O Tempo
05/11/2026 11:30

Montadoras dos EUA pedem proibição dos veículos chineses

A Aliança para a Inovação Automotiva, associação que representa as principais fabricantes de veículos dos Estados Unidos, pediu ao congresso norte-americano que aprove uma proibição permanente de carros chineses ainda neste ano. O pleito das montadoras foi realizado nessa segunda-feira (2/11), antes do retorno dos parlamentares para uma sessão rápida após as eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms.

As informações são da Agência Reuters. O grupo representa montadoras como General Motors, Ford, Stellantis, Volkswagen, Toyota, Honda, entre outras grandes do setor nos EUA. A entidade automotiva argumenta que a entrada dos veículos chineses ameaça tanto a segurança nacional quanto os investimentos feitos pelas montadoras no país.

“Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas”, declarou John Bozzella, presidente da associação.

Os Estados Unidos já impedem que montadoras chinesas realizem vendas ou a fabricação de carros de passeio no país, devido a uma regulamentação imposta no início de 2025, ainda durante o governo do democrata Joe Biden. A justificativa era o risco de envio de dados confidenciais dos motoristas para a China.

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O governo de Washington também mantém tarifas de importação superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses, o que, na prática, inviabiliza a entrada dos carros da China no mercado norte-americano. O pedido das montadoras dos EUA agora vai além e pede uma lei para o banimento permanente dos veículos chineses.

Tramitação

O projeto de lei que estabelece a proibição permanente dos veículos chineses nos EUA avançou em julho deste ano, quando foi aprovado por uma comissão do Senado. Na Câmara dos Representantes, a proposta já conta com mais de cem parlamentares como coautores.

Ainda assim, em setembro, os parlamentares responsáveis pela iniciativa concordaram em adiar para novembro a tentativa de acelerar a tramitação. As montadoras mantêm a expectativa de que a proibição seja aprovada ainda neste ano.

Apesar de ser uma proposta tanto de republicanos quanto de democratas, alguns assessores legislativos e representantes do setor automotivo acreditam que, com a vitória dos democratas nas midterms, ​talvez não haja tempo suficiente para aprovar a proibição antes do encerramento da sessão, em dezembro.

Declaração de Trump e da China

John Bozzella citou o avanço chinês sobre o mercado automotivo europeu para defender a urgência da aprovação. Ele disse que a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos do país asiático nos oito primeiros meses de 2026, um volume superior ao registrado em todo o ano de 2025.

“Dado o evidente risco à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que conseguiram fazer impunemente na Europa”, disse.

Em setembro, o presidente dos EUA, o republicano Donald Trump, disse à emissora Fox News que aceitaria que montadoras chinesas fabricassem carros nos EUA, ​o que gerou uma preocupação das montadoras do país.

O governo da China já criticou as propostas anteriores contra empresas chinesas, ao classificá-las como “repressão irracional”. O Ministério das Relações Exteriores da China havia pedido aos Estados Unidos que passassem “a respeitar as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência justa”.

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