Data centers em SP podem limitar envio de energia ao Sul, aponta ONS
A expansão de data centers em São Paulo poderá restringir a transferência de energia para o Sul e aumentar a necessidade de geração na própria região, especialmente nos períodos de maior consumo, aponta o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). A avaliação consta do Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo (PAR/PEL), para o ciclo de 2027 a 2031.
Segundo o relatório, a entrada de grandes consumidores tende a esgotar os recursos disponíveis para controlar a tensão e intensificar os fluxos na rede de transmissão paulista. Esses efeitos impactam a capacidade máxima de envio de energia do subsistema Sudeste/Centro-Oeste para o Sul. O tomo de São Paulo mostra que o aumento desse intercâmbio piora o perfil de tensão da malha analisada.
Em uma simulação para o verão de 2031, com carga máxima noturna e recebimento de 12.500 megawatts (MW) pelo Sul, o ONS identificou tensão abaixo do limite inferior nas subestações Fernão Dias e Campinas. Nesse cenário, as restrições aparecem mesmo com a rede completa, sem depender da ocorrência de falhas.
O diagnóstico acompanha a expansão das solicitações de conexão. Até setembro de 2026, o operador registrava 212 projetos de data centers na área São Paulo, com cerca de 17,8 gigawatts (GW) de potência solicitada, considerando as redes de transmissão e distribuição.
Na Rede Básica, 38 projetos já haviam sido viabilizados, totalizando 4.289 MW. A relação inclui empreendimentos em diferentes estágios: dois, com 223 MW, estavam em operação comercial, enquanto 23, com 2.767 MW, tinham contratos de uso da transmissão celebrados. Os demais tinham acesso considerado viável ou estavam no âmbito da primeira temporada da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast).
O ONS ressalta que parcela significativa da potência solicitada ainda não está refletida nos casos de estudo publicados. Na avaliação dos grandes consumidores, foram representados apenas os novos consumidores e data centers com contratos de uso da transmissão assinados ou pareceres de acesso viáveis.
“Torna-se necessária a avaliação de soluções adicionais que considerem, de forma integrada, as necessidades de atendimento ao Sul e os impactos decorrentes do crescimento da carga na área São Paulo”, afirma o relatório. O operador prevê aprofundar a análise do impacto dessas cargas sobre o recebimento pelo Sul no próximo ciclo do PAR/PEL, em 2027.
As restrições na rede já levaram à recusa de pedidos de conexão. Como mostrou a CNN, o CEO da CPFL Energia, Gustavo Estrella, afirmou em outubro que a companhia negou solicitações de data centers que somavam cerca de 8 GW. O executivo atribuiu a dificuldade principalmente à transmissão e reconheceu que parte dos pedidos tinha caráter especulativo.
Em agosto, Estrella havia informado que o consumo de eletricidade dos data centers na área de concessão da CPFL cresceu 35,8% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
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