Arraia entra na onda e surpreende surfista no Recreio
Uma onda no Recreio dos Bandeirantes reservou uma surpresa para um surfista nesta semana. Enquanto aproveitava o mar, o homem foi surpreendido pelo salto de uma arraia de grandes proporções, que emergiu da água a poucos metros dele. A cena foi registrada em vídeo e compartilhada nas redes sociais.
O encontro aconteceu no canto da praia, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Nas imagens, o animal aparece rompendo a superfície do mar muito perto do surfista, em um movimento que chama atenção pelo tamanho e pela proximidade com o homem. O momento foi captado pela Brigido Surf School no Instagram.
Por que as arraias saltam para fora da água?
Apesar de impressionante para quem observa da praia, o salto é um comportamento conhecido em algumas espécies de raias. A explicação, porém, não é única. Pesquisadores estudam diferentes possibilidades, que incluem comunicação entre indivíduos, interações reprodutivas e a retirada de parasitas do corpo.
As raias também apresentam hábitos distintos conforme a espécie. Muitas vivem próximas ao fundo do mar, enquanto outras passam boa parte do tempo nadando na coluna d'água. As espécies da família das mantas e das jamantas, por exemplo, têm nadadeiras peitorais largas, que funcionam como asas e permitem deslocamentos e movimentos acrobáticos.
Como não há identificação científica do animal que aparece no vídeo, não é possível determinar a espécie nem explicar o motivo específico do salto registrado no Recreio.
Primavera pode coincidir com período de reprodução e deslocamento de algumas espécies
A presença de arraias no litoral fluminense também desperta interesse científico. Em abril de 2026, pesquisadores identificaram pelo menos sete espécies em diferentes pontos da costa do estado, do Recreio à Região Metropolitana. O levantamento, conduzido pelo Instituto Mar Urbano, foi apontado como o maior registro simultâneo desse tipo em três décadas.
Na ocasião, os especialistas consideraram algumas possibilidades para explicar a concentração dos animais, como mudanças nas correntes marítimas, maior oferta de alimento e comportamentos relacionados à reprodução. O fenômeno, entretanto, ainda não tinha uma causa definida.
A época do ano também merece atenção. Estudos realizados no Sudeste brasileiro mostram que algumas espécies utilizam áreas costeiras como locais de nascimento e desenvolvimento dos filhotes. Em pesquisa publicada na revista científica Neotropical Ichthyology, pesquisadores registraram recém-nascidos de raias-ticonha no fim da primavera e durante o verão, indicando um possível ciclo reprodutivo sazonal.
Isso não significa que a arraia filmada no Recreio esteja necessariamente em período de reprodução. A espécie não foi identificada e a ocorrência de um único animal não permite estabelecer uma relação direta com o calendário reprodutivo.
Como agir ao encontrar uma arraia no mar?
A orientação é manter distância e não tentar tocar, perseguir ou capturar o animal. Algumas espécies possuem ferrão na cauda, utilizado como mecanismo de defesa quando se sentem ameaçadas.
Em áreas rasas, especialistas recomendam arrastar levemente os pés na areia ao caminhar dentro da água. O movimento ajuda a sinalizar a aproximação e permite que uma arraia eventualmente escondida no fundo se afaste antes de um contato acidental.
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Carioca, jornalista e flamenguista. Nessa ordem (às vezes não).
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