Tarcísio reorganiza governo de SP e prepara aliados para disputas eleitorais de 2028 e 2030
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), prepara uma reformulação na estrutura de seu segundo mandato com objetivos que vão além da administração estadual. A estratégia busca fortalecer seu grupo político para as eleições municipais de 2028 e para a disputa pelo governo paulista e pela Presidência da República em 2030.
Entre as prioridades estão a reorganização de secretarias estratégicas, a ampliação do espaço de aliados que participaram de sua campanha à reeleição e o fortalecimento da parceria com o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). A intenção é manter influência tanto no governo estadual quanto na Prefeitura de São Paulo nos próximos anos.
Reeleito em primeiro turno, com aproximadamente 63% dos votos válidos, Tarcísio pretende corrigir problemas identificados durante sua primeira gestão, principalmente nas áreas de articulação política e coordenação administrativa. As mudanças atingem especialmente as secretarias da Casa Civil e de Governo, consideradas fundamentais para o funcionamento da gestão.
No primeiro mandato, os dois setores ficaram sob o comando de Arthur Lima, amigo de infância do governador, e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, respectivamente. O modelo, porém, acumulou desgastes. Enquanto Kassab era alvo de críticas por supostamente utilizar o cargo para ampliar a influência de seu partido, deputados estaduais reclamavam de dificuldades no relacionamento com Lima e de atrasos na liberação de emendas parlamentares.
Com a saída dos dois secretários antes do período eleitoral, Tarcísio passou a reorganizar as funções. Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, deverá assumir a articulação política na Secretaria de Governo. Já Natália Resende, atual responsável pela pasta de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, deve migrar para a Casa Civil, onde ficará encarregada de acompanhar a administração estadual.
Carneiro já havia ocupado a Casa Civil e assumido a Secretaria de Governo após a saída de Kassab. Sua capacidade de diálogo com os parlamentares é apontada por deputados como um dos principais atributos para a nova função. Natália, por sua vez, é considerada uma das auxiliares mais próximas do governador e coordenou o plano de governo apresentado durante a campanha eleitoral.
Disputa pela sucessão em 2030
A escolha dos nomes também tem relação com os planos eleitorais de Tarcísio. Entre aliados do governador, Natália Resende aparece como uma das possibilidades para disputar sua sucessão no governo paulista em 2030. Embora o Palácio dos Bandeirantes negue que exista uma definição sobre sua candidatura, integrantes do PL, Republicanos e MDB consideram a secretária uma alternativa.
Outro nome cotado é o prefeito Ricardo Nunes, que deverá deixar o cargo em 2028, após o fim de seu mandato. Para se tornar competitivo na disputa estadual, ele precisará encerrar a administração municipal com bons índices de aprovação e conseguir eleger um sucessor na capital.
Aliados de Tarcísio afirmam que Nunes deverá receber espaço no governo estadual quando deixar a prefeitura, embora ainda não exista definição sobre qual função poderá ocupar. O governador também pretende ampliar a participação do MDB na administração paulista, inclusive em secretarias que anteriormente estavam sob influência do PSD.
Entre as pastas que podem passar por mudanças está a Saúde. O movimento é interpretado como parte do afastamento político entre Tarcísio e Kassab, que comandou cinco secretarias durante o primeiro mandato e perdeu espaço na atual reorganização.
Outra decisão considerada importante é a permanência do delegado Osvaldo Nico Gonçalves, conhecido como Doutor Nico, à frente da Secretaria de Segurança Pública. O nome também é visto por aliados como uma possível alternativa para compor uma chapa à Prefeitura de São Paulo em 2028, caso Nunes consiga indicar um candidato à sucessão.
Aliança com Nunes e planos para a capital
A aproximação entre Tarcísio e Nunes deverá ganhar força nos próximos meses. Os dois têm prevista uma agenda conjunta para a próxima semana, durante uma cerimônia relacionada às obras do Veículo Leve Elétrico (VLE) no centro da capital.
O projeto, assim como a construção do novo centro administrativo estadual, deve integrar a estratégia de revitalização da região central de São Paulo. A transformação do centro é apontada como um dos principais temas que Nunes pretende explorar politicamente para fortalecer seu grupo e viabilizar a eleição de um sucessor em 2028.
Além das mudanças nas principais secretarias, outras pastas menores também devem passar por alterações para acomodar partidos aliados, entre elas Turismo e Viagens, Esportes e Políticas para a Mulher.
Os planos discutidos atualmente não incluem, ao menos por enquanto, o vice-governador Felício Ramuth como principal opção para disputar o governo estadual em 2030. Filiado ao MDB após deixar o PSD, Ramuth permanecerá no cargo e poderá assumir o comando do estado caso Tarcísio decida concorrer à Presidência.
Pela legislação eleitoral, o governador precisará deixar o Palácio dos Bandeirantes até abril de 2030 para disputar outro cargo. Nesse cenário, Ramuth assumiria o governo estadual, enquanto Tarcísio tentaria ampliar sua atuação política em âmbito nacional.
A reorganização, portanto, representa uma tentativa de consolidar alianças e preparar o terreno para as próximas disputas eleitorais, mantendo o grupo político do governador em posições estratégicas tanto no estado quanto na capital paulista.
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