Diário do Rio de Janeiro
05/11/2026 10:31

Carlos Egert resgata a memória do Rio de Janeiro por meio da literatura, de fotografias históricas e de documentos do século XIX

Carlos Egert - Foto: Aquivo Pessoal

A história do Rio de Janeiro não está preservada apenas nos grandes monumentos, nos palácios ou nos livros escolares. Ela também sobrevive em fotografias esquecidas, cartas manuscritas, jornais antigos e documentos que ajudam a compreender as transformações políticas, sociais e culturais do país. É justamente nesse universo que o escritor e pesquisador Carlos Egert, de 33 anos, desenvolve um trabalho voltado à valorização e à preservação da memória histórica brasileira.

Nascido em 18 de maio de 1993, em Curitiba, no Paraná, e radicado no Rio de Janeiro, Egert é bacharel em Direito e Relações Internacionais. Desde 2015, dedica parte de suas atividades à pesquisa historiográfica, à produção literária e à recuperação digital de fotografias históricas, com especial interesse pelo Brasil dos séculos XIX e XX.

Atualmente, preside o Diretório Monárquico do Brasil, organização por meio da qual desenvolve iniciativas culturais e educativas relacionadas à história nacional. Paralelamente, mantém projetos independentes de pesquisa, escrita e preservação documental, buscando aproximar o público contemporâneo de personagens e acontecimentos que ajudaram a formar a sociedade brasileira.

Uma história que vai além dos imperadores

Embora parte de sua produção esteja relacionada à história do período imperial, o interesse de Egert não se restringe às figuras da monarquia. Seus estudos e textos também percorrem trajetórias de abolicionistas, intelectuais negros, escritores, jornalistas, lideranças indígenas e personagens que participaram, de diferentes maneiras, da construção social e cultural do Brasil.

Entre os nomes que despertam seu interesse estão Luiz Gama, José do Patrocínio e Machado de Assis, personalidades cujas contribuições permitem compreender a complexidade de uma sociedade marcada pela escravidão, pelas desigualdades e pelas disputas em torno da liberdade e da cidadania.

Por meio de artigos biográficos, crônicas históricas e conteúdos educativos, o pesquisador procura apresentar essas trajetórias para além das datas e dos acontecimentos mais conhecidos, dando atenção também às experiências individuais, às contradições de cada época e às vozes que nem sempre receberam o devido espaço nos registros tradicionais.

A história dos povos indígenas e sua presença na formação do Brasil também integram esse horizonte de pesquisa, assim como as transformações culturais, políticas e sociais que acompanharam a passagem do Império para a República.

A proposta é tratar a história nacional como um patrimônio coletivo, cuja compreensão exige reconhecer diferentes experiências e perspectivas, inclusive aquelas que desafiam narrativas consagradas.

Fotografias, jornais antigos e documentos recuperados

Uma das frentes do trabalho de Egert está na restauração digital e na colorização de fotografias históricas. Utilizando recursos tecnológicos contemporâneos, o pesquisador procura recuperar detalhes de imagens antigas, como expressões faciais, vestimentas, elementos arquitetônicos e características dos ambientes retratados.

O processo combina tratamento digital e pesquisa histórica. A intenção é tornar os registros mais acessíveis visualmente, sem perder de vista as limitações das fontes originais. Nas fotografias colorizadas, por exemplo, as tonalidades que não podem ser comprovadas documentalmente representam interpretações fundamentadas no contexto de época.

Outro campo de interesse é a imprensa carioca oitocentista. Periódicos como a Gazeta de Notícias, o Jornal do Commercio e o Cidade do Rio, este último ligado ao abolicionista José do Patrocínio, constituem importantes fontes para compreender a vida cotidiana da antiga capital brasileira.

Em suas páginas, debates sobre a Abolição, a política imperial e a Proclamação da República dividiam espaço com anúncios comerciais, espetáculos teatrais, manifestações culturais e notícias sobre os habitantes da cidade.

O contato com esse material permite observar não apenas os grandes acontecimentos nacionais, mas também o cotidiano de uma população diversa, formada por pessoas escravizadas e libertas, trabalhadores, imigrantes, intelectuais, comunidades negras e outros grupos que participaram da construção da identidade carioca.

O contato direto com a memória preservada

O interesse pelos documentos históricos também levou Egert a receber convites para conhecer acervos museológicos e examinar materiais preservados por instituições culturais.

Segundo o pesquisador, essas oportunidades permitiram observar de perto documentos manuscritos, correspondências antigas, objetos históricos e outros registros que ajudam a contextualizar seus estudos e produções literárias.

