Victor Ostetti/MidiaNews 12 CONTAS EM 9 BANCOS PF: consultor do TCE recebeu R$ 2,14 milhões em apenas um dia 0
12 CONTAS EM 9 BANCOS
05.11.2026 | 09h11 Tamanho do texto A- A+
Grhegory Paiva recebeu R$ 32,3 milh?es em 217 pagamentos; ele teria tentado dificultar rastreamento
DOUGLAS TRIELLI
DA REDA??O
O ex-consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, recebeu R$ 2,14 milhões em apenas um dia, por meio de sete transferências bancárias realizadas pelo órgão em 21 de outubro de 2025, segundo investigação da Polícia Federal.

Vislumbra-se a pretensão de segmentar os dados, a fim de que nenhuma das instituições detenha a visão de toda a movimentação bancária
Ele foi preso pela PF no último dia 29 de outubro e exonerado do TCE-MT no na última terça-feira (3).
Os pagamentos foram distribuídos entre sete contas bancárias mantidas em diferentes instituições financeiras, com valores individuais que variaram de R$ 89,1 mil a R$ 383,1 mil.
A movimentação faz parte de um conjunto de 217 pagamentos, que somaram R$ 32,31 milhões, recebidos pelo consultor entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025.
Segundo a PF, Grhegory utilizou 12 contas bancárias em nove instituições financeiras (veja abaixo), sendo o servidor do TCE que apresentou a maior diversidade de bancos para receber valores registrados como parcelas remuneratórias.
Os investigadores suspeitam que a distribuição dos recursos entre diferentes contas tenha sido uma estratégia para dificultar o rastreamento da movimentação financeira.
"Vislumbra-se, nesse aspecto, a pretensão de segmentar os dados, a fim de que nenhuma das instituições financeiras detenha a visão de toda a movimentação bancária", afirma a Polícia Federal.
A investigação acrescenta que os valores movimentados eram tão elevados que poderiam comprometer a eficácia da suposta estratégia.
Grhegory, que é procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso desde 2014, está cedido ao TCE desde fevereiro de 2020, onde exerce a função de consultor jurídico-geral.
R$ 2,14 milhões em um dia
Conforme os registros bancários analisados pela PF, as sete transferências de 21 de outubro de 2025 foram realizadas para contas mantidas no Bradesco, C6 Bank, Inter, Itaú, Nubank, BTG Pactual e XP.
Os pagamentos em um único dia:
|
Instituição financeira |
Valor recebido |
|---|---|
|
Bradesco |
R$ 383.150,11 |
|
C6 Bank |
R$ 371.001,95 |
|
Inter |
R$ 358.198,08 |
|
Itaú |
R$ 355.267,01 |
|
Nubank |
R$ 318.089,56 |
|
BTG Pactual |
R$ 267.144,63 |
|
XP |
R$ 89.163,84 |
|
Total |
R$ 2.142.015,18 |
As transferências aparecem vinculadas ao mesmo documento bancário, de número 12518, indicando a realização dos pagamentos em um único bloco. O mesmo padrão foi identificado em outras datas.

Grhegory foi o maior beneficiário individual dos pagamentos no período, superando inclusive empresas que mantinham contratos com o Tribunal
Em 1º de outubro de 2025, Grhegory recebeu R$ 2,02 milhões em sete transferências. Já em 22 de setembro, foram R$ 2 milhões, também distribuídos em sete pagamentos.
Segundo a PF, os repasses eram frequentemente realizados em blocos no mesmo dia, com valores semelhantes, embora raramente idênticos.
A investigação também constatou que as transferências de maior valor partiam da conta do TCE no Banco do Brasil e ocorriam, predominantemente, fora do calendário regular de pagamento dos servidores, previsto para o último dia útil do mês.
As 12 contas bancárias
A Polícia Federal identificou contas utilizadas pelo consultor no Banco do Brasil, Itaú, Sicoob Integração, XP, C6 Bank, Bradesco, Nubank, BTG Pactual e Inter.
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Banco |
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|---|---|---|
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Banco do Brasil |
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Itaú |
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Itaú |
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Sicoob Integração |
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XP |
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C6 Bank |
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Bradesco |
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Bradesco |
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Bradesco |
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Nubank |
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BTG Pactual |
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Inter |
A multiplicidade de contas chamou a atenção dos investigadores, sobretudo porque os pagamentos eram feitos diretamente pelo TCE e alcançavam valores muito superiores à remuneração mensal ordinária de um servidor público.
Segundo a PF, Grhegory foi o maior beneficiário individual dos pagamentos identificados no período, superando inclusive empresas que mantinham contratos com o Tribunal.
Pagamentos crescentes e evolução patrimonial
Outro ponto destacado pela investigação foi a evolução dos valores recebidos pelo consultor. O relatório aponta crescimento acentuado dos pagamentos durante 2025, com pico em outubro, quando Grhegory recebeu R$ 7.612.224,84 somente até o dia 22.
A PF considera a movimentação atípica tanto pelo volume financeiro quanto pela forma de distribuição dos recursos.
Os investigadores também analisaram a evolução patrimonial do consultor. Segundo o relatório, Grhegory constituiu, em julho de 2025, a empresa Maia Reining Horses Ltda., voltada à criação e reprodução de cavalos da raça quarto de milha, comercialização de material genético e realização de eventos ligados à modalidade de rédeas.
Para a Polícia Federal, a constituição da empresa, em meio ao crescimento dos pagamentos recebidos do TCE, merece investigação diante do possível risco de lavagem de dinheiro, considerando a dificuldade de estabelecer valores objetivos para determinados animais e materiais genéticos.
O relatório também relaciona o consultor a veículos de alto valor comercial, entre eles um Land Rover Defender, avaliado em R$ 735,2 mil, e um Mini Countryman, estimado em R$ 214,3 mil.
Investigação
As informações integram a investigação da Polícia Federal que deu origem à Operação Tomada de Contas, deflagrada para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo pagamentos, movimentações bancárias e possíveis desvios de recursos do TCE-MT.
A apuração aponta que os pagamentos atribuídos a Grhegory, somados aos recebidos por outros investigados, alcançaram dezenas de milhões de reais no período analisado.
A PF busca esclarecer a natureza dos repasses, sua justificativa administrativa e a destinação final dos recursos. As suspeitas apresentadas pela investigação não representam comprovação definitiva de esquema de corrupção.
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