Diário da Manhã
05/11/2026 11:30

Esportes Cristiano Ronaldo divulga carta de aposentadoria da seleção de Portugal. Leia carta Aos 41 anos, atacante se despede da camisa 7 depois de 234 partidas, 146 gols e três títulos conquistados com a equipe portuguesa

Cristiano Ronaldo anunciou nesta quinta-feira (5) que vai encerrar sua trajetória pela seleção de Portugal após os compromissos internacionais de novembro. Aos 41 anos, o atacante coloca fim a uma carreira de 23 anos com a camisa portuguesa, marcada por recordes individuais, conquistas coletivas e participações em seis edições da Copa do Mundo.

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A despedida foi comunicada pelo próprio jogador em uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, Cristiano afirmou que chegou o momento de devolver a camisa 7, número que marcou sua história com a seleção. “Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro”, escreveu.

O atacante encerra sua passagem pela equipe nacional como maior artilheiro da história de Portugal, com 146 gols em 234 partidas. Os números também o colocam como recordista mundial de gols e de jogos por uma seleção masculina. O segundo maior goleador português é o ex-atacante Pauleta, que marcou 47 vezes em 88 partidas.

A história de Cristiano Ronaldo com Portugal começou em agosto de 2003, quando estreou em um amistoso contra o Cazaquistão. Na época, tinha 18 anos e iniciava uma trajetória que o levaria a se tornar um dos principais nomes do futebol mundial. Seu primeiro gol pela seleção saiu em junho de 2004, contra a Grécia, na partida de abertura da Eurocopa daquele ano.

Ao longo de mais de duas décadas, o camisa 7 participou de 12 grandes torneios internacionais, sendo seis edições da Eurocopa e seis Copas do Mundo. Também se tornou o primeiro jogador a disputar seis Mundiais, marca que divide com o argentino Lionel Messi.

Títulos e trajetória pela seleção

Entre as principais conquistas de Cristiano Ronaldo com Portugal estão a Eurocopa de 2016, na França, e duas edições da Liga das Nações da Uefa, em 2018/19 e 2024/25.

A conquista continental de 2016 representou o primeiro título da história de Portugal na Eurocopa. Na decisão contra a França, Cristiano Ronaldo deixou o campo ainda no primeiro tempo, após sofrer uma lesão. Mesmo fora da partida, acompanhou a vitória portuguesa por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Éder.

Na Liga das Nações, o atacante também teve participação importante. Em 2019, marcou três gols na semifinal contra a Suíça e ajudou Portugal a conquistar a primeira edição do torneio. Em 2025, voltou a levantar a taça com a seleção.

Nas Copas do Mundo, seu melhor resultado foi o quarto lugar em 2006, na Alemanha. Na ocasião, Portugal perdeu para a Alemanha por 3 a 1 na disputa pelo terceiro lugar. Em 2026, a equipe portuguesa foi eliminada pela Espanha nas oitavas de final.

Despedida após período de tensão

O anúncio acontece depois de um período de desgaste entre Cristiano Ronaldo e o técnico Jorge Jesus. No fim de setembro, o atacante ficou no banco de reservas durante a vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega e deixou a concentração da equipe antes do compromisso seguinte, contra a Dinamarca.

Em outubro, o jogador pediu desculpas aos torcedores e aos companheiros pela saída da concentração, mas afirmou que o treinador havia descumprido um acordo estabelecido entre os dois. Jorge Jesus, por sua vez, declarou que Cristiano poderia retornar à seleção caso desejasse.

O atacante estava na pré-lista de convocados para os compromissos de novembro, cuja relação definitiva seria divulgada nesta sexta-feira (6). Portugal tem partidas previstas contra Dinamarca, no dia 14, e País de Gales, no dia 17, pela Liga das Nações.

Na carta de despedida, Cristiano Ronaldo agradeceu aos companheiros, treinadores, integrantes das comissões técnicas, familiares e torcedores. Também destacou o significado de representar o país e afirmou que continuará acompanhando a seleção.

“Hoje termina minha trajetória dentro de campo pela seleção nacional. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração”, escreveu.

O jogador também afirmou que os recordes e os títulos não são os únicos elementos que permanecerão de sua trajetória. Para ele, o vínculo construído com os torcedores representa uma parte fundamental da experiência de defender a seleção portuguesa.

Leia a carta de despedida de Cristiano Ronaldo na íntegra

“Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro.

Hoje chegou o momento de entregá-la ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça. Também se tomam com o coração.

Encerro uma trajetória que começou em agosto de 2003 e mudou minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. Porque, no fim das contas, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas.

Durante toda a minha carreira na seleção, procurei superar meus limites. Quis vencer, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo mesmo. Sempre quis mais, sempre acreditei que poderíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por essa camisa.

Houve tardes e noites perfeitas, vitórias que nunca esquecerei e derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri. Houve momentos em que não consegui dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.

Ao longo desses anos, aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam sendo quebrados. Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez fiz vocês felizes, se algum gol meu fez vocês abraçarem alguém, esquecerem um momento difícil ou sentirem orgulho do nosso país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, nos levantamos juntos e voltamos a acreditar.

Portugal sempre precisará de jovens que sonham, de jogadores que nunca desistem, de novas gerações que acreditam ser possível chegar aonde ninguém chegou. Porque um país que continua criando novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si mesmo.

Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, cada abraço, cada discussão, cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que comemoramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser capitão de vocês, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.

A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e tantas outras pessoas que trabalharam comigo ao longo desses anos, meu muito obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas, sem vocês, nenhuma delas teria sido possível.

À minha família, obrigado por ter dividido esse sonho comigo. Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção precisou ocupar um espaço que também pertencia a vocês. Se cheguei tão longe, foi porque sempre estivemos de mãos dadas.

E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho ao meu redor, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E, durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.

Esse sentimento levarei comigo pelo resto da vida. Hoje termina minha trajetória dentro de campo pela seleção nacional. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.

Passei minha vida trabalhando para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo.

Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me permitirem viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, correndo atrás de uma bola.

A camisa 7 fica. O orgulho de tê-la vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.

Até sempre.

Cristiano Ronaldo.”

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