Operação Dirty DancingPF prende mulher no Pará suspeita de chefiar rede de exploração sexual de brasileiras em Israel A Polícia Federal prendeu uma mulher em Ananindeua, Pará, suspeita de comandar uma organização criminosa internacional que recrutava brasileiras para exploração sexual em Israel e outros países.
A Polícia Federal (PF) prendeu uma mulher em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, suspeita de comandar uma organização criminosa internacional responsável pelo recrutamento de brasileiras para exploração sexual em Israel e outros países. A prisão ocorreu na quarta-feira (4), durante a Operação Dirty Dancing, que também resultou em buscas no Pará e em Goiás e no bloqueio judicial de bens e valores que podem chegar a R$ 10 milhões.
Segundo as investigações, a suspeita utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres interessadas em viajar ao exterior. A organização providenciava passagens e hospedagens, enquanto integrantes instalados no Brasil divulgavam anúncios em sites especializados e agendavam encontros com clientes.
A operação foi desencadeada a partir de informações compartilhadas pela Polícia de Israel, que já investigava a atuação do grupo. Além da exploração sexual, os suspeitos são investigados por promover a entrada irregular de mulheres em outros países e reter parte dos valores obtidos com a atividade.
Prisão e bloqueio de bens
A Justiça Federal expediu um mandado de prisão preventiva contra a mulher apontada como principal responsável pela organização. Também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Ananindeua e outro em Goiânia, capital de Goiás.
As decisões judiciais determinaram o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões. Duas empresas vinculadas à mulher presa tiveram suas atividades suspensas.
Outros dois investigados foram submetidos a medidas cautelares, incluindo apreensão de passaportes, monitoramento eletrônico e proibição de deixar o território brasileiro.
A Polícia Federal não divulgou a identidade dos três investigados nem informou o número de mulheres que teriam sido recrutadas. Também não esclareceu quantas possíveis vítimas foram encaminhadas especificamente para Israel.
Recrutamento pelas redes sociais
De acordo com a PF, o grupo mantinha uma estrutura organizada para selecionar mulheres, viabilizar deslocamentos internacionais e administrar a exploração sexual no exterior.
A principal investigada seria responsável pelo recrutamento por meio de plataformas digitais. Depois do contato inicial, a organização cuidava dos procedimentos relacionados às viagens e à hospedagem.
No Brasil, operadores divulgavam anúncios em páginas especializadas e organizavam os agendamentos com clientes, indicando que parte das atividades era coordenada à distância.
Os investigadores também identificaram indícios de que o esquema atuava de maneira contínua e não se limitava ao território israelense. A suspeita é de que mulheres brasileiras tenham sido exploradas em diferentes países.
Dinheiro era enviado clandestinamente ao Brasil
Outro eixo da investigação envolve a movimentação financeira da organização. Segundo a Polícia Federal, os valores arrecadados no exterior eram recebidos em dinheiro e posteriormente enviados ao Brasil por intermédio de brasileiros residentes fora do país.
Essas pessoas atuariam em um sistema clandestino de câmbio, utilizado para transferir recursos sem observar os procedimentos legais aplicáveis às operações financeiras internacionais.
A apuração busca identificar o destino dos valores, a participação de cada investigado e a possível utilização das empresas vinculadas à mulher presa na estrutura do grupo.
O bloqueio de até R$ 10 milhões é uma medida judicial destinada a alcançar bens e valores dos investigados. Não significa, necessariamente, que esse montante já tenha sido localizado ou apreendido.
Investigação começou em 2025
A Operação Dirty Dancing é resultado de uma investigação iniciada em fevereiro de 2025, quando a Polícia Federal recebeu informações das autoridades israelenses sobre a possível atuação de uma organização criminosa transnacional.
A cooperação internacional permitiu aprofundar as apurações sobre o recrutamento de brasileiras, a organização das viagens e a movimentação financeira do grupo.
O caso também evidencia a importância da colaboração entre forças policiais de diferentes países no enfrentamento ao tráfico de pessoas, especialmente quando o recrutamento ocorre no Brasil e a exploração é realizada no exterior.
Em dezembro de 2025, outra investigação da PF, denominada Operação Rufiã, identificou aproximadamente 100 possíveis vítimas de redes de exploração sexual em países da Europa e da Ásia. Na ocasião, foram investigadas organizações que utilizavam promessas de ganhos elevados e viagens financiadas para atrair mulheres. Não há informação oficial de que os dois casos estejam relacionados.
Investigados podem responder por seis crimes
A Polícia Federal informou que os envolvidos poderão responder por organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio.
O tráfico de pessoas pode ocorrer quando há recrutamento, transporte ou acolhimento mediante fraude, ameaça, coação ou abuso, com finalidade de exploração. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias específicas em que as brasileiras foram abordadas e levadas ao exterior.
A prisão preventiva e as demais medidas judiciais não representam condenação. A responsabilidade dos investigados dependerá da conclusão das apurações e do julgamento pela Justiça.
A operação coloca Ananindeua no centro de uma investigação internacional sobre exploração sexual e movimentação clandestina de recursos, enquanto a Polícia Federal busca identificar a extensão das atividades atribuídas à organização e possíveis outras vítimas.
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