeito, o jogador deixou a concentração no dia 30 de setembro, após declarações do treinador sobre sua autoridade nas decisões da equipe.
Dias depois, Cristiano Ronaldo acusou o técnico de descumprir acordos sobre sua participação nas partidas, mas posteriormente pediu desculpas por deixar a concentração e afirmou que continuava disponível para defender Portugal. O episódio resultou em uma suspensão de 30 dias e multa de 255 euros (cerca de R$ 1,4 mil), aplicadas pela Federação Portuguesa de Futebol.
Além de recordes com a camisa da Seleção Portuguesa, Cristiano também participou de títulos marcantes com a equipe principal: a Eurocopa de 2016 e a Liga das Nações de 2018-19 e 2024-25, sendo capitão em todas as conquistas.
Confira o comunicado de Cristiano Ronaldo na íntegra:
Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisola 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para os estádios no mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro.
Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração. Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus.
Vejo pessoas. Vejo imigrantes que durante 90 minutos sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida.
Porque no fim de tudo, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas. Durante toda a minha carreira na seleção procurei superar os meus limites.
Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe.
E dei tudo o que tinha por esta camisola. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custa recordar.
Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam.
Mas nunca desisti. E acima de tudo nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal. Ao longo destes anos aprendi coisas muito simples.
Os golos passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos.
Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar, o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez vos fiz feliz, se alguma vez um golo meu vos fez abraçar alguém, esquecer uma preocupação ou sentir orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena.
Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, levantamos juntos. Acreditamos outra vez.
Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistem, de novas gerações que acreditem que é possível chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si próprio. Aos meus companheiros da seleção quero deixar uma palavra especial.
Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo, por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão. Mas um capitão caminha sozinho.
E vocês fazem parte da minha história. A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalham comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias.
Mas sem vocês, nenhuma dessas fotografias teria sido possível. À minha família, obrigado por terem dividido comigo este sonho. Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve de ocupar um espaço que também vos pertencia.
Se cheguei tão longe, foi porque estivemos sempre da mão dada. E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer-vos uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo.
O momento em que começa o hino nacional. Olho à minha volta, vejo os meus companheiros, vejo as bancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E durante aqueles minutos deixamos de ser diferentes.
Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão. Portugal.
É esse sentimento que levarei comigo para o resto da vida. Hoje termino a minha caminhada dentro de campo com a seleção nacional, saio de cabeça levantada com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês.
Continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com o si. Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter o merecido de representar o melhor país do mundo.
Obrigado por estes 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me terem permitido viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino na madeira, a correr atrás de uma bola.
Camisola 7 fica. O orgulho de ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.
Até sempre. Cristiano Ronaldo.
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