Nido Ristorante: a cozinha veneziana que vale a visita no Leblon
Uma das melhores lembranças que guardo de Veneza é a gastronomia. Comi muito bem por lá, em uma viagem que me fez entender ainda mais a força da cozinha daquela região italiana. Talvez por isso tenha uma identificação especial com o trabalho de Rudy Bovo, chef veneziano que está à frente do Nido Ristorante, no Leblon. A casa, que completou oito anos neste ano de 2026, figura entre os meus restaurantes italianos favoritos no Rio.
A começar pelo ambiente, o Nido tem uma elegância discreta. É um restaurante refinado, silencioso, com música ambiente em volume agradável, daqueles em que se consegue conversar sem disputar espaço com o som. A frequência de executivos e homens de negócios combina com a proposta da casa, que também oferece uma boa carta de vinhos e variedade de drinques.
Mas é à mesa que a experiência realmente começa a ganhar personalidade. E o couvert merece um capítulo à parte. Daqueles que dão vontade de voltar ao restaurante só para pedir novamente. Batizado de Nostro Couvert (R$ 86), chega farto, com polpetas, berinjela marinada, salada de atum com feijão-branco, creme de aioli e uma seleção de pães preparados na casa.
Há focaccia de tomate, pizza de azeitonas, ciabatta, grissinis e outros pães que chegam fresquinhos à mesa. A berinjela é um dos destaques, assim como a focaccia, que fica ainda melhor com uma generosa porção do aioli. É uma combinação simples, mas muito bem resolvida. O conjunto tem variedade, bons sabores e, principalmente, não economiza nas porções.
Entre as entradas, o carpaccio de wagyu também merece atenção. Não é um preparo que dependa de grandes invenções, mas exige matéria-prima de qualidade e precisão no corte. No Nido, as lâminas finíssimas valorizam o ingrediente e chegam à mesa com a delicadeza que o prato pede. É uma boa escolha para abrir o apetite.
Outro preparo que chamou atenção foi o polvo crocante com azeite de ervas e páprica. Macio por dentro e com uma textura crocante por fora, surpreende até quem costuma torcer o nariz para o ingrediente. Na mesa ao lado, ouvi um comentário que resume bem a experiência: “Eu não gosto de polvo. Esse aqui eu gosto”. Não é pouca coisa para um prato que precisa conquistar justamente quem não é fã.
A burrata também agrada pela qualidade e pelo frescor do queijo. Já a polenta taragna, feita com trigo-sarraceno, queijo e trufas negras, segue uma linha mais intensa. É um prato de sabor denso, encorpado e bastante marcante. Não passa despercebido e tem personalidade suficiente para funcionar como protagonista da refeição. Foi um dos meus preferidos.
Uma das preparações mais interessantes é a fregola, típica da ilha da Sardenha. Apesar do nome, as pequenas esferas são feitas de massa e, nesta versão, vêm recheadas com frutos do mar, entre eles lula, camarão e polvo. Há também uma opção com cordeiro. É uma apresentação diferente, que chama a atenção e foge um pouco do repertório mais conhecido das massas italianas.
A cozinha de Rudy Bovo, no entanto, não se distancia dos clássicos. Pelo contrário. O chef explica que as massas tradicionais estão entre os pratos mais pedidos da casa. Raviolis, lasanhas e risotos convivem com receitas de frutos do mar e polentas, estas últimas especialmente ligadas à tradição gastronômica do norte da Itália, sua região de origem.
Nascido em Veneza, Bovo cresceu acompanhando a avó na cozinha e os pais à frente de um restaurante familiar na cidade. Formado em gastronomia na Itália e com passagem também pela França, chegou ao Rio em 2014. Por aqui, mantém uma relação próxima com os fornecedores e faz questão de acompanhar pessoalmente a escolha dos ingredientes. Frequenta o Mercado de São Pedro, em Niterói, em busca de peixes e frutos do mar, e a Cadeg, onde seleciona outros produtos utilizados no restaurante.
O cuidado com a matéria-prima aparece na execução dos pratos. A cada seis meses, cerca de 20% do cardápio é renovado, sem que a casa abandone a base tradicional que define sua identidade.
Entre os principais, o pente de cordeiro com risoto de açafrão (R$ 285) é um dos pratos mais conhecidos e o favorito do próprio chef. A carne recebe uma crosta fina de ervas e acompanha risoto de açafrão. Não cheguei a experimentá-lo nesta visita, mas ficou na lista para a próxima. Também merecem atenção os raviólis artesanais, como o de cordeiro com cacio e pepe (R$ 120), e os risotos, entre eles o de mascarpone, presunto de Parma e trufa (R$ 133).
Para quem gosta de terminar a refeição com uma sobremesa à altura, a casa tem opções que vão dos clássicos italianos, como tiramisù e cannoli, a criações mais elaboradas. Uma delas é a Regina (R$ 318), sobremesa para compartilhar que ganha um pequeno espetáculo à mesa. Uma esfera de chocolate 70% envolve sorvetes de diferentes sabores e frutas. Ao redor, entram em cena caldas, ganache, caramelo salgado, trufas, bombons, macaron e outras pequenas preparações. O gran finale acontece quando o chef quebra a esfera de chocolate, espalhando os recheios e criando uma combinação de texturas e sabores.
A carta de vinhos, com aproximadamente 120 rótulos de diferentes países, completa a experiência. Mais de 40% da seleção é italiana, com predominância de tintos. É uma carta que acompanha bem a proposta gastronômica e reforça a vocação da casa para refeições sem pressa.
O Nido não tenta reinventar a cozinha italiana nem precisa disso. Seu mérito está em preservar receitas tradicionais, trabalhar com bons ingredientes e oferecer uma experiência consistente, em um ambiente que convida a ficar mais um pouco à mesa. Para quem, como eu, guarda boas lembranças gastronômicas de Veneza, encontrar um pouco daqueles sabores no Leblon é sempre um bom motivo para voltar.
Nido Ristorante
Av. General San Martin, 1.011, Leblon – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2259-7696
WhatsApp: (21) 98122-3944
Site: www.nidoristorante.com.br
Instagram: @nidoristorante
Funcionamento: segunda, das 18h às 23h50; terça a sábado, das 12h às 23h50; domingo, das 12h às 23h.
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Renata Granchi é jornalista e publicitária com mestrado em psicologia. Passou pela TV Manchete, TV Globo, Record TV, TV Escola e Jornal do Brasil. Escreveu dois livros didáticos e atualmente é diretora do Diário do Rio. Em paralelo, presta consultoria em comunicação e marketing para empresas do trade.
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