Médica é proibida de exercer a profissão após morte de paciente em lipoescultura no RJ
A médica Geysa Leal Corrêa se tornou ré pela morte de Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira, após uma lipoescultura realizada em novembro de 2023, no Centro Médico Icaraí, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, as informações são do portal g1
A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e determinou a suspensão do exercício da medicina pela profissional. Porém, o registro da médica ainda aparece como ativo, segundo o Conselho Regional de Medicina do RJ (Cremerj).
De acordo com a acusação, durante a cirurgia, o intestino da paciente foi perfurado em três pontos. As lesões provocaram o vazamento de conteúdo fecal para a cavidade abdominal, causando uma infecção grave que evoluiu para choque séptico. Aline morreu 9 dias após o procedimento.
O Ministério Público afirma que a paciente apresentou dores intensas e falta de ar logo após a operação, mas os sintomas teriam sido minimizados pela médica. A transferência para um hospital aconteceu apenas no dia seguinte, quando o quadro já havia piorado.
A médica foi denunciada por homicídio qualificado com dolo eventual. O Ministério Público aponta duas qualificadoras: motivo torpe, relacionado à ganância, e emprego de meio cruel, em razão do sofrimento causado à paciente e da demora na adoção de medidas para socorrê-la. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão. Caso o processo avance, a médica poderá ser julgada pelo Tribunal do Júri, em São Gonçalo.
A Justiça também determinou a fiscalização do Centro Médico Icaraí para verificar alvarás, condições de higiene e a existência de estrutura cirúrgica e UTI.
Viúvo relata oferta de emprego
Edson de Oliveira Júnior, marido da vítima, afirmou à polícia que a médica e o companheiro dela tentaram convencê-lo a desistir da denúncia. Segundo relato enviado ao RJ1, ele recebeu uma oferta de emprego do marido da profissional quando estava desempregado.
A Justiça considerou haver indícios de possível coação e proibiu Geysa de manter contato com o viúvo.
Denúncia cita outras mortes
A investigação também menciona duas pacientes que morreram após procedimentos realizados pela médica: Adriana Ferreira Capitão Pinto, em 2018, e Silvia de Oliveira Martins, em setembro de 2023.
Adriana morreu seis dias após uma cirurgia. Em 2022, Geysa foi condenada em 1ª instância por homicídio culposo, com inobservância de regra técnica da profissão.
Silvia, advogada do cantor MC Poze, morreu após uma lipoaspiração. Na época, o advogado da paciente informou ao g1 que o atestado de óbito apontava choque hemorrágico por tromboembolismo pulmonar.
A denúncia também destaca que Geysa não tinha título de especialista em cirurgia plástica registrado no Cremerj quando operou Aline. Em 2023, o g1 informou que a médica respondia a pelo menos 9 processos relacionados a alegações de erros médicos, sete cíveis e dois criminais.
Mesmo após os episódios, ela continuava divulgando procedimentos estéticos nas redes sociais até outubro deste ano.
Em nota, o Cremerj afirmou que a profissional está regular no conselho e que ainda não havia recebido notificação judicial sobre o caso. A médica e o Centro Médico Icaraí foram procurados pelo RJ1, mas não responderam até a publicação da reportagem.
Formada em cinema e jornalismo. Também trabalha como assessora de imprensa, locutora e repórter de TV.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
