Presidente do Paraguai renuncia após crise em banco
Oposição pediu impeachment do chefe de Estado após o bloqueio bancário deixar milhões de clientes sem acesso aos valores em Assunção
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05 de Novembro de 2026 às 14:02

Foto: Reprodução/X
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (05), após a crise envolvendo o banco digital Ueno.
A instituição teve suas atividades suspensas após o Banco Central do país identificar problemas financeiros, deixando cerca de 2,9 milhões de clientes temporariamente sem acesso ao dinheiro depositado.
Ao comunicar sua decisão, o chefe de Estado disse que os interesses do Paraguai devem estar acima de qualquer cargo político. Segundo ele, sua saída busca contribuir para a tranquilidade da população, principalmente das pessoas que mantinham suas economias no Ueno.
Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas.
Santiago Peña, presidente do Paraguai.
No comunicado, o presidente também pediu desculpas à população e declarou que sua principal preocupação é garantir que o Fundo de Garantia de Depósitos ajude os clientes a recuperar o dinheiro depositado no banco.
Banco deixou clientes sem acesso ao dinheiro
O Banco Central do Paraguai interrompeu as atividades do banco Ueno na terça-feira (03) após identificar problemas financeiros, que levantaram dúvidas sobre a capacidade da instituição de pagar suas dívidas e devolver o dinheiro aos clientes.
Com aproximadamente 2,9 milhões de clientes, o banco também administrava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,64 bilhões) em dinheiro público. Entre os recursos estavam valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de fundos destinados ao pagamento de aposentadorias.
Com as operações suspensas, clientes procuraram as agências do banco para tentar movimentar suas contas, mas encontraram as portas fechadas. Entre os afetados estão aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.
O caso provocou manifestações em Assunção, capital do país. Os participantes dos atos passaram a madrugada em frente ao Congresso Nacional para cobrar a liberação do dinheiro e a responsabilização dos envolvidos no caso. Os protestos tiveram momentos de tensão, e a polícia utilizou jatos de água para dispersar os manifestantes.
Crise provocada pelo banco
A crise ganhou grande repercussão depois que veio à tona a ligação de Santiago Peña com o grupo empresarial responsável pelo Ueno. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025.
Na Câmara dos Deputados, 35 parlamentares oposicionistas chegaram a apresentar um pedido de impeachment contra Peña.
O caso também provocou mudanças na direção do Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo deixou a presidência da instituição na terça-feira (03), depois que Peña pediu sua saída.
A atuação de Carvallo na fiscalização do Ueno passou a ser questionada porque, antes de assumir o comando do Banco Central, ele havia ocupado um cargo de direção em uma instituição que deu origem ao banco.
Após sua saída, Liana Caballero assumiu temporariamente a presidência do órgão. Na quarta-feira (04), Peña indicou o economista Raúl Vera Bogado para ocupar o cargo. A escolha ainda depende da aprovação do Congresso.
O Ministério Público determinou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes ligados ao banco, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez. Ao todo, 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas.
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