El Niño tem relação com tornados que ocorrem no Sul? Meteorologista explica
Um forte temporal e pelo menos dois tornados atingiram as cidades de Xanxerê e Chapecó, em Santa Catarina, causando sérios estragos na quarta-feira (4). O aeroporto de Chapecó segue fechado após a passagem dos fenômenos e a área está em alerta para o risco de novos temporais.
Para explicar o que está por trás desses eventos, o meteorologista e diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, analisou, em entrevista ao Live CNN desta quinta-feira (5), a relação entre o El Niño, as mudanças climáticas e o aumento da frequência dos tornados no Sul do país.
Segundo ele, a ocorrência de tornados no Brasil não é um fenômeno novo. “Há registros nas décadas de 1980, 1990, no início dos anos 2000, não só no Sul, em algumas áreas do Sudeste também. Mas, com todas essas mudanças no planeta, isso tem se tornado mais frequente e mais forte.”
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Nascimento destacou que, somente entre agosto e setembro deste ano, já havia registro de quase 100 tornados, superando recordes de anos anteriores. “Quer dizer, realmente a frequência está aumentando”, afirmou.
Para as próximas semanas, o risco se mantém elevado, em razão de uma conjuntura típica do período: a formação intensa de tempestades entre o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste do país, característica dos meses de final de primavera.
“Embebido a isso, a gente tem a questão das mudanças climáticas, que deixam esses fenômenos mais frequentes e mais fortes. E a gente não pode deixar de lembrar que estamos sob o domínio de um El Niño muito forte, que é a cereja de todo esse bolo”, disse o meteorologista.
Diferenças entre tornados, microexplosões e ciclones
Nascimento também explicou as diferenças entre os principais fenômenos meteorológicos severos. Tornados e microexplosões são fenômenos de escala menor, que atingem áreas reduzidas, mas com energia destrutiva extraordinária.
O tornado se caracteriza pelo movimento giratório em torno do próprio eixo, enquanto a microexplosão consiste em correntes descendentes que partem das nuvens em direção ao solo, ambos capazes de causar grandes estragos em poucos quilômetros.
Já os ciclones extratropicais e furacões são fenômenos de escala muito maior, podendo afetar centenas de quilômetros e atingir simultaneamente estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
“São fenômenos muito maiores, que não são tão potentes, mas que devastam áreas muito maiores“, explicou Nascimento.
Como exemplo de microexplosão, ele citou um episódio ocorrido há cerca de dois meses na região próxima a Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que causou sérios danos e foi inicialmente confundido com um tornado.
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