Operação contra bets bloqueia R$ 3,4 bilhões de investigados
BRASÍLIA – Justiça do Distrito Federal mandou bloquear até R$ 3,483 bilhões em bens dos investigados por esquema com bets ilegais que usaram empresas de fachada para movimentar mais de R$ 700 milhões.
A ordem judicial está sendo cumprida na Operação Azzardo, deflagrada nesta quinta-feira (5/11) pela Polícia Civil do DF em cinco estados e no Distrito Federal.
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Cerca de 200 policiais civis do DF foram às ruas para cumprir 50 mandados de busca e apreensão, sendo 24 no DF. Os demais envolvem endereços em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
A Justiça determinou ainda:
- Bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões.
- Indisponibilidade de bens mantidos em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários.
- Suspensão das inscrições no CNPJ e dos registros nas juntas comerciais de 100 empresas e empresários individuais.
- Proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.
- Afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
A investigação começou há cinco meses, após um alerta da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou bets sem autorização federal, antes da medida provisória que proibiu as apostas.
Os valores depositados nas bets eram encaminhados às empresas de fachada, que concentravam os valores e os redistribuíam entre pessoas, empresas e instituições, segundo a investigação.
Os pagamentos por Pix para as bets eram direcionados a empresas com atividades declaradas sem relação com apostas, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas com endereço em Sobradinho, no DF.
Investigadores identificaram empresas abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, todas no DF.
Nos locais declarados, os policiais encontraram imóveis vazios e outros estabelecimentos comerciais. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas indicavam o mesmo telefone.
Informações financeiras analisadas apontam movimentações de aproximadamente R$ 739 milhões. A investigação também alcança uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto.
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