Economia Cobrança da 'taxa da seca' no transporte fluvial divide empresas no AM há 17 min
Com Rio Negro abaixo de 17 metros, transportadoras adotam posturas diferentes sobre custos extras e reposição de estoques
Publicado em 05/11/2026 às 08h42
A oscilação no nível dos rios durante a estiagem no Amazonas voltou a colocar em discussão a cobrança da chamada “taxa da seca” pelas transportadoras de cargas que abastecem o estado. No entanto, a aplicação desse custo extra não é unânime entre as empresas que realizam o transporte fluvial na região.
Parte das empresas optou por não cobrar o valor adicional neste período, enquanto outras decidiram aplicar a taxa com previsão de devolução ou concessão de créditos posteriores. O impacto atinge principalmente mercadorias importadas, que chegam a levar cerca de 90 dias de trânsito até a capital amazonense.
A cobrança costuma ocorrer quando a cota do Rio Negro atinge marcas inferiores a 17 metros, nível registrado atualmente em Manaus. Apesar da marca baixa, o manancial já apresenta sinais de estabilidade e pequenas oscilações diárias, cenário semelhante ao observado nos rios Solimões e Amazonas. Embora o período chuvoso ainda não tenha se consolidado totalmente, a estabilização indica a proximidade do encerramento da vazante.
No comércio, lojistas buscam estratégias para absorver os custos operacionais e movimentar estoques sem repassar aumentos aos clientes. A estiagem não traz risco de desabastecimento generalizado para Manaus, mas os desafios de reabastecimento provocaram reflexos em datas de grande apelo comercial, como a Black Friday, fazendo com que alguns estabelecimentos limitassem promoções por receio de esgotar produtos sem previsão rápida de reposição.
O cenário de restrição nos rios volta a evidenciar as vulnerabilidades logísticas do Amazonas e fomenta debates sobre alternativas de escoamento e abastecimento, incluindo a infraestrutura da rodovia BR-319 para o transporte rodoviário de cargas entre o Norte e as demais regiões do país.
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