Projeto criado após pedido de menina com câncer mobiliza 150 voluntários no Ceará
Com ações nos hospitais Peter Pan e Albert Sabin, o projeto Está Tudo Bem! reúne voluntários para distribuir brinquedos e acolher crianças em tratamento
Por Caynã Marques
Notícia
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Publicado às 08:50, 05/11/2026
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Resumo
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O projeto social Estátá Tudo Bem! surgiu do desejo da menina Lia, que tratava câncer, de doar seus pertences.
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Idealizado pela mãe de Lia, Luana Sampaio, após a morte da filha, o projeto transforma o pedido em solidariedade.
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O projeto conta com cerca de 150 voluntários e realiza ações em datas comemorativas.
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A mensagem principal é de acolhimento no presente, com a frase 'Estátá tudo bem'.
Um pedido feito por uma menina durante o tratamento contra o câncer deu origem a um projeto social que hoje reúne cerca de 150 voluntários e leva doações a crianças em hospitais do Ceará.
Idealizado por Luana Sampaio, mãe de Lia, o Está Tudo Bem! surgiu após a morte da filha, em novembro de 2023, e transformou o desejo da criança em uma iniciativa de solidariedade.
As ações contemplam pacientes do Hospital Peter Pan e do Hospital Infantil Albert Sabin, além de familiares e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Pedido que deu origem ao projeto
A história começou durante o tratamento de Lia, diagnosticada com um sarcoma O sarcoma é um tipo raro de câncer que se desenvolve nos tecidos de sustentação e conjuntivos do corpo, como ossos, músculos, gordura, tendões, cartilagens, nervos e vasos sanguíneos. em outubro de 2022, quando tinha sete anos. Moradora de Guanacés, distrito de Cascavel, Luana conta que a filha tinha uma rotina saudável antes de apresentar as primeiras dores nas pernas.
Inicialmente, os sintomas foram associados a dores de crescimento, mas a persistência do quadro levou a família a procurar atendimento no Hospital Infantil Albert Sabin, onde a criança passou por exames e permaneceu internada por 40 dias.
Após a confirmação do câncer, Lia foi encaminhada ao Hospital Peter Pan, onde iniciou o tratamento.
Foi um ano e três meses entre procedimentos, exames e sessões de quimioterapia. Mesmo diante das dores e das dificuldades, a menina costumava repetir uma frase que posteriormente daria nome à iniciativa: "Está tudo bem".
A expressão ganhou outro significado quando, durante os últimos dias de vida, Lia começou a pedir que a mãe doasse seus pertences para outras crianças do hospital. Primeiro, falou sobre os calçados, depois sobre as roupas e, por último, sobre os brinquedos.
"Ela era bem enfática quando falava: 'para as crianças'", relembra Luana. Na época, a mãe acreditava que a filha se recuperaria e dizia que as duas fariam as doações juntas, quando ela estivesse melhor. Lia, porém, apenas sorria diante das respostas.
Somente depois da morte da menina, Luana compreendeu a dimensão daqueles pedidos. Inicialmente, a ideia de retornar ao ambiente hospitalar parecia impossível diante das lembranças do período de tratamento. A decisão mudou quando recordou o desejo da filha.
"E exatamente quando eu falava 'nunca mais', eu lembrei do pedido dela que tinha acontecido dias antes. E eu disse: 'Meu Deus, e agora que ela me pediu para vir entregar, para vir doar?'", conta.
O significado de Está Tudo Bem!
O nome do projeto também tem origem em uma conversa entre mãe e filha. Durante um momento de oração, Luana perguntou a Lia se ela havia pedido a Deus pela própria cura. A menina respondeu que não havia pedido nada, pois já tinha tudo de que precisava.
"Eu só agradeci", disse Lia à mãe. Na sequência, explicou: "Porque se Deus quiser me curar, tá tudo bem. Mas se Ele não quiser me curar, mãe, tá tudo bem".
A frase passou a representar a mensagem que a organização busca levar às crianças e aos familiares. A proposta também está presente nas peças utilizadas pelos voluntários durante as ações.
As blusas do projeto carregam um desenho feito e pintado pela própria Lia, considerado por Luana o último desenho produzido pela filha. Abaixo da ilustração, está a expressão que marcou sua trajetória.
Além da frase, três palavras deixadas pela menina também integram a identidade da iniciativa: gratidão, amor e fé.
Para a idealizadora, a mensagem não representa uma promessa de que tudo ficará bem no futuro, mas um acolhimento no presente. "Não é uma coisa que 'vai ficar tudo bem', não é uma coisa do futuro, é o do hoje, é o do agora, né? 'Está'", explica.
Rede de voluntários e ações nos hospitais
Atualmente, o projeto conta com aproximadamente 150 voluntários de diferentes cidades.
Desse total, entre 20 e 25 pessoas participam mais diretamente da organização e da execução das atividades. Os demais contribuem de diferentes formas, inclusive à distância, por meio de doações financeiras, arrecadação de materiais e divulgação das campanhas.
A preparação envolve reuniões de alinhamento, recebimento e separação dos produtos, organização por faixa etária e distribuição das doações. Entre os itens entregues estão brinquedos, roupas, calçados e outros materiais destinados às crianças.
As ações são realizadas ao longo do ano, em datas como Dia das Crianças, Dia das Mães e Natal. Embora o Hospital Peter Pan tenha sido o principal destino das atividades desde a criação da iniciativa, uma mobilização recente também contemplou pacientes do Hospital Infantil Albert Sabin.
Segundo Luana, a campanha reuniu mais de mil brinquedos, em uma quantidade que não chegou a ser contabilizada integralmente devido ao volume de doações recebido.
O trabalho também contempla quem acompanha os pacientes durante o tratamento. A idealizadora explica que, a cada cinco ações realizadas, uma costuma ser direcionada aos cuidadores, especialmente às mães que passam longos períodos nos hospitais.
"Claro que não é o foco, o foco é realmente as crianças, mas se a gente for fazer cinco ações no ano, uma a gente destina para os cuidadores", afirma.
Como participar
Pessoas interessadas em contribuir com o Está Tudo Bem! podem entrar em contato por meio do perfil oficial da iniciativa no Instagram, @projtatudobem. Na página, são divulgadas as campanhas, as ações programadas e as principais necessidades de arrecadação.
A participação não exige necessariamente contribuição financeira. O grupo também recebe voluntários dispostos a doar tempo, ajudar na organização dos materiais, divulgar as campanhas e mobilizar outras pessoas.
O objetivo, segundo Luana, é ampliar a rede de apoio para que mais crianças e familiares sejam alcançados. A próxima mobilização prevista é a ação de Natal, que dará continuidade ao trabalho desenvolvido desde a criação do projeto.
Embora a iniciativa tenha nascido de um pedido direcionado às crianças hospitalizadas, a idealizadora afirma que o alcance da organização já ultrapassa o que havia sido imaginado inicialmente. Para ela, cada nova campanha mantém presente a história da filha e o propósito que motivou a criação do grupo.
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