Simões garante verba e mantém prioridade no Rodoanel
O governador Mateus Simões (PSD) mantém o Rodoanel de Belo Horizonte como prioridade de seu governo e garante que os recursos reservados para a obra serão preservados. A posição foi apresentada após o presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), desembargador Ricardo Machado Rabelo, afirmar, em entrevista exclusiva a O TEMPO, que espera destravar o julgamento do projeto até o fim do ano.
“Minha prioridade máxima é a construção do Rodoanel, ele salvará 50 vidas por ano. Apenas se isso for inviável é que deveríamos avaliar transferir os recursos para o metrô em Betim e Contagem”, afirmou Simões.
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Mesmo em fim de mandato, a declaração mantém o projeto rodoviário no centro das prioridades do governo estadual e garante condições para que o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) dê continuidade ao projeto iniciado ainda na gestão de Romeu Zema (Novo).
A construção está paralisada na Justiça após questionamentos da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo). A entidade aponta que comunidades tradicionais afetadas pelo traçado não foram ouvidas adequadamente antes da elaboração do projeto.
Em março deste ano, diante da demora no julgamento, Simões chegou a ameaçar mudar o destino dos mais de R$ 5 bilhões reservados para o empreendimento e direcionar o dinheiro à ampliação do metrô em Contagem e Betim. Agora, com a sinalização de que a Justiça pode avançar na análise do caso, o governador voltou a defender a manutenção do Rodoanel.
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TRF-6 tenta acordo para destravar obra
Em entrevista exclusiva ao Café com Política, de O TEMPO, exibido nesta quarta-feira (4/11), Rabelo afirmou que assumiu a articulação por uma solução negociada para o impasse. O desembargador já conversou com prefeitos de municípios afetados pelo traçado, com Simões e com o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos).
“Eu estive com ambos, tanto com o governador atual quanto o governador eleito. E disse a ambos que a respeito do Rodoanel, a questão do Rodoanel não é apenas grave, ela é gravíssima e não é urgente. É urgentíssimo isso. Eu disse isso a ambos”, afirmou.
A expectativa do presidente do TRF-6 é avançar no julgamento até o fim do ano. Uma solução, porém, ainda depende da análise dos questionamentos apresentados pelas comunidades quilombolas e de eventuais medidas para superar o impasse.
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Projeto de R$ 5 bilhões
A proposta aprovada em 2023 prevê cerca de 70 quilômetros de obras em um modelo de parceria público-privada (PPP). O plano original estabelecia o início dos trabalhos em 2026 e a conclusão até 2028. Dos recursos previstos, cerca de R$ 2 bilhões seriam aportados pela concessionária e outros R$ 3 bilhões viriam do acordo de reparação da tragédia de Brumadinho.
Um dos principais pontos de controvérsia é a chamada Alça Sul, trecho que ligaria a BR-040, na região do Jardim Canadá, em Nova Lima, à BR-381, em Betim, passando por Brumadinho, Ibirité e Sarzedo.
O segmento ficou de fora do projeto atual por dificuldades ambientais e geográficas, além do alto custo. Especialistas, no entanto, consideram a ligação importante para o funcionamento do sistema.
O consultor em trânsito Silvestre Andrade avalia que a Alça Sul poderá se tornar necessária justamente porque o Rodoanel foi concebido para retirar o tráfego pesado do atual Anel Rodoviário, que hoje funciona, em parte, como uma avenida urbana e concentra as BRs 040, 262 e 381.
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O dinheiro do acordo de Brumadinho destinado ao Rodoanel está depositado em uma conta vinculada, administrada de forma independente pelo Banco do Brasil. Segundo o governo de Minas, os recursos só são liberados quando as condições previstas no contrato são cumpridas.
O impasse judicial transformou o Rodoanel em um dos principais pontos de divergência política em Minas. A obra, que deveria ser uma das marcas da gestão Zema, agora também coloca em jogo as prioridades do governo Cleitinho.
Com Simões garantindo a verba e o TRF-6 tentando destravar o julgamento, o futuro do empreendimento dependerá da solução para os questionamentos judiciais e das decisões do próximo governo.
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