Pé-de-Meia Universitário terá bolsa de R$ 700 e reserva de R$ 10 mil para estudantes em 2027
O caminho até o diploma universitário poderá contar com um reforço financeiro do governo federal a partir de 2027. O Ministério da Educação (MEC) detalhou o funcionamento previsto para o Pé-de-Meia Universitário, nova modalidade do programa que deverá oferecer uma bolsa mensal de R$ 700 e uma reserva de até R$ 10 mil para estudantes de baixa renda. A iniciativa será direcionada inicialmente a universitários inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
O anúncio foi feito pelo Ministro da Educação, Leonardo Barchini, na quarta-feira (04/11), durante participação no programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov. Segundo ele, o projeto está na fase final de elaboração e pretende enfrentar um obstáculo que acompanha muitos jovens mesmo depois da aprovação no vestibular: conseguir permanecer na universidade até a formatura.
Como será o Pé-de-Meia para universitários?
A proposta prevê o pagamento de R$ 700 por mês durante dez meses de cada ano letivo. Além dessa quantia, o governo pretende depositar outros R$ 250 mensais em uma poupança, também ao longo de dez meses.
Considerando uma graduação de quatro anos, o estudante poderá acumular R$ 10 mil nessa reserva, com correção inflacionária. O dinheiro ficará retido e poderá ser retirado após a conclusão do curso, funcionando como um apoio financeiro para o início da vida profissional.
A contrapartida será a permanência na universidade e a conclusão da graduação dentro do período previsto. Os critérios definitivos de seleção, a forma de inscrição e o calendário de pagamentos ainda dependem da conclusão do planejamento do MEC.
Benefício também chegará a todos os alunos do ensino médio público
A ampliação não ficará restrita às universidades. O governo federal também prepara a universalização do Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio da rede pública, independentemente de suas famílias estarem inscritas no CadÚnico.
Atualmente, o programa atende jovens de famílias incluídas no cadastro de programas sociais. Com a mudança, a intenção é eliminar essa restrição e estender o incentivo financeiro a todos os alunos dessa etapa escolar.
Barchini afirmou que o MEC trabalha nos estudos necessários para implementar a medida. A expectativa apresentada pelo ministro é que a ampliação comece em março de 2027, junto ao início do calendário letivo da rede pública.
A mudança busca evitar diferenças entre estudantes de uma mesma sala de aula, já que, pelas regras atuais, jovens que frequentam a mesma escola podem ter acesso a benefícios diferentes de acordo com a situação socioeconômica de suas famílias.
Pé-de-Meia já movimentou bilhões e reduziu abandono escolar
Criado em 2024, o Pé-de-Meia do ensino médio funciona como uma poupança de incentivo à frequência e à conclusão dos estudos. O programa pode garantir até R$ 9,2 mil por aluno ao longo dos três anos, desde que sejam cumpridas as exigências de frequência e aprovação.
De acordo com os números apresentados pelo ministro, o abandono escolar no ensino médio público caiu 61% entre 2022 e 2025. No mesmo período, a reprovação recuou 62%, enquanto a distorção idade-série, indicador que mede o atraso escolar em relação à idade dos estudantes, diminuiu 28%.
Entre 2024 e 2026, o programa recebeu R$ 24 bilhões em investimentos federais e alcançou aproximadamente 7,4 milhões de estudantes de baixa renda, segundo os dados divulgados na reportagem da Agência Brasil.
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Carioca, jornalista e flamenguista. Nessa ordem (às vezes não).
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