Gazeta do Povo
05/11/2026 15:49

Proposta de limitar juros abre racha no governo e derruba o mercado financeiro

Tabelamento de juros derruba mercado; Lula ignora. (Foto: Juan Ignacio Roncoroni - EFE)

A base aliada de Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe econômica divergem sobre uma proposta para limitar os juros no Brasil, gerando forte instabilidade financeira. Investidores reagiram negativamente à possível influência política no Banco Central, o que levou a quedas sucessivas na Bolsa de Valores e alta do dólar, enquanto o governo tenta equilibrar promessas de campanha e ajuste fiscal.

O que propõe o economista André Lara Resende para a política monetária?

André Lara Resende sugere uma mudança profunda no sistema atual, defendendo a redução da taxa Selic — que é o juro básico da economia usado para controlar a inflação — de 13,75% para cerca de 7,5% em apenas um ano. Além disso, ele propõe a criação de um novo mecanismo que uniria as decisões sobre gastos do governo (política fiscal) e o controle do dinheiro em circulação (política monetária). A ideia é que essas duas áreas trabalhem com metas conjuntas, o que, para críticos, poderia retirar a independência técnica do Banco Central de tomar decisões sem pressão política direta.

Como o mercado financeiro reagiu às discussões sobre o tabelamento de juros?

A reação foi de forte desconfiança, resultando no que especialistas chamam de 'sangramento' do Ibovespa, o principal indicador da Bolsa brasileira. Na última semana de outubro, as empresas listadas perderam quase 1 trilhão de reais em valor de mercado, registrando o pior desempenho desde o início da pandemia em 2020. O dólar subiu para 5,48 reais e os juros futuros — que indicam quanto o mercado espera que as taxas custem lá na frente — também dispararam. Investidores temem que o controle artificial dos juros gere inflação descontrolada e uma crise na cotação da moeda nacional.

Qual é a posição oficial do Ministério da Fazenda sobre essas mudanças?

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu um papel de pacificador para tentar conter o pânico dos investidores. Ele negou publicamente que exista um encontro agendado entre o presidente Lula e Lara Resende para discutir esse tema, enfatizando que o governo não trabalha com nenhuma proposta de tabelamento de juros no momento. Durigan afirmou que o mercado está sofrendo de uma 'precipitação' e que as agendas oficiais não contêm nada que justifique o medo atual. O esforço do ministro é desvincular a imagem do governo de ideias consideradas heterodoxas ou arriscadas pela economia clássica.

Por que o silêncio de Lula sobre o ajuste fiscal preocupa os analistas?

Analistas acreditam que a falta de definições claras sobre quem comandará a economia e como os gastos públicos serão cortados amplia a insegurança jurídica. Enquanto nomes influentes do PT, como Gleisi Hoffmann, apoiam o fim do 'pensamento único' na economia e criticam o que chamam de 'terrorismo do mercado', investidores cobram previsibilidade. O impasse central é descobrir de onde virá o dinheiro para equilibrar as contas: se por meio de mais impostos, corte de despesas ou fim de benefícios tributários. Sem essas respostas, o mercado entende que o governo pode priorizar gastos em vez de estabilidade.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: Gazeta do Povo.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

Lula convoca equipe econômica após pressão do mercado, mas não define novas medidas fiscais
Gazeta do Povo
Ministro da Fazenda afirmou que não há "fórmula mágica" e que novas medidas fiscais serão avaliadas após a vo…
Como pequenos colonos da Serra se transformaram em gigantes do vinho e do suco
Gazeta do Povo
Dos porões dos imigrantes italianos às marcas próprias, como as cooperativas da Serra Gaúcha escalaram a prod…
Cinco consequências da derrota de Trump, com impacto até na direita brasileira
Gazeta do Povo
A derrota de Trump dificulta sua agenda, anima ativistas woke e afeta a direita brasileira. Veja cinco conseq…
Câmara do Paraguai rejeita pedido de impeachment contra vice de Peña
Gazeta do Povo
A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou o pedido de impeachment contra o vice-presidente do país, Pedro A…
Quando será a próxima eleição presidencial nos EUA? Confira
Gazeta do Povo
Saiba quando será a próxima eleição presidencial nos EUA, até quando Trump fica no cargo e por que ele não po…
Gazeta Agora: que Bolsonaro quer autorização de Moraes para receber Rogério Marinho e Tereza Cristina
Gazeta do Povo
A edição desta quinta-feira (5) destaca que Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber Rogério Marinho …