Polícia conclui inquérito sobre feminicídio de mulher morta pelo irmão em Montes Claros; vítima tinha relatado tentativas de abuso sexual O laudo de necrópsia apontou que a mulher morreu em decorrência de uma hemorragia aguda provocada por 23 facadas. Parte dos ferimentos estava nas mãos, braços e cotovelos, caracterizando lesões de defesa, o que indica que ela tentou se proteger das agressões.
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o feminicídio de uma mulher, de 59 anos, morta pelo próprio irmão, de 62, no dia 23 de outubro, em Montes Claros, no Norte de Minas. As investigações apontaram que o crime foi motivado por uma tentativa frustrada de violência sexual contra a vítima. O suspeito foi indiciado por feminicídio e permanece preso. O laudo de necrópsia apontou que a mulher morreu em decorrência de uma hemorragia aguda provocada por 23 facadas. Parte dos ferimentos estava nas mãos, braços e cotovelos, caracterizando lesões de defesa, o que indica que ela tentou se proteger das agressões. Segundo a delegada Francielle Drumond, o crime aconteceu pouco depois de a vítima chegar à casa onde morava, no bairro Delfino Magalhães. Ela e o irmão viviam em casas separadas, mas no mesmo quintal. “Autor e vítima moravam no mesmo quintal, mas em casas distintas, e quando ela chegou em casa, alguns vizinhos já começaram a ouvir gritos de socorro. Em razão disso, um vizinho teria tentado intervir, foi até a residência e o autor impediu essa intervenção, inclusive teria ameaçado esse vizinho com uma faca. A polícia foi acionada e, ao adentrar no imóvel, já constatou que a vítima estava em óbito e o autor estava com uma faca tentando autoextermínio, o que foi impedido pela Polícia Militar”, explicou. De acordo com a delegada, no início das investigações, uma das hipóteses levantadas era de que o assassinato teria sido motivado por uma disputa de herança. “Quando iniciaram as investigações, uma equipe da Delegacia de Homicídios compareceu ao local dos fatos e começaram a ventilar que a causa do crime, que a motivação, poderia ser uma disputa por herança. No entanto, várias testemunhas, familiares muito próximos da vítima, foram ouvidos e não validaram essas informações”, disse. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil identificou que a motivação estaria relacionada às investidas sexuais frustrada do suspeito contra a própria irmã. Segundo Francielle Drumont, o depoimento do pastor da igreja frequentada pela vítima foi fundamental para esclarecer o caso. “Ele informou que a vítima frequentava a sua igreja e que teria lhe confidenciado um dia antes do crime que estava com muito medo e receio de ficar em casa, uma vez que o autor já teria tentado estuprá-la, abusar dela sexualmente várias vezes. Ele estava com uma ideia fixa de que a sua irmã seria sua mulher. E o último dia que isso tinha acontecido, tinha sido há cinco dias antes do crime, que inclusive ele tentou estuprá-la, mas ela conseguiu se desvencilhar. E em razão disso, o autor ficou bastante agressivo, inclusive teria quebrado um tanque ali de uso compartilhado de ambos”, destacou a delegada. Ainda segundo a investigação, a vítima evitava qualquer contato com o irmão e também deixou de utilizar as áreas compartilhadas da casa. “Eles tinham um banheiro no quintal que era de uso compartilhado, que ela inclusive estava evitando usar. Ela tomava banho, fazia as suas necessidades no interior da casa. Isso foi comprovado pela polícia. A polícia compareceu à residência dela e presenciou que na residência dela tinha uma bacia ali com água e sabão”, relatou Francielle. O depoimento de uma sobrinha da vítima, que também já foi vítima do suspeito, contribuiu para esclarecer o histórico de violência. “A sobrinha da vítima informou que, em uma dessas chamadas de vídeo, conseguiu presenciar uma dessas investidas sexuais do autor. Essa sobrinha também informou que ela inclusive já tinha sido abusada por ele, quando tinha oito anos de idade, mas que não tomou providência em razão de que alguns familiares não acreditaram na sua versão”, afirmou. Durante a apuração, a Polícia Civil também identificou que o investigado já havia respondido a um processo por estupro em Mato Grosso, em 2007, conforme informou a delegada. O homem foi indiciado por feminicídio e permanece preso preventivamente. A pena prevista para o crime é de 20 a 40 anos de prisão. Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado à Justiça. As próximas providências ficarão a cargo do Ministério Público.
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