Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria da seleção portuguesa; veja vídeo
Lendário camisa 7 se despede com os títulos da Eurocopa e duas edições da Liga das Nações. Ao longo de sua trajetória como atleta internacional, foram 146 gols em 234 jogos
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Atualizado às 09:40, 05/11/2026 | Publicado às 08:41, 05/11/2026
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O lendário atacante Cristiano Ronaldo anunciou na manhã desta quinta-feira, 5, a aposentadoria da seleção de Portugal após atrito envolvendo o treinador Jorge Jesus. Em vídeo divulgado por meio de seu perfil nas redes sociais, o vencedor de cinco Ballon d'Or fala sobre o privilégio de ter sido o capitão luso e que estará sempre na torcida.
Ao longo da trajetória com o país ibérico, Ronaldo anotou 146 gols em 234 jogos e se tornou o maior artilheiro da história entre seleções. O jogador de 41 anos havia ficado insatisfeito com o ex-comandante do Flamengo devido ao desgaste ocorrido ainda em setembro, durante um jogo da Nations League.
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Na ocasião, a crise começou quando o jogador ficou no banco de reservas depois de ter passado parte do segundo tempo aquecendo durante a vitória sobre a Noruega pelo placar de 2 a 1. Revoltado com a situação, o centroavante abandonou a concentração no dia 30, após entrevista coletiva em que Jorge Jesus reafirmou sua autoridade sobre as decisões da equipe.
Após o desgaste, o ex-jogador do Real Madrid publicou um comunicado acusando o técnico de não ter cumprido com o combinado pré-estabelecido entre as partes sobre a utilização do craque no jogo diante da seleção que eliminou o Brasil na última Copa do Mundo.
Mesmo com o pedido de desculpas dias depois do incidente, Cristiano foi punido com uma suspensão de 30 dias e uma multa de € 255 (cerca de R$ 1,4 mil), aplicadas pela Federação Portuguesa de Futebol como forma de penalizá-lo antes dos próximos compromissos da seleção.
Apesar de a penalização ter terminado dia 30 de outubro e de Ronaldo estar presente na pré-lista divulgada por Portugal para os duelos contra Dinamarca e País de Gales na segunda semana de novembro, o jogador anunciou sua aposentadoria um dia antes do anúncio da lista oficial que estará presente nas partidas.
Trajetória de Cr7
Maior jogador da história de seu país, Cristiano alçou voos jamais vistos por qualquer atleta nascido em Portugal. Com apenas 18 anos, ele estreou pela seleção principal em amistoso contra o Cazaquistão, antes da disputa da Eurocopa, em casa. Convocado pelo treinador brasileiro Luiz Felipe Scolari, o, à época camisa 17, contribuiu para campanha que bateria na trave e conquistaria o vice após ser derrotado pela Grécia na grande decisão do torneio.
Após o frustrante resultado, Ronaldo passou a ser figura carimbada em todas as convocações de Portugal e esteve presente nas Copas de 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Ele participou da campanha que levou os ibéricos à semifinal da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, conquistando o segundo melhor resultado da história dos lusos no principal torneio de seleções.
Cristiano marcou história ao ser o único jogador a marcar ao menos um gol em seis edições diferentes do torneio mundial. Ao lado de seu eterno rival, Lionel Messi, o camisa 7 também detém o recorde de participações em Copas, com seis.
Os títulos conquistados por Ronaldo são os únicos na história do país. Apesar de ter revelado craques ao longo da história, os lusos nunca haviam vencido um torneio relevante antes. A sina de apenas boas participações foi quebrada em 2016, quando o lendário jogador vivia possivelmente seu auge técnico e liderou a campanha que terminou em título ao vencer a França por 1 a 0, no Stade de France, região metropolitana de Paris (FRA).
Mesmo com a contusão que aconteceu no começo do embate e o tirou da finalíssima, ele conduziu o time, ao lado do treinador Fernando Santos, ao título português, vendo o atacante Éder anotar na prorrogação o tento solitário e decisivo do duelo. Nas sete partidas do torneio, Cristiano marcou três gols e distribuiu duas assistências.
Três anos após a primeira conquista, o atacante voltou a ser decisivo na conquista da Liga das Nações, em 2019, e faturou o torneio. Ronaldo também teve grande participação, mesmo em idade avançada, na campanha do bicampeonato em 2025. No derradeiro jogo ante a Espanha, ele marcou um dos gols de Portugal no empate por 2 a 2 e converteu sua cobrança na disputa de pênaltis, que terminaria em vitória por 5 a 3.
Confira o texto do vídeo na íntegra
"Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de vestir, de defender e de levar comigo para estádios do mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil por decisões que não se tomam apenas com a cabeça, se tomam também com o coração.
Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo que vivi pela seleção não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo o que sou hoje. Vejo imigrantes que durante noventa minutos sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas fizeram parte da minha vida. No fim de tudo, futebol é muito mais que um jogo. O futebol são as pessoas.
Durante toda a minha carreira na seleção procurei superar os meus limites, quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio, sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe e dei tudo o que tinha por essa camisa. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custam a recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejava. Mas nunca desisti.
Acima de tudo nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal. Ao longo desses anos aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos, mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez fiz vocês felizes, se alguma vez um gol meu fez vocês abraçarem alguém, fez alguma pessoa sentir orgulho do próprio país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso.
Sofremos juntos, levantamos juntos, acreditamos outra vez. Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam, de novas gerações que acreditem em chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si mesmo.
Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebrámos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.
A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas sem vocês nenhuma dessas fotografias teria sido possível.
À minha família, obrigado por dividir comigo esse sonho. Obrigado por entenderem as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve que ocupar um espaço que também pertencia a vocês. Se cheguei tão longe, foi porque sempre estivemos de mãos dadas.
E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa. Há uma imagem que sempre levarei comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho ao meu redor, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E durante aqueles minutos deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.
Esse sentimento levarei comigo para o resto da vida. Hoje termina minha caminhada dentro de campo com a seleção. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Vou continuar sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.
Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me permitir viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, correndo atrás de uma bola.
A camisa 7 fica, o orgulho de ter vestido será meu para sempre. Portugal sempre estará em mim.
Até sempre, Cristiano Ronaldo."
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