PolíticaFlávio Bolsonaro diz que levará para o túmulo detalhes de sua saída do Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL) se recusou a revelar detalhes sobre como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirmou que não recebeu ajuda de governos estrangeiros ou aliados e declarou que levará para o túmulo as informações sobre a organização da viagem.
“Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou Flávio. O senador também evitou detalhar como conseguiu realizar o deslocamento sem cumprir a determinação judicial que o impedia de deixar o país.
A versão apresentada pelo parlamentar, porém, contrasta com informações publicadas pelo próprio New York Times. Segundo o jornal, um funcionário da Casa Branca providenciou o avião particular utilizado por Flávio, pela esposa, Fernanda Bolsonaro, e pelas duas filhas para chegar a Miami.
Decisão de deixar o Brasil foi tomada após visita ao pai
Na entrevista, Flávio contou que decidiu deixar o Brasil na manhã de segunda-feira (26 de outubro), depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
Segundo o senador, durante o encontro, Jair teria feito uma referência à possibilidade de prisão do filho. Flávio afirmou que entendeu a mensagem como um sinal de que deveria deixar o país.
O parlamentar disse que tomou a decisão em conjunto com a esposa, sem consultar o irmão Eduardo Bolsonaro ou outros aliados políticos. De acordo com ele, a escolha de manter o plano restrito à família tinha o objetivo de evitar que a viagem fosse impedida.
“Pode ter havido torcida, mas nada além disso”, declarou ao jornal, ao comentar a possibilidade de apoio de pessoas próximas.
Trajeto até os Estados Unidos
Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27 de outubro), acompanhado da família. O grupo atravessou a fronteira por Foz do Iguaçu, no Paraná, em direção a Puerto Iguazú, na Argentina.
De lá, embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, onde fez uma escala antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos. A família chegou ao destino na manhã de quarta-feira (28).
A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o território brasileiro. Como o prazo terminou sem a apresentação dos documentos, a PF cancelou os passaportes e informou que investigaria as circunstâncias da viagem.
A corporação também declarou não ter encontrado registro oficial da saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório.
Senador volta a questionar resultado das eleições
Durante a conversa com o jornal norte-americano, Flávio voltou a contestar o resultado da eleição presidencial, na qual foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador afirmou que considera matematicamente impossível a vitória do adversário, mas reconheceu que não possui certeza absoluta sobre suas suspeitas.
Ele também disse que pretende contestar judicialmente o resultado, embora admita que as chances de sucesso sejam pequenas. Além disso, afirmou que pretende mobilizar aliados no Brasil para defender suas pautas políticas.
Flávio agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por permitir sua permanência no país e afirmou que considera correta a postura do republicano de não tomar partido na disputa eleitoral brasileira.
O senador ainda não definiu onde a família ficará nos Estados Unidos e não descartou retornar ao Brasil. Na entrevista, afirmou que pretende disputar uma nova eleição caso haja outro pleito.
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