Fintech da Faria Lima movimentou R$ 1 bilhão em esquema de bets ilegais
De acordo com a PCDF, a instituição financeira e empresa do mesmo grupo são alvos de uma operação contra esquema de apostas clandestinas
05/11/2026 08:43
, atualizado 05/11/2026 08:47

A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto, sediada na Faria Lima, em São Paulo, e empresas do mesmo grupo movimentaram cerca de R$ 1 bilhão em transações financeiras ligadas a um esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A instituição foi um dos alvos da “Operação Azzardo”, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (5/11).
De acordo com a corporação, a empresa era autorizada pelo Banco Central a funcionar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). As investigações mostraram que a fintech funcionava como uma das principais estruturas financeiras utilizadas pelo esquema criminoso.
A A55 ganhou repercussão nacional depois de se envolver em outro episódio relacionados a apostas. A fintech decidiu cancelar, sob a alegação de irregularidades, uma conta utilizada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), para enviar recursos à plataforma de apostas Blaze. A medida foi tomada após a instituição identificar movimentações financeiras atípicas que poderiam indicar lavagem de dinheiro.
O Metrópoles entrou em contato com a fintech, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
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Como funcionava o esquema
Segundo a investigação da Operação Azzardo, os pagamentos feitos por apostadores, por meio do Pix, eram direcionados a diversas contas mantidas na instituição. Depois disso, parte dos valores era transferido para empresas investigadas e plataformas de apostas que operavam sem autorização federal.
A PCDF destacou que a análise financeira identificou movimentações de aproximadamente R$ 1 bilhão envolvendo a instituição e empresas do mesmo grupo. Entre as transações estavam repasses diretos para pessoas jurídicas investigadas e pagamentos relacionados a casas de apostas clandestinas.
Em julho deste ano, o próprio Banco Central do Brasil divulgou publicamente a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech em questão.
Entenda
A operação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), da PCDF, depois de cinco meses de investigação. A ação mobilizou aproximadamente 200 policiais civis para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em cinco estados: São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.


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Os criminosos tinham uma estrutura organizada para movimentar o dinheiro
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A Justiça determinou o bloqueio de R$ 3,48 bilhões
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A ação ostensiva mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e pesadas medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede investigada pela exploração de apostas ilegais de quota fixa e lavagem de capitais
Material cedido ao Metrópoles
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Só uma fintech de SP movimentou R$ 1 bi
Material cedido ao Metrópoles
De acordo com a polícia, os responsáveis pelo esquema utilizavam dezenas de empresas de fachada para receber pagamentos de apostadores e dificultar o rastreamento do dinheiro. Algumas estavam registradas como estabelecimentos comerciais sem qualquer ligação com o setor de apostas. Em Sobradinho, por exemplo, havia empresas que declaravam atividades de assistência psicossocial e comércio de artigos de tarô.
Outra ação que também chamou a atenção dos policiais foi realizada em Ceilândia. Os investigadores encontraram dez empresas que utilizavam o mesmo número de telefone corporativo e estavam registradas em um único lote. Segundo a PCDF, as empresas foram constituídas principalmente entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia.
Diante dos indícios identificados, o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões dos investigados. A decisão também estabeleceu a suspensão dos registros de 100 empresas e proibiu os envolvidos de abrir novas contas bancárias pelo período de 90 dias.
A Justiça autorizou ainda o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Os investigados poderão responder por crimes cujas penas, somadas, podem chegar a 33 anos de prisão.
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