Lula reúne ministros e economistas do PT para discutir medidas fiscais após decisão do BC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ministros, ex-integrantes do governo e economistas ligados ao PT para discutir os rumos da economia brasileira nesta quinta-feira (5). A reunião, marcada para as 11h, ocorre um dia após o Banco Central interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fará a apresentação inicial do encontro. Ele deve traçar um panorama da situação econômica do país e apresentar medidas que estão em análise pela equipe econômica para cumprir as metas fiscais sem comprometer os programas sociais do governo.
Entre as propostas em discussão estão o aumento do contingenciamento de despesas e a criação de limites para o crescimento dos gastos obrigatórios, como os destinados à saúde e à educação. A intenção, segundo interlocutores do ministro, não é reduzir os recursos dessas áreas, mas controlar o ritmo de expansão das despesas.
Foram convidados o vice-presidente Geraldo Alckmin; os ministros Bruno Moretti, do Planejamento, e Esther Dweck, da Gestão; os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega; além dos economistas Luciano Coutinho e Laura Carvalho.
A equipe de Durigan defende um ajuste fiscal gradual e consistente, com o objetivo de criar condições para a redução dos juros e assegurar a continuidade das políticas sociais no longo prazo.
Mais cedo, nesta quinta-feira, Durigan classificou a taxa básica de juros brasileira como “muito alta”. Apesar da avaliação, o ministro evitou fazer críticas diretas à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 13,75% ao ano.
“Eu não vou fazer esse tipo de comentário valorativo, mas, mais uma vez, a taxa de juros no Brasil é muito alta, o esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos para que a gente diminua a taxa de juros”, afirmou.
Petistas criticam juros elevados
A reunião ocorre em meio a críticas de integrantes do PT à política monetária do Banco Central. Parte do partido questiona a manutenção dos juros em patamar elevado e defende mudanças na condução da política econômica. Ao mesmo tempo, petistas demonstram resistência a medidas de ajuste fiscal mais rígidas.
No mercado financeiro, a expectativa é que o governo apresente um plano consistente para controlar o avanço das despesas públicas. A avaliação de um banqueiro ouvido sobre o assunto é que não há demanda por cortes drásticos, mas por medidas capazes de demonstrar compromisso com o equilíbrio das contas.
Segundo essa avaliação, sem um planejamento confiável para conter o crescimento dos gastos, o país pode enfrentar um cenário de baixo crescimento econômico, dificuldades para financiar programas sociais e aumento das pressões inflacionárias.
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