Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia ao cargo (Foto: EFE/Juan Pablo Pino)
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), após o avanço de pedidos de impeachment contra ele relacionados à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai, cujo grupo controlador teve Peña como sócio até março de 2025.
A carta de renúncia será submetida à análise do Congresso paraguaio, cuja aprovação é necessária para efetivar a saída do mandatário.
"Caberá à história julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje vivemos. Tomei a decisão de apresentar a renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", disse Peña em um vídeo postado em suas redes sociais.
"Estou convencido que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas se, em algum momento, falhei. Nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim. Cada dia assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifícios e projetos familiares. Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos e que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que se protejam os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios", acrescentou.
Segundo informações da agência EFE, Peña promulgou nesta quarta-feira (4) uma lei aprovada em tempo recorde pelo Congresso do país para agilizar a entrega, em um prazo mínimo de 24 horas, dos recursos retidos de milhares de clientes no Ueno Bank, que sofreu intervenção.
Depois de um trâmite com caráter de urgência, Peña assinou a lei que estabelece, entre outros, um adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).
A Câmara dos Deputados do Paraguai realiza nesta quinta-feira duas sessões extraordinárias para discutir a abertura de dois processos de impeachment contra Peña e o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana.
As duas propostas, relacionadas à crise do Ueno Bank, foram apresentadas por vários deputados e encaminhadas à Comissão de Assuntos Constitucionais.
Peña havia assumido a presidência paraguaia em 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições de abril daquele ano; seu mandato iria até 2028.
Antes do anúncio da sua renúncia, o ex-presidente paraguaio e atual presidente da Associação Nacional Republicana (ANR - nome oficial do Partido Colorado, como é conhecido), Horacio Cartes, padrinho político de Peña, havia anunciado que apoiava o impeachment do mandatário.
Caso Alliana, seu vice, sofra impeachment, caberá ao Senado eleger um parlamentar da própria casa para ocupar a cadeira presidencial.
O Banco Central do Paraguai (BCP) ordenou no início da semana um processo de resolução ou fechamento do Ueno Bank, um banco com 2,9 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes, após detectar que seu índice de solvência havia caído para abaixo da metade do mínimo exigido.
A crise colocou o governo Peña sob pressão porque o presidente paraguaio foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o Ueno Bank, até março de 2025, quando já era presidente.
Além disso, o ex-presidente do BCP Carlos Carvallo, que renunciou esta semana, foi diretor da Financiera Ueno, que deu origem ao banco agora sob intervenção.
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