Campo Grande News
Investigador da Polícia Civil envolvido em esquema do PCC é afastado após prisão
O Investigador de Polícia Civil Andrey Elesbão Silva foi afastado compulsoriamente de suas funções. A medida foi publicada em portaria da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, assinada pelo corregedor-geral Clever José Fante Esteves, no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (5). O afastamento decorre de decisão proferida pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, nos autos de ação penal relacionada à Operação Ifrit, que determinou a prisão preventiva do policial civil. A ação aconteceu na quarta-feira (4). Com a decisão, o investigado permanece afastado das funções pelo período em que durar a custódia. A decisão ainda determina o recolhimento imediato da arma de fogo, da carteira funcional e de todos os pertences pertencentes ao patrimônio público sob responsabilidade do policial, além da suspensão de senhas e logins de acesso aos sistemas e bancos de dados institucionais. O ato também suspende eventuais férias do servidor e comunica os setores administrativos competentes para o cumprimento das determinações legais. As investigações e os desdobramentos do caso também serão apurados no âmbito administrativo por meio de ação disciplinar instaurada pelo órgão correcional. Grande apreensão - Em maio deste ano, Andrey recebeu moção de congratulação na Câmara Municipal de Campo Grande por apreensão de 880 kg de drogas em uma residência no Parque do Lageado que resultou na prisão de um foragido. Na ocasião, em 7 de maio, a equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações) esteve na residência na Rua Oswaldo dos Santos, após denúncias anônimas. No local foram encontrados 38 fardos de maconha que pesaram 698 kg e mais 177 tabletes de pasta base de cocaína, de 181 quilos, além de balanças de precisão e materiais para embalar a droga. Quando os policiais chegaram ao local, o rapaz de 29 anos estava em frente ao imóvel e já afirmava não ser dono da droga. Em seguida, confessou ser o dono do entorpecente. Ele tentou fugir para dentro da residência e quebrar o aparelho celular, mas os policiais o contiveram. A moção a Andrey foi concedida pelo vereador Delei Pinheiro (PP), que destacou o trabalho desempenhado pelos policiais envolvidos na ocorrência. Operação Ifrit – A Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal na quarta-feira (4), investiga uma organização criminosa transnacional ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao PGC (Primeiro Grupo Catarinense), com atuação principalmente na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A investigação aponta que o grupo era comandado por três irmãos da família Haidar, de Ponta Porã, e contava com a participação de outros familiares, empresários e agentes das forças de segurança. A organização é suspeita de tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção, homicídios, sequestros, torturas e atentados. A operação cumpriu 76 mandados de busca e apreensão e 26 ordens de prisão em sete estados: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Também foram determinadas medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis de suas funções. A ofensiva mobilizou cerca de 500 policiais federais e 44 servidores da Receita Federal. Três irmãos apontados como líderes mantinham conexões com o PCC, o PGC e o narcotraficante boliviano Jorge Granier Ruiz, conhecido como Narcofantasma ou Rey de los Cielos. Ele foi preso em Jaraguari, em março de 2023, e posteriormente extraditado para a Argentina. O grupo atuava na aquisição de drogas e armas na Bolívia, no Peru e no Paraguai. Os carregamentos abasteciam o mercado brasileiro e também seguiam para a Europa, principalmente Espanha e Portugal. A investigação também identificou a participação de agentes públicos, entre eles policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal. De acordo com a PF, a organização teria movimentado mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos. Foram sequestrados cerca de 160 imóveis, entre mansões, apartamentos de luxo, um haras e seis fazendas, que somam mais de 5 mil hectares em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas. Também foram atingidos mais de 150 veículos, lanchas e cavalos de raça. A Justiça determinou também o bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias de 170 pessoas e empresas. As apurações indicam que o dinheiro era movimentado por meio de empresas de fachada, negócios simulados e contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos. Entre os investigados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, suspeito de receber pelo menos R$ 15 milhões e participar do desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína da Denar (Delegacia Especializada de Narcotráfico). O investigador Douglas Tobias, também preso na Operação Infiltrados, foi alvo da Ifrit e teve um Ford Mustang Shelby GT500, avaliado em R$ 370 mil, apreendido. Ele teve a liberdade concedida na terça-feira (3) e na ação da PF foi cumprida ordem de monitoração eletrônica. A apuração aponta que parte da cocaína desviada do depósito da Denar era substituída por uma mistura de baixa pureza, preparada com produtos como maisena e fermento, para esconder o desaparecimento da droga original.
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