Carlos Egert
Carlos Egert - Foto: Arquivo pessoal

O contato direto com as fontes permite identificar aspectos que nem sempre são perceptíveis em reproduções digitais, como marcas de conservação, características do papel, inscrições e detalhes materiais relacionados à circulação dos documentos.

Essa aproximação com os acervos faz parte de uma preocupação mais ampla com a preservação do patrimônio documental brasileiro, frequentemente ameaçado pela deterioração natural, pela insuficiência de recursos e pela falta de conhecimento público sobre sua importância.

No âmbito do Diretório Monárquico do Brasil e de suas iniciativas independentes, Egert procura incentivar a pesquisa, a divulgação histórica e o reconhecimento do trabalho realizado por instituições e profissionais responsáveis pela conservação desses registros.

Da pesquisa histórica à literatura

A produção literária ocupa outro espaço importante em sua trajetória.

Egert é autor de Guia do Monarquista – Vol. 1, publicado pela Filos Editora, obra dedicada à história política brasileira, ao funcionamento das instituições monárquicas e às discussões sobre os diferentes modelos de organização do Estado.

O livro aborda a experiência constitucional do Império, o movimento monárquico após 1889 e os debates que chegaram ao plebiscito de 1993, considerando também as contradições sociais e políticas do período.

Outra obra de sua autoria, Terceiro Reinado, explora uma perspectiva de história alternativa, imaginando possibilidades para o Brasil caso a monarquia tivesse permanecido como forma de governo. A proposta combina reflexão histórica e exercício literário, aproximando o leitor de questões relacionadas às instituições, à identidade nacional e aos caminhos que o país poderia ter seguido.

Para além da temática institucional, o escritor também se dedica à poesia, à crônica e à ficção histórica, gêneros que lhe permitem investigar experiências humanas, conflitos sociais e personagens marcados pelas circunstâncias de seu tempo.

Canudos e a memória daqueles que resistiram

Entre seus próximos projetos está O Profeta dos Sertões, romance histórico com publicação prevista pela Editora Viseu.

Ambientada no contexto da Guerra de Canudos, ocorrida entre 1896 e 1897, a obra revisita um dos episódios mais violentos e controversos da história republicana brasileira.

O conflito, que culminou na destruição do arraial de Canudos, na Bahia, permanece como um marco das tensões entre o poder estatal e as populações sertanejas, suscitando discussões sobre desigualdade social, religiosidade popular, violência política e exclusão.

Ao transportar esse universo para a literatura, Egert pretende explorar não apenas os acontecimentos militares, mas também as experiências humanas daqueles que viveram o conflito, buscando oferecer ao leitor uma reflexão sobre memória, sofrimento e resistência.

O projeto representa uma ampliação de seu percurso literário, deslocando o foco das instituições políticas para as vidas e os dilemas das populações que enfrentaram alguns dos capítulos mais traumáticos da história nacional.

Preservar o passado para ampliar o acesso à história

Carlos Egert
Carlos Egert - Foto: Arquivo Pessoal

Em um cenário no qual parte significativa do patrimônio documental brasileiro enfrenta desafios de conservação, iniciativas de pesquisa e divulgação histórica contribuem para despertar o interesse por arquivos, museus e bibliotecas.

Para Egert, a valorização desse patrimônio também passa pela capacidade de apresentá-lo a novas gerações, utilizando a literatura, as redes sociais e os recursos digitais como instrumentos de aproximação entre o passado e o presente.

Seu trabalho reúne, assim, diferentes dimensões: o interesse pela história política, a recuperação da memória visual, a pesquisa documental e a produção de narrativas sobre personagens de distintas origens e experiências.

Mais do que revisitar os acontecimentos que moldaram o Brasil, a proposta é estimular a curiosidade por uma história múltipla, construída por imperadores e abolicionistas, escritores e trabalhadores, povos indígenas e comunidades que, muitas vezes, permaneceram à margem dos relatos oficiais.

No Rio de Janeiro, cidade que concentra parte expressiva dos registros da antiga capital imperial e republicana, esse trabalho encontra um território especialmente fértil.

Entre livros, arquivos e fotografias recuperadas, Carlos Egert procura contribuir para que a memória brasileira permaneça acessível, não apenas como testemunho do passado, mas como instrumento de conhecimento, reflexão e diálogo com o presente.

ACOMPANHE OS PROJETOS

Carlos Egert | Instagram: @carlosegert | Facebook: www.facebook.com/carlosegert | E-mail: [email protected]

Diretório Monárquico do Brasil | Instagram: @diretoriobrasileiro | Facebook: www.facebook.com/DiretorioMonarquico | E-mail: [email protected]

Igreja de N. Sra. da Lapa dos Mercadores

Redação Diário do Rio

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