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05/11/2026 09:13

Projeto de “Arco do Triunfo” de Trump enfrenta votação e ações judiciais

A votação final para aprovar o arco triunfal proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (5), deve dar início a uma nova rodada de disputas jurídicas, à medida que se intensificam, nos tribunais, os esforços para impedir sua construção.

Espera-se que a Comissão de Planejamento da Capital Nacional (National Capital Planning Commission) — um dos dois órgãos federais que supervisionam alterações arquitetônicas e de design em Washington — dê sinal verde ao monumento de aproximadamente 76 metros de altura durante sua reunião desta tarde.

A administração Trump afirmou que a construção poderá começar ainda hoje.

A aprovação pela comissão — composta majoritariamente por aliados nomeados por Trump — representaria a etapa final para viabilizar, de forma acelerada, um dos projetos centrais do presidente em sua tentativa de remodelar a paisagem de Washington.

Monumento de arco planejado por Donald Trump perto do Cemitério de Arlington, em Washington
Monumento de arco planejado por Donald Trump perto do Cemitério de Arlington, em Washington • US Commission of Fine Arts/Reprodução Via CNN

A Casa Branca tem pressa em avançar com a iniciativa antes que um novo Congresso, sob controle democrata, assuma o poder em janeiro.

Trump declarou que o objetivo é concluir o arco antes de deixar o cargo, daqui a dois anos.

No entanto, esse cronograma agressivo provavelmente será complicado por contestações judiciais, incluindo um processo de grande repercussão movido por veteranos e defensores da preservação histórica.

Os opositores argumentam que a escala e a localização do projeto prejudicariam a linha de visão de uma série de marcos nacionais — que inclui o Memorial Lincoln, a Arlington House e o Memorial Robert E. Lee — e que o monumento imponente quebraria a solenidade dos funerais realizados no Cemitério Nacional de Arlington.

Eles sustentam que o projeto é ilegal por não contar com a aprovação do Congresso, baseando-se na Lei de Obras Comemorativas (“Commemorative Works Act”), que exige autorização do Legislativo para a instalação de novos monumentos em Washington.

Na quarta-feira (4), a juíza federal Tanya Chutkan — nomeada durante o governo Obama e responsável pelo caso — determinou que ela seja informada, no prazo de uma hora, sobre qualquer decisão tomada pela comissão de planejamento.

A administração também deve notificar o tribunal com 30 minutos de antecedência antes de qualquer medida relacionada à construção.

Contudo, a ordem judicial, em sua formulação atual, não impede explicitamente o início das obras; além disso, a administração Trump já demonstrou, no passado, capacidade de contornar restrições impostas pela Justiça para levar adiante suas ações.

Espera-se que críticos compareçam à reunião para manifestar publicamente sua oposição à aprovação, e um protesto está planejado para ocorrer antes do início da sessão da comissão de planejamento.

No entanto, antes da reunião, o presidente da comissão declarou que votará a favor da aprovação do projeto, classificando-o como um “esforço histórico” por parte de Trump.

Um empreendimento pessoal de um presidente

O arco é apenas um exemplo dos esforços do presidente para deixar um legado em Washington, D.C.

Projetos de construção e renovação por toda a cidade — desde o espelho d’água do Memorial Lincoln até o Kennedy Center — tiveram grande destaque em seu segundo mandato; algo que seus críticos classificaram como “projetos de vaidade”.

No entanto, em sua primeira aparição pública na quarta-feira (4) — após uma derrota eleitoral acachapante de seu partido nas Eleições de Meio de Mandato —, o presidente começou celebrando o progresso na construção de outro empreendimento de grande repercussão: o salão de festas da Casa Branca.

Em outubro do ano passado, enquanto estava no Salão Oval — na mesma época em que a proposta de seu arco triunfal surgiu pela primeira vez —, Trump apresentou diferentes maquetes da estrutura, idealizada para ser o maior arco do mundo.

Ao ser questionado por um repórter sobre a quem o arco seria dedicado, Trump apontou para si mesmo e disse: “A mim”.

Mais tarde, o presidente afirmou que a construção celebrará o aniversário de 250 anos da nação, o espírito americano, as Forças Armadas dos EUA e a “competência” americana.

Mais recentemente, ele argumentou que o arco, localizado em uma rotatória movimentada perto do rio Potomac, serviria tanto como atração turística quanto como um complexo militar para armazenar drones e munição.

Embora os planos finais submetidos à comissão de planejamento para aprovação nesta quinta-feira (5) não incluíssem os componentes militares descritos por Trump, autoridades do governo afirmaram que tais elementos não exigiriam modificações estruturais e poderiam ser totalmente integrados ao projeto existente.

O governo já estabeleceu um plano de construção ambicioso, que prevê dois turnos diários de 10 horas, permitindo que os trabalhos ocorram praticamente 24 horas por dia.

Na semana passada, a juíza federal Tanya Chutkan perguntou a um advogado do governo: “Qual é o prejuízo para o governo em esperar três ou quatro meses? Por que tanta pressa para erguer este arco?”. Ela questionou se o principal desejo do presidente seria “impressionar a cidade”.

Trump afirmou claramente que deseja que seu arco rivalize com o famoso Arco do Triunfo, em Paris, na França.

“O mais bonito é o de Paris, o Arco do Triunfo. É lindo, grande. O nosso será maior e mais bonito”, disse ele.

Efeitos adversos

Em um relatório divulgado pelo Serviço Nacional de Parques em agosto, a administração reconheceu que o arco teria efeitos “adversos” em até 42 locais históricos, sendo os mais graves concentrados em seis pontos próximos à estrutura.

Entre eles estão o Cemitério Nacional de Arlington, o corredor do Memorial a Lincoln e a Arlington House — um memorial a Robert E. Lee que inclui a residência onde ele viveu antes de liderar o exército confederado.

Entre os efeitos adversos sobre marcos locais, o relatório constatou que o arco alteraria a “continuidade do design” de cenários icônicos de Washington, além de modificar a visibilidade de monumentos ao redor.

Uma vez concluído, o arco poderá ser visto de diversos pontos, incluindo o Capitólio dos EUA, a orla de Georgetown e o Pentágono.

O NPS (Serviço Nacional de Parques) informou que avaliou alternativas — como um arco menor, a mudança de local, a não realização da obra ou a eliminação das estátuas propostas para o topo.

No entanto, nenhuma dessas opções foi adotada, pois resultariam em “impactos maiores a propriedades históricas ou não atenderiam ao propósito do empreendimento, que é intrinsecamente vinculado à sua localização”.

Por fim, a agência concluiu que o arco deve permanecer no local proposto, às margens do rio Potomac, uma vez que o projeto é “inerentemente dependente da localização” e “não pode ser transferido” para outro lugar.

Essa avaliação, conhecida como “revisão da Seção 106”, é exigida pela Lei Nacional de Preservação Histórica (National Historic Preservation Act) e requer a anuência de grupos independentes que possuam interesse ou experiência em questões de preservação histórica relacionadas ao projeto.

No mês passado, a administração anunciou que encerrará a revisão da Seção 106, dando fim ao processo de consulta — o que, na prática, significa desistir de chegar a um acordo — e permitindo que Trump contorne um obstáculo significativo no processo de aprovação para a construção da obra.

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