Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia em meio à crise bancária
Congresso debatia a abertura de um processo de impeachment contra ele
Por AFP, Agência Estado
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Atualizado às 13:59, 05/11/2026 | Publicado às 13:30, 05/11/2026
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira, 5, em meio a uma crise bancária que congelou os depósitos de quase três milhões de poupadores, enquanto o Congresso debatia a abertura de um processo de impeachment contra ele, anunciou em um vídeo em sua conta no X.
Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (...). Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei
Santiago Peña
Presidente do Paraguai
Peña ressaltou que sua prioridade é "a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro".
Mais cedo, o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara dos Deputados anunciaram apoio ao processo de impeachment de Peña, em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado. O movimento ampliou o isolamento político do mandatário.
"Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados", afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiará o julgamento político para "reconduzir a institucionalidade da República".
Em nota separada, a bancada ANR "A" informou que votará a favor da acusação constitucional em resposta às reivindicações da população. A decisão, justificou, está baseada em "convicções republicanas" e no respeito às instituições democráticas. "Acima de qualquer interesse pessoal ou político estão a República, suas instituições e a vontade do povo paraguaio", acrescentou.
A Câmara iniciou na manhã da quinra a sessão para analisar a acusação contra Peña. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a adesão da bancada, com 35 deputados presentes, somou-se ao apoio dos demais grupos políticos e abriu a possibilidade de votação unânime.
Cartes também se reuniu com o vice-presidente Pedro Alliana para discutir a sucessão presidencial em caso de saída de Peña, conforme o ABC Color. Pela Constituição, Alliana assumiria a Presidência. De acordo com o jornal, o presidente da Câmara, Raúl Latorre, disse que Peña se considera inocente e pretende enfrentar o processo.
O Banco Central paraguaio iniciou nesta semana a dissolução do Ueno Bank, suspendendo operações e saques. Segundo a Associated Press, a instituição mantinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, dos quais aproximadamente US$ 380 milhões eram do instituto estatal de previdência. A crise provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco.
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